Governo do Rio realiza maior operação policial da história e apreende quase 100 fuzis em um único dia nos complexos do Alemão e da Penha

Governo do Rio realiza maior operação policial da história e apreende quase 100 fuzis em um único dia nos complexos do Alemão e da Penha

As forças de segurança do Governo do Estado do Rio de Janeiro prenderam 81 criminosos, entre eles um dos líderes conhecido como ‘Belão’, e apreenderam 93 fuzis na Operação Contenção, realizada, nesta terça-feira (28/10), nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio. Após receber um relatório de Inteligência da Polícia Civil, em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária, o governador Cláudio Castro decidiu solicitar ao Governo Federal dez vagas para a transferência imediata de lideranças criminosas para presídios federais.

– Estamos enfrentando o crime com rigor, dentro da lei, e quem continuar comandando ações criminosas de dentro das cadeias vai ser isolado e responsabilizado. O Rio de Janeiro não vai tolerar conivência nem complacência com o crime – disse o governador.

A ação conjunta, considerada a maior da história do Rio de Janeiro, mobilizou 2.500 policiais civis e militares, com a participação do Ministério Público, e teve como objetivo cumprir mandados de prisão e conter a expansão territorial do Comando Vermelho. Durante a ação houve intenso tiroteio e quatro policiais foram mortos. 

A Operação Contenção é resultado de mais de um ano de investigação conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), nos complexos do Alemão e da Penha, que reúnem 26 comunidades. Durante todo o dia foram registrados diversos confrontos principalmente na área de mata, e 60 criminosos, que reagiram à ação policial, morreram. Mais de meia tonelada de drogas foi apreendida.

– A reação dos criminosos mostra que estamos no caminho certo. O Estado não vai recuar até prender as principais lideranças e devolver a tranquilidade à população. As forças de segurança continuam nas ruas, garantindo a volta para casa e a normalidade da vida dos cidadãos. Nosso compromisso é com a segurança da população e com o enfrentamento das lideranças criminosas – afirmou Castro.

Cumprindo medidas determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da ADPF 635, os agentes utilizaram câmeras corporais portáteis. Além disso, ambulâncias do Grupamento de Salvamento e Resgate, da PM, deram apoio à operação, que também contou com duas aeronaves, drones e 32 veículos blindados. 

O secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, reforçou a importância da ação em uma área territorial extensa.

– Estamos falando de uma região com cerca de 9 milhões de metros quadrados, o que corresponde a dois bairros de Copacabana, onde vivem mais de 200 mil pessoas. Essa ação foi fruto de inteligência e de um planejamento cuidadoso para garantir resultados efetivos.

Já o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, destacou a importância da inteligência nesse tipo de operação.

– O fato de termos tantos focos de confronto mostra a precisão das informações de inteligência que apuramos. Quanto mais inteligência, mais resistência e chance de confronto. Os ataques ordenados da facção criminosa mostram uma tentativa covarde e desesperada de tirar o foco da polícia. Nossas equipes agiram de forma estratégica para capturar ou neutralizar narcoterroristas que tiram a liberdade e a tranquilidade da população – enfatizou o secretário Felipe Curi.

O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, enfatizou a presença ostensiva da corporação e a grande quantidade de fuzis apreendidos:

– Empregamos força máxima nesta operação e o alto poder de fogo dos criminosos confirma a dificuldade que nossa tropa tem de avançar nesses terrenos com intensos confrontos. Somente nesta operação foram quase 100 fuzis retirados de circulação. Essas armas de guerra são usadas contra os policiais e também contra a população – disse o secretário da PM. 

Participaram da operação policiais do Comando de Operações Especiais (COE), de unidades operacionais da Polícia Militar da capital e da Região Metropolitana, além de agentes da CORE, do Departamento de Combate à Lavagem de Dinheiro e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil. A Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) reforçou a vistoria nos presídios com lideranças do Comando Vermelho e apreendeu celulares e drogas. E também monitora 30 presos que violaram o sistema de tornozeleira eletrônica na região da operação. A Vara de Execuções Penais (VEP) vai expedir mandados de prisão para todos. Fonte e foto Governo do Rio Janeiro

Recurso de Bolsonaro será julgado em plenário virtual em novembro

Recurso de Bolsonaro será julgado em plenário virtual em novembro

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar, de modo virtual, entre os dias 7 e 14 de novembro, o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a decisão que o condenou a 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia

Na mesma sessão virtual deverão ser julgados os recursos de outros seis réus, todos antigos aliados do ex-presidente e que foram considerados o núcleo principal de uma tentativa de golpe de Estado que tentou manter Bolsonaro no poder mesmo após derrota eleitoral em 2022. 

A ação penal na qual todos foram condenados entrou na pauta de julgamentos nesta terça-feira (28), um após ter se encerrado o prazo para apresentação dos recursos

Dentre os condenados, apenas não recorreu: o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator da trama golpistaPela sentença, ele manteve os benefícios da delação premiada, recebendo uma pena mais branda de dois anos, e por isso não deve ser preso em regime fechado. 

