Setor cafeeiro pode ser forçado a redirecionar produção, diz Cepea/USP

Setor cafeeiro pode ser forçado a redirecionar produção, diz Cepea/USP

Produtores devem mandar parte de sua produção para outros países. foto seag

A partir de 6 de agosto, a exportação do café brasileiro para os Estados Unidos passará a ser taxada em 50%. Enquanto permanece batalhando para ficar de fora da lista de produtos brasileiros que vão ser taxados pelo governo norte-americano, o setor cafeeiro nacional segue marcado por incertezas, informou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo pesquisadores do Cepea, por causa dessa alta taxa, os produtores brasileiros poderão ser forçados a redirecionar parte de sua produção para outros mercados, o que deverá exigir “agilidade logística e estratégia comercial para mitigar os prejuízos à cadeia produtiva nacional”.

Os Estados Unidos são o principal destino das exportações de café do Brasil. Em 2024, eles importaram cerca de 23% de café brasileiro, especialmente da variedade arábica, insumo essencial para a indústria local de torrefação.

A Colômbia representou cerca de 17% do total das importações norte-americanas, enquanto o Vietnã contribuiu com aproximadamente 4%.

Para o Cepea, como os Estados Unidos não produzem café, a elevação do custo de importação deve comprometer a viabilidade de toda a cadeia interna, que envolve torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo.

“O Cepea avalia que a eventual entrada em vigor da tarifa tende a impactar não apenas a competitividade do café nacional, mas também os preços ao consumidor norte-americano e a formulação dos blends tradicionais, que utilizam os grãos brasileiros como base sensorial e de equilíbrio”, diz comunicado do Cepea.


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Tratativas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou, ontem (30), a proposta de taxação de produtos brasileiros comercializados com os EUA. Mas a Ordem Executiva trouxe cerca de 700 exceções, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis.

O café não entrou nessa lista de exceções. Com isso, logo após o anúncio de Trump, o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé) disse que vai seguir em tratativas para que o café seja incluído na lista de produtos brasileiros que vão ficar de fora da taxação. fonte ELAINE PATRICIA CRUZ – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Tarifaço pode afetar 36% das exportações brasileiras, diz Alckmin

Tarifaço pode afetar 36% das exportações brasileiras, diz Alckmin

Governo prepara plano para amparar setores e garantir empregos, foto findes

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, calcula que 35,9% das exportações brasileiras poderão ser afetadas, caso se concretizem as medidas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos, já considerando os cerca de 700 produtos que ficaram fora da lista do tarifaço de 50% contra o Brasil.

Ao participar do programa Mais Você, da Rede Globo, nesta quinta-feira (31), Alckmin disse que o governo atuará para amenizar seus efeitos para os setores prejudicados, em especial para garantir a manutenção dos empregos.

“Vamos defender os 35% das exportações que foram afetadas. Vamos nos debruçar nesses 35% e preservar empregos, fazendo estudos visando esses setores mais atingidos”, disse.

Em carta enviada ao governo brasileiro no dia 9 de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que as exportações brasileiras àquele país seriam taxadas em 50% a partir de 1º de agosto.

Nesta quarta-feira (30), o governo norte-americano amenizou o tom ao postergar o início da taxação para o dia 6 de agosto, além de apresentar uma lista com cerca de 700 exceçõesabrangendo produtos que, caso não estivessem à disposição, poderiam causar impacto negativo na economia daquele país.

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Entre os produtos da lista estão suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes e aeronaves civis, incluindo seus motores, peças e componentes. Também ficaram de fora do tarifaço polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.

A lista, no entanto, não inclui café, frutas e carnes. Todos a serem taxados em 50%.

“Às vezes você tem um setor que 90% dele vende para dentro (consumo interno) e exporta 10% apenas. Nesse caso, ele é menos atingido. Agora, você tem também setores que exportam metade da produção. E, dentro dessa metade, 70% é para os Estados Unidos. Ele então é muito atingido”, acrescentou.

Plano

Segundo Alckmin, o governo já tem um plano de ação “praticamente pronto”, com foco em preservar empregos e a produção.

“Ainda está sob análise porque só ontem foram apresentados alguns detalhes do tarifaço.

