Jogos Escolares do Espírito Santo ajudam a contar histórias de superação e vitórias

Dez mil alunos, 96 equipes, de 38 municípios do Estado, em quatro modalidades coletivas (handebol, basquete, vôlei e futsal), entre masculino e feminino, disputam a etapa final estadual dos Jogos Escolares do Espírito Santo, em Guarapari. Em jogo, muito mais do que vagas para a fase regional, os estudantes esperam chegar até a próxima etapa que acontece em setembro, na cidade catarinense de Joinville.

Para esses atletas, os jogos significam integração entre culturas, costumes e histórias contadas por diferentes personagens. E tem de tudo. De superação de limites, conquistas de recordes pessoais a novas experiências. Lucas Marcelino tem 16 anos e é uma dessas histórias que dá gosto de contar. Ele é levantador do time de voleibol do Colégio Emir Macedo Gomes, de Linhares, no Norte do Estado. Viajou 192 quilômetros para disputar uma vaga na etapa regional, e é um dos primeiros a chegar para treinar e um dos últimos a sair de quadra.

Lucas já integrou times de futebol de campo, futsal, handebol e vôlei de praia, antes de entrar no time de vôlei de quadra. Ele ainda disputa provas de 100 e 400 metros rasos e salto em distância, no atletismo. O detalhe é que ele não possui uma das mãos. Para a professora e treinadora de Lucas, a ex-atleta de vôlei de quadra Kelley Bonicenha, o aluno é muito mais do que um exemplo de superação de limitações.

“Ele é um divisor de águas na minha vida e de outros atletas. Ele me ajuda com outros alunos de projetos sociais, é dedicado aos treinamentos, me ensinou a amar outras modalidades, como o atletismo. Foi por ele que me capacitei, pesquisei e busquei conhecer o que era o paratletismo. O Lucas é comprometimento e doação”, contou a treinadora.

Ainda segundo a treinadora Kelley, não dá nem para usar a palavra limitação com o Lucas, pois segundo o atleta ela nem existe em seu dicionário.

“Não me sinto limitado a nada. Já disputei outras modalidades, amarro meu próprio cadarço, controlo a bola com ambas as mãos, sou levantador, faço movimentos que outros não conseguem fazer em determinados momentos dos jogos, então não tenho limitações”, descreveu com simplicidade.

Quando foi oferecida a oportunidade de usar sua história como exemplo para outros com as mesmas deficiências físicas ele foi receptivo.

“Claro que sim. As pessoas precisam se aceitar, se divertir e superar obstáculos que muitas pessoas acabam impondo a nós e conquistar os objetivos. Foi isso que fiz e estou colhendo os frutos, participando dos Jogos Escolares do Espírito Santo e da etapa nacional das Paralimpíadas Escolares”, comemorou.

Este último resultado, inclusive, sob o treinamento de Kelley, levará o Lucas a São Paulo no final do ano, quando será disputada e etapa nacional das Paralimpíadas Escolares. Lucas e seus companheiros do Colégio Emir Macedo entram em quadra novamente nesta quarta-feira (29), pela segunda rodada da final estadual dos Jogos Escolares do Espírito Santo. O adversário será o Colégio Frederico Boldt, de Santa Maria de Jetibá.

Fonte e foto Assessoria de Comunicação da Sesport Rodolfo Mageste

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