Em recurso apresentado na segunda (27), os advogados de Bolsonaro disseram ter havido cerceamento de defesa no julgamento. Entre outros ponto, um dos motivos foi não o curto espaço de tempo dado aos réus para a análise de uma quantidade imensa de informações anexadas ao processo pela Polícia Federal (PF), que somaria mais de 70 terabytes de dados. 

“A defesa não pôde sequer acessar a integralidade da prova antes do encerramento da instrução; não teve tempo mínimo para conhecer essa prova”, diz o embargo de declaração assinado pela equipe de defesa de Bolsonaro, que é liderada pelos criminalistas Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno. 

Os demais réus que também apresentaram recurso sustentaram argumentos semelhantes. A defesa do general Walter Braga Netto – ex-ministro da Casa Civil e da Defesa e vice na chapa de Bolsonaro em 2022 -, por exemplo, acusou o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, de parcialidade, além do cerceamento de defesa. 

Embargos

Pelas regras processuais e o regimento interno do Supremo, não cabem recursos ao plenário após condenação por alguma das duas turmas do tribunal

Além disso, as normas também preveem que, no caso do núcleo central da trama golpista, o embargo de declaração é o último recurso cabível antes do trânsito em julgado da ação penal, isto é, antes que possa ser determinado o início do cumprimento da sentença. 

O embargo de declaração é um tipo de recurso voltado a sanar o que seriam, na visão das defesas, ambiguidades, omissões, contradições e obscuridades no texto do acórdão (decisão colegiada). 

Em tese, esse tipo de recurso não produz efeitos para reverter o resultado do julgamento, embora seja comum que as defesas redijam o recurso de uma forma que, caso for concedido o esclarecimento pedido e sanada a suposta obscuridade, o resultado do julgamento acabe sendo revertido, no chamado “efeito infringente”

Prisão

Somente após o julgamento dos embargos de declaração, portanto, que Moraes poderá determinar o eventual início do cumprimento de pena por Bolsonaro. Pelo tamanho da pena, a legislação determina regime inicial fechado

Contudo, há exceções, como nos casos em que não há unidade prisional capaz de prover os cuidados necessários para alguma enfermidade do condenado. Nessa hipótese, o juiz pode determinar a prisão domiciliar por motivos humanitários. 

Por ser ex-presidente, Bolsonaro tem direito ainda a ficar numa sala especial, que poderia ser, por exemplo, em alguma instalação da Polícia Federal (PF). Por ser membro reformado do Exército, ele também pode ficar em alguma instalação militar

Quem vota? 

No recurso, a defesa de Bolsonaro citou diversas vezes o voto do ministro Luiz Fux, único a votar pela absolvição de todos os réus. Os advogados destacaram em especial a parte em que o ministro diz que o ex-presidente não poderia ser condenado por “cogitar” a prática de crime, e que mesmo que tenha pensado em dar um golpe, acabou “desistindo”. 

Não está ainda claro, contudo, se Fux votará no julgamento do recurso. Isso porque o ministro pediu transferência para a Segunda Turma, que ficou com uma vaga aberta após a aposentadoria precoce do ministro Luís Roberto Barroso

Ao pedir a transferência, depois de ficar isolado no caso do golpe, Fux manifestou a vontade de continuar a participar dos julgamentos da trama golpista. Não há, contudo, regra clara a respeito da situação, que ainda deverá ser resolvida pelo Supremo e seu presidente, o ministro Edson Fachin. fonte agência brasil

Marcos Do Val comanda o Pro-Seg: O Maior Programa de Segurança Pública Integrada e Tecnológica para os 78 Municípios do Espírito Santo

Marcos Do Val comanda o Pro-Seg: O Maior Programa de Segurança Pública Integrada e Tecnológica para os 78 Municípios do Espírito Santo

O Senador Marcos Do Val está à frente do Pro-Seg, o maior programa de segurança pública integrada e tecnológica já desenvolvido para o Espírito Santo. O plano representa um marco para os 78 municípios capixabas, com foco em fortalecer as estruturas locais e modernizar a atuação das forças de segurança.

O Pro-Seg é um plano técnico e estruturante, desenhado para integrar e equipar de forma coordenada os municípios capixabas, garantindo mais eficiência, inteligência e resposta rápida às demandas da população.

A concepção do programa é baseada na experiência de quase três décadas do senador como instrutor de forças de elite — incluindo a SWAT — e na escuta ativa das lideranças municipais e regionais, que ajudaram a moldar um modelo de segurança adaptado à realidade do Estado.

“O Pro-Seg é uma política pública estruturante que transforma a segurança do Espírito Santo, levando recursos e tecnologia de ponta para onde a população mais precisa: o município. Com este programa, cada cidade tem a garantia de uma segurança mais efetiva, inteligente e coordenada, respeitando a autonomia e as particularidades regionais. O interior não estará mais sozinho”, destaca o senador Marcos Do Val.

