Entidades reivindicam reabertura de escolas no campo

A Frente Parlamentar em Defesa das Políticas Públicas de Juventude, presidida pelo deputado Sergio Majeski (PSDB), promoveu na quarta-feira (21), no Plenário Dirceu Cardoso, audiência pública para debater o fechamento de escolas, turnos e turmas que, segundo os depoimentos, vem ocorrendo em várias regiões do estado. O objetivo foi mensurar o impacto dessas medidas na formação da juventude em idade escolar no Espírito Santo, sobretudo para os que moram no campo.

Segundo informações do Portal da Transparência do Estado, desde 2014 foram fechadas 41 escolas em 22 municípios, muitas no interior. A representante do Comitê Estadual de Educação no Campo (CEEC) Glorinha Sartori condenou os números. “A existência da escola no meio rural eleva a autoestima da comunidade e evita que o jovem saia do campo, é uma necessidade urgente. É preciso ouvir o povo do campo. A luta pela escola está chegando também na cidade”, disse.

A estudante e diretora da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes-ES), Victoria Almeida, endossou o discurso. “Precisamos de escolas e não de fechamento por ‘falta de demanda’”, avaliou.

O aluno de ensino médio Fábio Silva dos Santos, da Escola Estadual Roberto Christo, disse que acorda às cinco da manhã, caminha dois quilômetros até chegar ao local onde passa o ônibus escolar em Piracema (Afonso Cláudio). A escola fica a 13 km de distância.

O estudante classifica o Estado como negligente, pois não dá ouvidos às comunidades. “Não temos o direito de opinião sobre a decisão de fechar as escolas no campo”, revelou. “A escola de zona rural também forma cidadãos de caráter. Foi na escola de zona rural que aprendi a ler e escrever”, lembrou.

Elaine Pereira, do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), afirmou que crianças do Assentamento 16 de Abril, localizado entre Nova Venécia e Águia Branca, “foram proibidas de frequentar a escola, com o argumento de que a escola está superlotada”.

Ela denunciou que os integrantes do assentamento estão sendo discriminados e as crianças com dificuldades para se matricularem em outras escolas. “Fechar escola é crime social, principalmente na zona rural”, acrescentou o representante do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública (Sindiupes), João Paulo de Faria Cardozo.

Fonte ales e foto Tati Beling

:)