Rompimento de barragem: danos são de R$ 155 bilhões

O valor de R$ 155 bilhões é o que o Ministério Público Federal (MPF) estima de danos decorrentes do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015. A informação foi repassada pelo procurador da República Paulo Henrique Camargos Trazzi que participou na quinta-feira (15) do último dia da Semana Legislativa de Proteção ao Rio Doce, realizada na Assembleia Legislativa.

Um dos palestrantes do evento, Trazzi afirmou ainda que não reconhece a legitimidade da Fundação Renova, responsável pela reparação dos danos ambientais e indenização dos prejudicados pela tragédia.

O convidado informou que o MPF denunciou 21 pessoas e quatro empresas por 12 crimes ambientais. Em um acordo preliminar com a mineradora Samarco foi firmado o valor de R$ 2,2 bilhões para o programa de reparação e uma quantia de R$ 1 bilhão para o custeio de medidas emergenciais. “Já foram ajuizadas 13 ações e abertos 20 procedimentos de investigação contra a Samarco”, disse.

Para quem mora às margens do Rio Doce e depende dele tanto para o sustento como para o consumo de sua água, a preocupação principal é com os níveis de contaminação. “Em Colatina vivemos hoje essa situação porque as pessoas não confiam na água. Quem tem condições compra água e quem não pode acaba se arriscando e bebendo da água que vem do rio”, afirmou o representante do Fórum em Defesa do Rio Doce, Marcos Dias Nunes.

O representante da Associação de Surfistas de Regência, Hauley Valim, não confia nos laudos oferecidos pela Fundação Renova e gostaria que a Samarco custeasse uma análise feita por pesquisadores da confiança dos afetados pela tragédia. “Não acreditamos na Renova, queremos que a Samarco contrate não apenas pesquisadores, mas médicos, engenheiros, arquitetos, ambientalistas, tudo de nossa confiança, para que sejam produzidos laudos confiáveis”, cobrou.

A deputada Eliana Dadalto (PTC) se colocou à disposição das vítimas. “Desde o dia 5 de novembro de 2015 que venho lutando com todos os envolvidos para repararmos essa tragédia. Eu nasci às margens do Rio Doce, quando criança, vi aquele rio caudaloso e hoje estamos vendo ele morto”, lamentou a parlamentar.

Confira alguns números da tragédia conforme MPF:
- 40 milhões m³ de rejeitos de minério despejados no rio;
- 140 mil hectares afetados pela tragédia;
- 3 reservas indígenas atingidas;
- 41 cidades diretamente prejudicadas;
- 14 toneladas de peixes mortos.

Fonte Ales - João Caetano Vargas e Foto: Tati Beling

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