A primeira fase do Pro-Seg conta com um investimento de R$ 15 milhões e tem como foco o fornecimento de equipamentos e viaturas voltados à modernização das Guardas Municipais e ao fortalecimento das estruturas de segurança nas cidades capixabas. Essa etapa inicial representa um salto tecnológico e operacional para os municípios, permitindo mais agilidade, integração e capacidade de resposta no enfrentamento à criminalidade.

O plano prevê ainda a reestruturação de efetivos, com concurso público para 750 novos agentes, que passarão por 1.000 horas de treinamento especializado de alto nível.

O grande diferencial do Pro-Seg está em sua arquitetura de inteligência. A segunda etapa implementará um sistema integrado de vigilância com 1.600 câmeras inteligentes, capazes de realizar reconhecimento facial e leitura automática de placas (OCR). Todos os dados serão processados em uma Central de Monitoramento com Inteligência Artificial (IA), interligando os 78 municípios por meio dos seis consórcios intermunicipais (CIMs) — Noroeste, Sul, Pedra Azul, Expandida Sul, Polinorte e Norte.

Essa integração inédita permitirá antecipar ocorrências, identificar movimentações suspeitas e otimizar a prevenção criminal em todo o território capixaba, criando uma Rede Coordenada de Segurança entre as esferas municipal, estadual e federal.

Ao comandar a execução do Pro-Seg, o senador Marcos Do Val imprime sua marca de planejamento estratégico, tecnologia de elite e ação coordenada, transformando a segurança pública capixaba em um novo modelo de eficiência e proteção para todos os cidadãos. Fonte e foto Humberto Gomes

Governo do ES assina ordem de serviço para asfaltamento da ES-442 e encurta ligação entre Colatina e Linhares

Governo do ES assina ordem de serviço para asfaltamento da ES-442 e encurta ligação entre Colatina e Linhares

O Governo do Estado e as prefeituras de Colatina e Linhares assinaram, neste sábado (25), a ordem de serviço para o asfaltamento da Rodovia ES-442, que vai ligar a BR-101 (próximo à WEG, em Linhares) ao Porto Seco de Colatina, passando pela região de Lagoa do Limão, na margem sul do Rio Doce. A obra representa um avanço logístico, econômico e social para o interior capixaba e atende a uma demanda histórica de produtores rurais e comunidades da região.

“Essa é uma obra que traz dignidade para o homem do campo e fortalece o turismo e a economia da nossa região. Colatina agradece ao Governo do Estado por atender este pedido antigo, porque investir no interior é investir em quem produz”, afirmou o prefeito Renzo Vasconcelos.

Para o governador, a rodovia representa uma ligação estratégica entre dois importantes polos do Espírito Santo:

“Estamos conectando dois polos empresariais importantes do Estado. Essa estrada tem um impacto enorme no desenvolvimento, na agricultura e no turismo. Nosso compromisso é colocar o Espírito Santo sempre em primeiro lugar”, afirmou.

A pavimentação da ES-442 vai criar um novo corredor entre Colatina e Linhares, encurtando o deslocamento e facilitando o escoamento da produção rural. O investimento é de mais de R$ 157 milhões, com execução do Governo do Estado por meio do DER-ES.

“Esse investimento fortalece a economia de Colatina e Linhares. É uma estrada que reduz distâncias e leva infraestrutura para onde se gera riqueza: no interior”, destacou o diretor do DER-ES, José Eustáquio de Freitas.

A obra vai além da pavimentação. Estão previstas intervenções de:

  • drenagem pluvial,
  • sinalização horizontal e vertical,
  • contenção de encostas,
  • barreiras para evitar assoreamento,
  • revegetação de áreas atingidas pelos aterros,
  • passagens aéreas e subterrâneas para a fauna silvestre.

FONTE E FOTO Secretaria Municipal de Assuntos Institucionais e Comunicação Social

Itaguaçu adere ao Programa ES Inteligente

Itaguaçu adere ao Programa ES Inteligente

Nesta terça-feira (28), o município de Itaguaçu, na região Serrana, aderiu e assinou o acordo de cooperação técnica do Programa ES Inteligente, firmando a parceria com o Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes) e o Instituto de Planejamento e Gestão das Cidades (IPGC) para estruturar uma Parceria Público-Privada (PPP) que forneça Iluminação Pública, miniusinas solares e Infraestrutura de Telecomunicações. A partir deste acordo, a cidade se junta às outras 27 que já estão com o processo em andamento para ampliar a infraestrutura e a qualidade da gestão pública.

O prefeito de Itaguaçu, Darly Dettmann destacou a relevância deste projeto para a cidade e seus munícipes. “Este é um projeto inovador que trará tecnologia, sustentabilidade (como energia limpa), videomonitoramento para melhorar a segurança pública, além de uma série de benefícios que o Bandes está trazendo para o nosso município, por meio do governo do Estado”, disse.

