A Pega no Samba abriu o Carnaval de Vitória, na noite desta sexta-feira (6), no Sambão do Povo, levando alegria, emoção e forte mensagem cultural para a avenida. A escola contagiou o público, que acompanhou com entusiasmo cada ala e cantou junto o samba-enredo nas arquibancadas, camarotes e por toda a pista.
A agremiação transformou sua passagem pela avenida em um momento de celebração, fé e consciência cultural, marcando o início do Carnaval 2026 com entusiasmo e reafirmando a importância do evento para a identidade, cultura e a memória do povo capixaba.

A entrega da chave da cidade pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, para a Família Real do Carnaval de Vitória 2026. foto: Kayo Dalvi.
om o enredo “Caboclo Sete Flechas”, apresentou uma narrativa marcada pela espiritualidade, pela valorização das culturas afroindígenas e pela defesa da natureza.
As cores da escola, o azul, o branco e o vermelho, simbolizam a alegria, a diversidade e o pertencimento da comunidade que sustenta a escola, reforçando o vínculo entre o território e o espetáculo apresentado na avenida.
A figura do Caboclo, entidade das religiões afro-indígenas, ganhou vida em alas e carros alegóricos deslumbrantes. Rios, florestas, animais e a força dos povos originários foram representados com coreografias vibrantes e alegorias que misturavam tecnologia e arte manual.
A bateria, afinada e poderosa, parecia traduzir em som o estremecer da mata e os cantos dos guardiões, descritos no samba. A bateria animada fez o público levantar.

Sabedoria
Figura emblemática dessas tradições, o Caboclo Sete Flechas foi retratado como símbolo da sabedoria da mata, da força dos povos originários e do equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente, conduzindo o desfile com mensagens de proteção, cura e respeito às tradições ancestrais.
A natureza foi elemento central da apresentação. Alegorias e fantasias deram forma a rios, florestas, ventos e animais, apresentados como morada dos encantados e extensão do próprio Caboclo.
O samba-enredo reforçou essa conexão ao destacar versos como “A fauna e a flora em plena harmonia” e “Nos quatro elementos naturais, a sabedoria dos antigos ancestrais”, ecoando pela avenida e sendo cantados com força pelo público.
Matriz
A empolgação foi visível desde o início do desfile. Refrões como “Okê, Caboclo, okê!” e “Ele é o rei da mata, é o dono do congá” foram entoados em coro nas arquibancadas, criando um clima de celebração coletiva.
As religiões de matriz africana e afroindígena tiveram papel de destaque, reafirmando o carnaval como espaço de axé, diversidade cultural e manifestação da fé popular. Culturas, tradições e práticas originárias da África, trazidas para o Brasil pelos africanos escravizados, com destaque na passarela.
O canto, a dança, o toque dos tambores e a força coletiva transformaram a apresentação em um grande ritual simbólico, reforçando o Sambão do Povo como território legítimo de expressão cultural e religiosa.
A figura do Caboclo, entidade das religiões afro-indígenas, ganhou vida em alas e carros alegóricos deslumbrantes. Rios, florestas, animais e a força dos povos originários foram representados com coreografias vibrantes e alegorias que misturavam tecnologia e arte manual. A bateria, afinada e poderosa, parecia traduzir em som o estremecer da mata e os cantos dos guardiões, descritos no samba.
Imperatriz do Forte encerra a sexta-feira de desfiles com celebração da cultura negra
A Imperatriz do Forte foi a responsável por fechar a noite de sexta-feira dos desfiles do Carnaval 2026, no Sambão do Povo, levando à avenida um espetáculo marcado por emoção, beleza plástica e forte conexão com as raízes afro-brasileiras.
As cores verde e rosa, inspiradas na tradição da Estação Primeira de Mangueira, deram identidade visual ao desfile e reforçaram a ligação simbólica da escola com a história do samba.
O samba-enredo, um verdadeiro hino de firmeza e pertencimento, rapidamente foi adotado pelo público. Ao soar o refrão “Xirê, é noite de Xirê!”, um coro tomou conta do Sambão. A bateria, batendo forte como um coração coletivo, tinha a cadência precisa e envolvente do atabaque no terreiro.

Ancestralidade e celebração
Neste carnaval, a Imperatriz do Forte apresentou o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”, que propôs uma abordagem estética e narrativa voltada à valorização da ancestralidade africana e afro-brasileira. Em vez de destacar imagens de dor e violência, o desfile exaltou o xirê e a roda como expressões do sagrado em movimento, espaços de memória, saber e resistência, reafirmando a cultura negra como força viva da identidade brasileira.
O samba-enredo conduziu a narrativa com versos que celebraram a fé, os rituais e a força coletiva, enquanto alas coreografadas e alegorias simbolizaram a diversidade dos povos africanos e a potência de suas tradições. A avenida se transformou em um grande espaço de celebração, onde espiritualidade, cultura e espetáculo caminharam juntos.
Emoção
Essa é a força e o desejo que move a Imperatriz do Forte: a potência de uma escola de bairro, profundamente enraizada em sua comunidade, que almeja não apenas um título, mas o reconhecimento da beleza e da importância de sua narrativa.
Com uma trajetória marcada pela superação, a Imperatriz do Forte levou à avenida o sonho e a determinação de uma escola mais humilde, que aposta na força da comunidade, na criatividade e no amor ao samba para buscar seu espaço e brilhar na disputa.
Ao encerrar a noite de sexta-feira, a escola deixou uma mensagem de resistência, pertencimento e esperança, consolidando sua presença como uma das agremiações mais simbólicas do Carnaval de Vitória.
Com a energia que tomou conta do Sambão do Povo, os desfiles seguirão neste sábado (7). A expectativa é que seja mais uma noite de arquibancadas cheias, muita música, cores, criatividade e a empolgação que já marca esta edição da festa, reafirmando o Sambão do Povo como palco da celebração, da cultura e da alegria do carnaval do Espírito Santo.