Professor do Ifes alerta para novas exigências do mercado

A Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa retomou os trabalhos legislativos com um debate pertinente: como formar pessoas preparadas para um mercado de trabalho cada vez mais tomado pela tecnologia? Para discutir o tema, o colegiado recebeu o professor do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), Tadeu Pissinati Sant Anna, assessor da reitoria para a implantação de polos de inovação. O encontro aconteceu na terça-feira (20).

“Estamos em uma era que, se não buscarmos conhecimento, seremos cada vez mais excluídos. Enquanto pouco mudou a escola, a indústria vem passando por sucessivas evoluções. Se as máquinas começarem a fazer tudo, vamos fazer o quê?”, questionou o educador. Segundo Pissinati, os empregos não irão acabar, mas as pessoas terão de aprender a trabalhar junto com as máquinas, orientando suas decisões.

Para o professor, as profissões que são voltadas para a criatividade, inovação e empreendedorismo sobreviverão. Os trabalhos serão mais flexíveis, multidisciplinares, menos hierarquizados e mais colaborativos e em ambientes mais inspiradores e experimentais. “Mas para a gente aprender uma nova profissão leva um tempo”, destacou. Por isso, as escolas têm que mudar.

De acordo com o professor, os alunos têm de colocar mais “a mão na massa”, aprender fazendo, assim como os homens pré-históricos aprenderam. “Aprender a matemática, a língua, é fácil. Resolver problemas reais é muito mais difícil”, salientou. As escolas teriam de trabalhar mais as múltiplas inteligências e as habilidades humanas, como a liderança, a motivação, a flexibilidade e a capacidade de adaptação e de trabalhar em equipe.

Espírito Santo

No Estado, o professor informou que o Ifes realiza estudos detalhados para identificar as potencialidades econômicas e faz escolhas educacionais voltadas para o desenvolvimento regional. Quanto ao governo estadual, ele elogiou iniciativas como a do Centro Estadual de Educação Técnica Vasco Coutinho, de Vila Velha.

Entre os cursos ofertados, estão formações em multimídia, produção de moda, programação de jogos e em rádio e TV. “Estamos formando produtores culturais. Será que deixaremos de consumir cinema, por exemplo? Com toda a evolução tecnológica, nós não paramos de consumir o rádio”, exemplificou. 

Tadeu Pissinati também falou sobre a importância da valorização do professor. “Na Finlândia, o único salário mais alto que o do professor é o de primeiro ministro. Os professores têm de ter um conjunto de competências, são as pessoas mais talentosas da sociedade. Se não investirmos nesses talentos, não seremos um país desenvolvido. É uma decisão de política de Estado, não de governo”, destacou.

Lei da inovação

O presidente do colegiado, deputado Esmael Almeida (PMDB), questionou se há algum projeto de legislação no sentido de incentivar a produção científica e tecnológica no Estado. O professor respondeu que, sob a  coordenação da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, segmentos relacionados à área estão elaborando uma minuta de projeto de lei para atualizar a Lei da Inovação (LC 642/2012).

Também participaram da reunião na Assembleia Legislativa a subsecretária da pasta, Camila Dalla Brandão, e o diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado, José Antônio Buffon.

Fonte e foto ales

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