Além do gestor municipal, o delegado titular, Renan Alves dos Santos, complementa: “De fato, o Programa (Cidades Inteligentes) é importante para a segurança pública, tendo em vista que há sinergia de ferramentas importantes, como o circuito de videomonitoramento e iluminação inteligente, mas também há aspectos sociais que merecem ser ressaltados, como a inclusão digital e aumento de oportunidades que isso gera, sobretudo para jovens”, declarou.

O Bandes e o IPGC, como os responsáveis pela estruturação, coordenação e operacionalização do projeto, respectivamente, afirmam que, em breve, darão início aos primeiros estudos de viabilidade. Os estudos de viabilidade são o ponto de partida para transformar as diretrizes do programa em ações concretas ao estimar os investimentos por parte do futuro parceiro privado (CAPEX) e do próprio município, além de garantir que cada projeto avance de forma eficiente e sustentável.

“É nesse momento que identificamos as reais necessidades do município, as oportunidades de investimento e o potencial de retorno para a população. No caso de Itaguaçu, esses estudos vão permitir alinhar o projeto à vocação econômica local, garantindo soluções sob medida em iluminação, energia limpa e conectividade. Essa é a base para que as futuras parcerias privadas sejam sólidas e tragam benefícios duradouros à cidade”, afirma o diretor de Negócios do Bandes, Marcos Kneip.
Entenda o programa
O ES Inteligente é um programa voltado para o desenvolvimento de produtos públicos de qualidade à população, por meio de concessões e da estruturação de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Os pacotes de serviços oferecidos contribuem diretamente para promover mais segurança e bem-estar aos cidadãos, com iniciativas de inclusão digital, como o Wi-Fi público, e ações voltadas à sustentabilidade, por meio da geração de energia limpa.

Com a adesão de 28 municípios capixabas, a modelagem de soluções integradas, que contempla cidades inteligentes, com iluminação pública, usina solar fotovoltaica e telecomunicações, além do saneamento focado em resíduos sólidos urbanos, tem gerado impacto significativo na qualidade de vida da população. O programa já abrange mais de 35% dos municípios do Estado, alcançando cerca de 1,8 milhão de habitantes, o que representa aproximadamente 40% da população capixaba.

“O apoio do Bandes permite que também municípios menores, como Itaguaçu, avancem em projetos estruturantes e sustentáveis. Com o ES Inteligente, unimos planejamento técnico e visão de futuro para promover desenvolvimento, energia limpa e conectividade para a população”, declara o coordenador do Núcleo de Gestão de Concessões e Parcerias, Vilker Zucolotto.

Bolsonaro tem até esta segunda para recorrer de condenação no STF

Bolsonaro tem até esta segunda para recorrer de condenação no STF

O prazo para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recorrer da condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF) termina nesta segunda-feira (27). Os advogados têm até as 23h59 para apresentar os embargos de declaração, recurso que busca esclarecer eventuais contradições, omissões ou erros no acórdão publicado na semana passada.

O mesmo prazo vale para os outros sete réus do chamado Núcleo 1 da trama golpista, considerados os principais articuladores dos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

Embora comuns nesse tipo de processo, os embargos de declaração não têm poder de reverter as condenações, servindo apenas para ajustes formais ou pedidos de esclarecimento. Após a análise desses recursos, que será feita pela Primeira Turma do STF, o tribunal poderá declarar o trânsito em julgado, etapa em que as decisões se tornam definitivas, e as penas passam a ser executadas.

Condenação

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado, pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, atentado contra o Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, da qual foi apontado como líder, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

A defesa de Bolsonaro deve insistir na tese de que os crimes de tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito deveriam ser considerados como um único delito, o que reduziria a pena. A maioria dos ministros, no entanto, já rejeitou esse argumento durante o julgamento. Desde agosto, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

Próximos passos

Os recursos apresentados serão julgados em plenário virtual pela Primeira Turma, composta pelos ministros Flávio Dino (presidente), Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso.

Se os embargos forem rejeitados, caberá novo recurso, mas, caso o Supremo entenda que não há mais medidas possíveis, o processo será considerado encerrado. A partir daí, o tribunal deve definir o regime e o local de cumprimento de pena dos condenados.

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, é o único réu que pode não apresentar recurso. Condenado a dois anos em regime aberto, ele já cumpriu período superior em medidas cautelares e poderá ser considerado com a pena extinta.

Confira a lista dos condenados do núcleo central da trama golpista:

  • Jair Messias Bolsonaro – ex-presidente da República, condenado a 27 anos e três meses de prisão;
  • Walter Braga Netto – general da reserva e ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, condenado a 26 anos;
  • Augusto Heleno – general da reserva e ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), condenado a 21 anos;
  • Almir Garnier – almirante e ex-comandante da Marinha, condenado a 24 anos;
  • Paulo Sérgio Nogueira – general e ex-ministro da Defesa, condenado a 19 anos;
  • Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF, condenado a 24 anos;
  • Alexandre Ramagem – deputado federal e ex-diretor da Abin, condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão;
  • Mauro Cid – tenente-coronel e ex-ajudante de ordens, condenado a dois anos em regime aberto.

fonte WELLTON MÁXIMO – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti é eleito presidente do TCE-ES para o biênio 2026-2027

Conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti é eleito presidente do TCE-ES para o biênio 2026-2027

O conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti foi eleito presidente do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) para o biênio 2026-2027. A eleição foi realizada na sessão plenária na última terça-feira, dia 21. A votação de todos os membros da nova mesa diretora aconteceu de forma unânime.

