Sérgio Meneguelli diz que quer todos os direitos de Colatina com a Fundação Renova

A proposta da Fundação Renova que ofereceu R$ 4,3 milhões para Colatina, referentes ao ressarcimento dos “gastos extraordinários” decorrentes do rompimento da Barragem de Fundão, da Samarco/Vale/BHP há três anos, deixou indignado o prefeito Sérgio Meneguelli. A proposta faz parte do Termo de Transação, Quitação e Exoneração de Responsabilidade para mais de 40 prefeituras capixabas e mineiras e foi feita em novembro passado.

Foram oferecidas quantias em dinheiro, mas que se as Prefeituras aceitassem teriam que abrir mão de ações na Justiça contra as mineradoras responsáveis pela tragédia. Colatina é um dos 39 municípios atingidos pela lama que repartiriam uma indenização que chega a R$ 53 milhões, sendo R$ 41 milhões para as cidades mineiras e R$ 12 milhões para as quatro cidades capixabas. Esses montantes foram aprovados pelo Comitê Interfederativo, composto por representantes do Poder Público e do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais).

Na opinião do prefeito, o valor é irrisório. Segundo ele, a questão deve ser discutida com mais profundidade, e ser mais criteriosa, pois os danos são ambientais e coletivos, e que por isso requer cautela. Na sua avaliação, se está havendo a proposta é porque a empresa está admitindo as consequências causadas e compreende o tamanho da sua responsabilidade. “O posicionamento da Fundação é uma afronta. É preciso uma análise mais profunda e o diálogo deveria existir”.

Fica a critério de cada município aceitar ou não. E Colatina, que é cortado pelo Rio Doce e depende dele para abastecer a cidade, não aceita. O prefeito se posicionou contrário à oferta feita pela Fundação e disse que jamais aceitaria, pois Colatina continua sofrendo com a tragédia.

Para ele, “Não só como prefeito, mas também como cidadão, porque eu acho que nós estaríamos amenizando o crime ambiental que houve. Eu não quero amenizar, eu quero todos os direitos que o município tem, todos os males que eles causaram ao município terão que ser reparados. Só de eles ofertarem para a gente desistir, eles estão admitindo que cometeram um crime ambiental não só contra Colatina, mas contra o vale do Rio Doce todinho”, completou.

Aproximadamente 32 milhões de metros cúbicos de lama percorreram cerca de 500 quilômetros do Rio Doce. Morreram 19 pessoas e mais de 200 famílias perderam suas casas. Foi considerado o maior crime ambiental da história do Brasil, no ramo da mineração, com prejuízos ambientais, financeiros e sociais incalculáveis.

A Fundação Renova já fez um acordo anterior com as prefeituras das cidades atingidas por meio da Amunes (Associação dos Municípios do Espírito Santo). Colatina será contemplada com 17 projetos ligados à área ambiental.

Fonte Comunicação Prefeitura de Colatina e foto divulgação

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