O ano de 2026 começou, mas alguns temas de 2025 seguem presentes, com impactos diretos sobre a dinâmica econômica e política do Espírito Santo e do Brasil. A elevada taxa de juros e a manutenção da política monetária restritiva, a desaceleração da inflação, a valorização cambial do real frente ao dólar e o cenário internacional continuam no centro do debate ao longo do ano.
A projeção de crescimento do PIB nacional é de 2,26% em 2025 e de 1,8% em 2026, segundo o relatório Focus do Banco Central. Já para o Espírito Santo, o OBSERVATÓRIO FINDES projeta crescimento da economia estadual de 3,9% em 2025 e a manutenção da expansão em 2026, com alta de 1,9%.

Fique por dentro dos temas que vão nortear os negócios, a economia e a política local, nacional e global neste ano. . foto Petrobrás
Para você ficar por dentro dos temas que devem nortear os negócios, a economia e a política local, nacional e global, separamos 10 tópicos que não devem sair da pauta. Confira:
1. Trajetória contínua de expansão econômica do ES
As projeções do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), do OBSERVATÓRIO FINDES, indicam crescimento da economia capixaba de 3,9% em 2025 e manutenção da expansão em 2026, com alta de 1,9%. Em 2025, destacaram-se o aumento da produção de minério de ferro, a maior extração de petróleo e gás, o crescimento do consumo no fim de ano, o bom desempenho dos serviços e do comércio e os resultados positivos da agropecuária. Para 2026, o cenário segue sustentado pela continuidade do bom desempenho da indústria e da agropecuária.
Com projeções positivas para 2025 e 2026, o Espírito Santo consolida uma trajetória de avanços, somando quatro taxas anuais positivas consecutivas. Em outras palavras, o Estado caminha para o quarto ano seguido de crescimento econômico.
2. Indústria segue como pilar do crescimento
Questões locais da indústria extrativa, como a expectativa de alcance do volume máximo de produção de petróleo e gás natural pelo navio-plataforma FPSO Maria Quitéria, o início da extração de petróleo pela Prio no campo de Wahoo e a manutenção da produção da Samarco – que, em meados de 2025, atingiu 60% da sua capacidade produtiva – devem contribuir para maior dinamismo da indústria capixaba.
Adicionalmente, atividades industriais mais sensíveis aos ciclos monetários, como a construção e a indústria de transformação, podem apresentar resultados mais positivos com um possível início do ciclo de corte da taxa Selic.
3. Serviços e consumo devem reagir com isenção de IR
A redução da Selic e a isenção do Imposto de Renda (IR) para rendas mensais de até R$ 5 mil tendem a estimular o consumo de bens e serviços, favorecendo o crescimento desses segmentos ao longo do ano.
4. Agropecuária com destaque para o café arábica em 2026
A agropecuária pode surpreender positivamente em 2026, impulsionada principalmente pelo desempenho das lavouras de café, em especial o arábica. Por ser um ano de bienalidade positiva, a cultura tende a registrar aumento da produção. No entanto, é importante considerar que o café conilon atingiu um patamar elevado em 2025, com produção estimada em cerca de 1 milhão de toneladas, configurando uma base de comparação elevada.
5. Eleições 2026

As eleições de 2026 tendem a adicionar volatilidade ao ambiente econômico. Neste ano, serão escolhidos novos representantes para os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.
6. Mercado de trabalho aquecido
O Espírito Santo registrou taxa de desemprego mínima histórica de 2,6% no terceiro trimestre de 2025, sustentando a atividade econômica mesmo em um contexto de juros elevados. No Brasil, a taxa de desocupação está em 5,2%, segundo o IBGE. Apesar dos bons índices de desemprego, empresas seguem 2026 com o desafio de encontrar mão de obra qualificada no mercado de trabalho.
7. Juros altos
O Banco Central manteve a Selic em patamar elevado (15%) para conter a inflação, que desacelerou e chegou a 4,46% em 12 meses até novembro. De acordo com o Boletim Focus, a expectativa é que o ano termine com a Selic em 12,25% e a inflação anual em 4,06%. O cenário de juros altos tende a limitar novos projetos e reduzir a capacidade de investimento em alguns segmentos.
8. Câmbio mais favorável
O câmbio iniciou 2025 em patamar depreciado, com o dólar na faixa de R$ 5,80. Ao longo do ano, o enfraquecimento da moeda norte-americana no mercado externo e o aumento da sua disponibilidade na economia brasileira – impulsionados pelos juros elevados e pela entrada de investimentos estrangeiros – permitiram uma apreciação do real para a faixa de R$ 5,40.
9. Riscos externos no radar
Os riscos associados ao cenário internacional, ainda marcado por incertezas, entre elas os conflitos internacionais e as implicações de uma postura mais agressiva dos EUA, entram no radar e podem afetar a economia. Unem-se a eles a possível redução da demanda chinesa, diante das expectativas de menor crescimento da economia do país.
10. Cotação do barril de petróleo
Até o final de 2025, esperava-se pela manutenção das cotações das commodities em patamares mais baixos, sobretudo do petróleo, cuja média projetada recua de US$ 68/barril em 2025 para US$ 60/barril em 2026. Entretanto, diversos focos de tensão associados ao petróleo permanecem ativos, com destaque para a Venezuela, o Oriente Médio e corredores marítimos estratégicos. Mesmo com o mercado operando em leve excesso de oferta, esses fatores elevam a incerteza e o prêmio de risco geopolítico, deixando o preço da commodity mais sensível a choques caso esses riscos se intensifiquem.
Por Siumara Gonçalves, com informações do OBSERVATÓRIO FINDES