Logo após a eleição, o presidente eleito agradeceu a confiança dos pares. “Recebo com profunda gratidão e senso de responsabilidade a missão que hoje me é confiada. Agradeço meus pares pela confiança expressa no voto e palavras generosas que acompanham essa eleição”, disse.

“Vejo neste gesto não apenas o reconhecimento pessoal, mas o compromisso coletivo com o fortalecimento da nossa instituição. Sei que nenhum resultado é fruto de um esforço individual e, por isso, começo esse novo ciclo na certeza de que caminharemos juntos”, acrescentou.

O conselheiro Davi Diniz foi eleito o vice-presidente para o biênio e estará ao lado de Ciciliotti na gestão do Tribunal. “Parabenizo o presidente Taufner pela condução deste biênio. Ainda teremos mais dois meses de gestão, mas desde já registro meu apreço”, comentou.

“Desejo sucesso ao conselheiro Ciciliotti e que seja um biênio produtivo, de muito e intenso trabalho e que a gente consiga manter o Tribunal nesse nível mais elevado de referência nacional. Obrigado a todos pelo carinho e prometo honrar cada voto e estar sempre leal e firme às convicções do nosso tribunal”, concluiu.

A mesa diretora será composta pelos conselheiros Domingos Taufner, na função de corregedor; Carlos Ranna, reconduzido ao cargo de ouvidor; e Rodrigo Chamoun, reeleito para seguir à frente da Escola de Contas Públicas.

Pronunciamentos

Domingos Taufner

Faço uma saudação especial ao conselheiro Luiz Carlos Ciciliotti. Sua eleição é motivo de satisfação e confiança para todos nós que compomos esta corte. Ao longo dos anos, vossa excelência tem demonstrado, com serenidade e competência, todas as qualidades necessárias para conduzir o TCE. Conhece o funcionamento institucional, valoriza o diálogo e tem sensibilidade para ouvir decidir com equilíbrio – características essenciais para quem assume a responsabilidade de liderar esta casa.

Carlos Ranna

Parabéns aos conselheiros Luiz Carlos Ciciliotti e Davi Diniz. Tenho certeza que conduzirão com tranquilidade, serenidade e muito profissionalismo a gestão 2026-2027. Ciciliotti é uma pessoa agregadora, comprometida com o interesse público e tenho certeza que será uma gestão muito profícua, voltada para os interesses do cidadão, com responsabilidade social e terá ao seu lado um jovem conselheiro. Experiência com dinamismo, tenho certeza que já é uma dupla vencedora. Contem com o apoio de todos os demais pares. Estaremos juntos para que o Tribunal brilhe ainda mais.

Sérgio Aboudib

Quero parabenizar o conselheiro Domingos pelo mandato que está se encerrando, que tem sido um belíssimo mandato, e desejar ao Ciciliotti muito sucesso, tenho certeza que será uma ótima gestão.

Rodrigo Chamoun

Hoje, falamos do conselheiro que foi escolhido por seus pares para presidir essa corte de Contas, um reconhecimento que transcende currículos, é expressão direta da confiança. Na ocasião da posse de Ciciliotti, afirmei que o conselheiro preenchia todos os requisitos constitucionais exigidos para o cargo, e de forma simbólica, acrescentei que sua trajetória comprovava um outro notório: o fazer. Hoje acrescento o notório liderar. Não basta conhecer, fazer, é preciso conduzir.
E conduzir exige mais do que liderança: exige escuta, equilíbrio, visão de longo prazo, compromisso com algo maior do que nós: a história.

Temos total confiança de que os conselheiros conduzirão essa casa com equilíbrio, sabedoria e espírito público. O futuro presidente Ciciliotti e o vice Davi contarão com a experiência dos demais conselheiros, e de quatro ex-presidentes, que atuaram nesse período muito forte de virada. A tocha da liderança muda de mãos, mas o fogo permanece aceso. Neste tribunal, o bastão nunca cai. Presidente Domingos, ao passar o bastão, o senhor deixa mais do que uma gestão, deixa um legado.

Márcia Jaccoud Freitas

Parabenizo todos os eleitos nesta tarde para o biênio 2026-2027 e desejo muito sucesso nas atividades para as quais foram eleitos.

Marco Antônio da Silva

Quero registrar o belo trabalho realizado pela mesa diretora atual, e parabenizar o conselheiro Ciciliotti por esse belo ser humano que é, e com certeza será um excelente gestor. Quero também parabenizar o conselheiro Davi Diniz e desejar sucesso.

Donato Volkers Moutinho

Vou me associar às palavras de todos para parabenizar os eleitos, especialmente o conselheiro Ciciliotti por alcançar a presidência do Tribunal a partir de janeiro. Sabendo que, certamente, realizará um trabalho excelente desejando sucesso a ele e a todos os demais eleitos e me colocando, assim como nossos colegas substitutos, à disposição para que o Tribunal continue avançando no caminho de mais efetividade para o Controle Externo em benefício da sociedade capixaba.

Os eleitos

Presidente: Luiz Carlos Ciciliotti

Luiz Carlos Ciciliotti é conselheiro desde 2019.

Possui graduação como Farmacêutico Bioquímica e é pós-graduado em Auditoria em Saúde. Foi diretor Administrativo e Financeiro do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes), secretário Chefe da Casa Civil, secretário de Estado da Saúde e subsecretário Estadual de Ciência e Tecnologia. Também coordenou a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) no Espírito Santo. É o vice-presidente do TCE-ES no biênio 2024-2025.

Compete ao presidente, por exemplo, dirigir o Tribunal e seus serviços auxiliares; dirigir as sessões plenárias, observando e fazendo cumprir as normas legais e regimentais; dar posse aos conselheiros, conselheiros substitutos, procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal e servidores do Tribunal; entre outras atribuições.

Vice-presidente: Davi Diniz de Carvalho

Davi Diniz é conselheiro desde 2024.

É formado em Geografia e Administração de Empresas, com especialização em Gestão Pública e Contábil, Administração Pública, Planejamento e Gestão Governamental. Em 16 anos na vida pública, atuou em diferentes cargos e esferas de poder. Foi diretor-presidente do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf); secretário de Estado de Economia e Planejamento e chefe da Casa Civil; além de secretário de Administração e Fazenda na Prefeitura de Vitória.

Ao vice-presidente cabe substituir o presidente, em seus impedimentos, ausências, férias ou outro afastamento legal; auxiliar o Presidente, sempre que por ele convocado; e exercer outras atribuições previstas no Regimento.

Corregedor: Domingos Taufner

Domingos Taufner é conselheiro desde 2011.

Foi presidente do Tribunal no biênio 2014-2015 e é o atual presidente, neste biênio 2024-2025.

É pós-graduado em Direito Tributário e mestre em Direitos e Garantias Fundamentais. Ingressou no Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo em março de 2010 como procurador do Ministério Público de Contas.

Cabe ao corregedor exercer atividade correcional relacionada à apuração de possíveis irregularidades cometidas por servidores do Tribunal. Examinar e relatar os processos administrativos referentes a deveres dos Conselheiros, Conselheiros Substitutos e servidores do Tribunal; propor atos para disciplinar os procedimentos a serem observados quando das correições e inspeções; entre outras funções.

Diretor da Escola de Contas: Rodrigo Chamoun

Rodrigo Chamoun é conselheiro desde 2012.

Foi presidente do Tribunal por dois biênios (2020-2021 e 2022-2023).

É Mestre em Administração Pública. Chamoun foi diretor da Codesa, vice-prefeito de Guarapari, secretário de Estado e deputado estadual, tendo presidido a Assembleia Legislativa em 2011 e 2012.

Foi reeleito neste biênio e seguirá coordenando as atividades da Escola de Contas Públicas Mariazinha Vellozo Lucas, responsável por promover ações de capacitação e desenvolvimento profissional dos servidores, Conselheiros Substitutos, Procuradores do Ministério Público junto ao Tribunal e Conselheiros, bem como difundir conhecimentos aos gestores públicos, de forma a contribuir para a efetividade do exercício do controle externo.

Ouvidor: Sebastião Carlos Ranna de Macedo

Carlos Ranna é conselheiro desde 2008.

Formado em Direito e pós-graduado em Direito Público. Também cursou Engenharia no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). Ingressou no TCE-ES no cargo de Controlador de Recursos Públicos. Em 2002, assumiu o cargo de auditor do TCE-ES; tomou posse, em 2008, como conselheiro na vaga reservada aos Auditores. Na Corte já atuou como Corregedor, de 2010 a 2011; foi Presidente, de 2012 a 2013; e Ouvidor, de 2018 a 2021. Atualmente, é Ouvidor do TCE-ES e Vice-Presidente de Desenvolvimento de Controle Externo da ATRICON.

Cabe ao ouvidor atender e orientar o público sobre o acesso às informações, receber, instruir e responder manifestações sobre os serviços do Tribunal e notícias de irregularidades, além de coordenar a gestão dos pedidos de acesso à informação e apresentar um relatório anual das atividades.

fonte e foto TCE-ES

MPF recorre para barrar exploração de petróleo na bacia do Amazonas

MPF recorre para barrar exploração de petróleo na bacia do Amazonas

O Ministério Público Federal (MPF) informou nesta sexta-feira (24) que apresentou recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) contra a decisão que manteve o resultado do leilão de blocos exploratórios de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas e a concessão de licença de pesquisa para eventual exploração.

Na última segunda-feira (20), a Petrobras obteve a licença do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para iniciar a operação de pesquisa exploratória na Margem Equatorial.

Segundo o MPF, os leilões que antecederam o processo de autorização para a licença de exploração necessitam do Estudo de Impacto Climático (EIC), a Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS), além da consulta prévia a comunidades indígenas.

“O MPF argumenta que a ausência dos estudos e da consulta na fase pré-licitatória é uma grave ofensa ao ordenamento jurídico e aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil”, afirmou o órgão.

De acordo com a Petrobras, a sonda exploratória se encontra na região do bloco FZA-M-059 e a perfuração está prevista para começar “imediatamente”. O poço fica em águas profundas do Amapá, a 175 quilômetros da costa e a 500 quilômetros da foz do rio Amazonas.

A perfuração dessa fase inicial tem duração estimada em cinco meses, segundo a companhia. Nesse período, a empresa busca obter mais informações geológicas e avaliar se há petróleo e gás na área em escala econômica. “Não há produção de petróleo nessa fase”, frisou a Petrobras em comunicado.  FONTE agência brasil

Governo do ES entrega máquinas e equipamentos para fortalecer a agricultura capixaba

Governo do ES entrega máquinas e equipamentos para fortalecer a agricultura capixaba

O governador do Estado, Renato Casagrande, e o vice-governador Ricardo Ferraço realizaram, nesta sexta-feira (24), a entrega de 47 máquinas e equipamentos agrícolas para 36 municípios capixabas. A solenidade aconteceu no Pavilhão de Carapina, na Serra, com a presença de prefeitos, autoridades e representantes de associações rurais. O investimento total chega a R$ 11,95 milhões, sendo R$ 8,1 milhões oriundos de recursos estaduais e o restante de verbas federais.

“Cada máquina que entregamos hoje representa mais produção, mais renda e melhores condições de trabalho no campo. Essas entregas fortalecem nossos municípios e dão suporte direto aos agricultores e agricultoras capixabas. Com um Estado organizado e parceiro das prefeituras, seguimos investindo para que o desenvolvimento chegue a todas as regiões do Espírito Santo”, afirmou o governador.

Os equipamentos incluem 26 tratores agrícolas, 10 caminhões, quatro retroescavadeiras, duas motoniveladoras, duas pás carregadeiras, duas escavadeiras hidráulicas e um rolo compactador. Esses maquinários serão utilizados na manutenção e conservação de estradas rurais, além de apoiar a produção agrícola e o escoamento da safra.

“Cada máquina entregue representa mais produtividade, mais infraestrutura e mais oportunidades para o meio rural. Estamos promovendo um ciclo de desenvolvimento que une o trabalho dos municípios ao compromisso do Governo do Estado em modernizar a agricultura capixaba. Esses investimentos são fundamentais para garantir mobilidade, acesso e competitividade aos nossos produtores”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergol

O vice-governador Ricardo Ferraço ressaltou a importância da parceria com os municípios na promoção do desenvolvimento em todas as regiões do Espírito Santo: “Um trabalho coletivo para promover crescimento social e econômico. Essas entregas fortalecem nossa agricultura familiar e o trabalho diário das nossas produtoras e produtores. Lá atrás, expandimos o trabalho da Secretaria da Agricultura, incluindo infraestrutura com programas como Caminhos do Campo, de energia e comunicação, além do repasse de máquinas, veículos e equipamentos diversos. Todos contribuem para melhorar o dia a dia das famílias rurais capixabas.”

Municípios contemplados

Os municípios contemplados com as entregas foram: Água Doce do Norte, Águia Branca, Alegre, Alfredo Chaves, Alto Rio Novo, Baixo Guandu, Barra de São Francisco, Bom Jesus do Norte, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, Conceição do Castelo, Divino de São Lourenço, Domingos Martins, Dores do Rio Preto, Ecoporanga, Ibiraçu, Ibitirama, Irupi, Itaguaçu, Itapemirim, Itarana, Iúna, Jaguaré, Jerônimo Monteiro, Mantenópolis, Marataízes, Mimoso do Sul, Muqui, Nova Venécia, Pinheiros, Rio Novo do Sul, Santa Maria de Jetibá, São Mateus, Venda Nova do Imigrante e Vila Velha.

Fotos galeria: Rodrigo Zaca/Governo-ES e Léo Júnior/Vice-Governadoria

Samarco e Vale são multadas em mais de R$ 1,8 bilhão

Samarco e Vale são multadas em mais de R$ 1,8 bilhão

Multa é aplicada por deduzirem impostos da tragédia de Mariana. foto samarco

A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) obteve decisão favorável à União contra o pedido da Samarco Mineração S.A., que deduziu indevidamente do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) valores devidos pela empresa a título de recuperação ambiental e multas ambientais, de 2016 a 2019. 

O colegiado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) seguiu entendimento da PGFN e manteve as autuações no valor de mais de R$ 1,8 bilhão para a Samarco e a Vale, que é acionista da mineradora.

Durante a sustentação no julgamento, o procurador da PGFN Vinícius Campos destacou que, se a decisão favorecesse a mineradora, desvirtuaria o sistema punitivo e administrativo do direito tributário.

Na sua opinião, estaria sendo criado “um sistema contraditório, em que o Estado, ao mesmo tempo em que aplica uma penalidade, aceita que ela use isso como benefício fiscal”, sustentou Vinícius. O procurador completou que, dessa forma, a “União daria estímulo à prática de ilícito”.

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O caso foi julgado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que negou o pedido da mineradora e manteve o valor integral dos autos de infração. A empresa descontou na apuração dos tributos as despesas com reparação ambiental e socioambiental e multas por infrações de natureza não tributária, decorrentes dos gastos envolvendo o rompimento da barragem do Fundão em Mariana, em Minas Gerais, em 2015. 

No recurso, a Samarco alegou que os valores deduzidos são de recuperação e compreendidos como essenciais, pois a sua atividade envolve risco ambiental.  A mineradora considera as despesas operacionais como aquelas necessárias, normais e usuais para o desenvolvimento da atividade. Na normativa, esses gastos são caracterizados como dedutíveis das tributações.

Os valores suprimidos pela Samarco, segundo a defesa da mineradora, decorrem das despesas fixadas em acordos judiciais assinados com municípios, o Ministério Público Federal (MPF), a Defensoria Pública da União (DPU) e outros órgãos da Justiça.

Um deles, o Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC),  definiu a criação da Fundação Renova, inicialmente designada para gerir o processo reparatório da cidade e de indenizações, sendo o principal destino de parte do valor deduzido dos impostos. Outra parte da soma descontada teria sido paga em multas ambientais. 

Em defesa da Fazenda, a PGFN alegou que tais gastos não preenchem os requisitos legais de necessidade, normalidade e usualidade, previstos no artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, tratando-se de sinistro excepcional, e que sua dedutibilidade representaria socialização indevida do risco empresarial.

Após a celebração do Termo de Ajustamento de Conduta, a Vale S. A. foi definida como responsável subsidiária por ser acionista da Samarco. Dessa forma, ela também seria responsável pelos repasses à fundação, usando o mesmo argumento para descontar valores do IRPJ e da CSLL, baseando-se na mesma legislação apresentada no recurso da Samarco ao Carf.

Na tese da PFGN, acolhida pelo colegiado, a Vale é definida como responsável subsidiária, tendo seu pedido de deduzir despesas, negado, assim como a responsável principal (Samarco). De acordo com o Carf, “os repasses não se relacionam com as transações ou operações de suas atividades produtivas”.

Em nota, a Samarco informou que discutirá o assunto nos autos dos processos, que a empresa cumpre rigorosamente o Novo Acordo do Rio Doce e reafirma o compromisso com a reparação”. Ainda cabe recurso no Carf.

Também em nota, a Vale argumentou que as indenizações são despesas obrigatórias e, portanto, dedutíveis. “A Vale considera que a dedução de imposto de renda é aplicável, uma vez que os pagamentos de indenizações e compensações relacionados ao rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, refletem uma despesa obrigatória, decorrente da responsabilidade objetiva de reparação por parte da empresa”.

Entenda o caso

O desastre ocorreu em 5 de novembro de 2015. O rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana, de propriedade da Samarco, resultou em grande volume de lama e detritos, que devastaram o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. A onda de lama deixou 19 mortos, além de dezenas de desabrigados e desaparecidos.

A lama de rejeitos percorreu mais de 600 quilômetros pelo Rio Doce até chegar ao litoral do Espírito Santo, causando um dos maiores desastres ambientais da história do Brasil. O distrito de Bento Rodrigues, que ficava a 25 km do centro de Mariana, foi praticamente destruído pela enxurrada de lama e rejeitos. As matérias da época mostravam imagens aéreas do vilarejo soterrado, com a lama invadindo e arrastando casas e carros.

A avalanche de rejeitos se espalhou por mais de 650 quilômetros pelo Rio Doce e seus afluentes, chegando até o litoral do Espírito Santo. A Samarco, à época, declarou que ainda não era possível determinar a causa ou a extensão do acidente, enquanto moradores eram aconselhados a deixar a região.

As reportagens iniciais noticiavam mortes e desaparecimentos, com a quantidade de vítimas aumentando com o passar dos dias. Posteriormente, o número oficial de mortos foi confirmado em 19 pessoas, além de 600 famílias desabrigadas.

Houve a contaminação do Rio Doce, com os efeitos da lama sobre a vida aquática, com a morte de peixes e a degradação da biodiversidade local. A preocupação com o abastecimento de água potável para cidades ao longo da bacia também foi tema recorrente. 

* Matéria atualizada às 11h20 para acréscimo da nota da Vale.