Ele explicou que o presidente Lula ainda vai bater o martelo, e que o plano terá algum impacto de natureza financeira, creditícia, tributária, mas que não deixará ninguém desamparado.

“Em primeiro lugar, vamos lutar para diminuir aqueles 35,9% que foram efetivamente atingido pela tarifa dos 50%. Não damos isso como assunto encerrado. A negociação crescerá. Não encerrou ontem [com o último anúncio dos EUA]”, disse.

“Em segundo lugar, vamos buscar alternativas de mercado; e em terceiro, vamos apoiar setores que precisam de apoio, como o de pescado, o de mel, frutas”, acrescentou.

Alckmin disse que o governo pretende ampliar a lista, incluindo outras frutas, bem como a carne bovina. “Eles haviam citado a manga, por exemplo. Mas ao que parece esqueceram. Vamos lembrá-los”.

Novos mercados

O foco, reiterou ele, é buscar mercado para não prejudicar produtores, de forma a evitar queda na produção por falta de mercado.

“O Brasil tem, em números redondos, 2% do PIB do mundo. Então, 98% do comércio está lá fora. Temos de correr atrás na área agrícola. Vale lembrar que abrimos 398 novos mercados. Somos protagonista alimentar, energético e do clima”, argumentou.

Ele acrescentou que, após muito tempo de isolamento, o Mercosul fechou ótimos acordos recentemente com Singapura, ano passado; e que ainda este ano deverá entrar em vigor outro acordo com a União Europeia.

“Serão 27 países dos mais ricos do mundo, nesse acordo comercial Mercosul-União Europeia. Fora outros quatro com Noruega, Suíça, Islândia e Lichenstein, que também são ricos mas não estão na União Europeia. São acordos que vão ajudar muito o comércio exterior brasileiro”, complementou.

Soberania

Outra questão ressaltada por Alckmin durante o programa foi a da soberania, algo que, para o governo, é inegociável.

“Até porque não é possível um poder interferir em outro. É bom lembrar que o presidente Lula ficou preso um ano e meio e nunca quis derrubar a democracia nem o poder judiciário”.

Alckmin disse que Lula se reuniu ontem com ministros da suprema corte, e que um documento foi preparado em resposta, reafirmando a separação entre os poderes no Brasil; e que tal interferência externa, como a tentada pelos EUA, vai contra a democracia e o estado de direito.

“Imagine que a Suprema Corte americana tivesse processado um ex-presidente [daquele país] e o Brasil falasse que [por isso] aumentaria a tarifa de produtos americanos que entrassem aqui, apenas por não gostar da decisão”, questionou o vice-presidente brasileiro.

Ainda segundo Alckmin, o governo tem mantido conversas com autoridades norte-americanas e, também, com representantes das chamadas big techs (empresas de tecnologia).  fonte PEDRO PEDUZZI – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Entidades do setor produtivo criticam manutenção dos juros em 15%

Entidades do setor produtivo criticam manutenção dos juros em 15%

Para centrais sindicais, alta da Selic aumenta dívida das famílias. foto agência brasil

manutenção da Taxa Selic (juros básicos da economia) em 15% ao ano recebeu críticas do setor produtivo. Para entidades da indústria, do comércio e centrais sindicais, a alta prejudicará a produção e o investimento.

Em nota, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, classificou de “insuficiente e equivocada” a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Segundo ele, os juros altos vão sufocar a economia. Segundo ele, medidas como a elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) equivalem, na prática, a um aumento de juros, e o tarifaço dos Estados Unidos pode resultar em menos inflação no Brasil.

“Já tivemos o aumento do IOF sobre as operações de crédito e câmbio e a elevação das tarifas dos EUA sobre as nossas exportações. A alta do IOF sobre o crédito vai aumentar em R$ 4,9 bilhões o custo para as indústrias, enquanto as tarifas dos EUA podem causar queda na produção industrial e a perda de milhares de empregos no país. O momento pede uma política monetária mais favorável. Precisamos de menos juros e mais crescimento”, destacou o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Para a Associação Paulista de Supermercados (Apas), as tensões internacionais tornam a política monetária mais desafiadora. Mesmo assim, a entidade considera alto o nível dos juros atuais.

“Diante dessa conjuntura, a nossa preocupação é a manutenção da taxa de juros nesse patamar. O Brasil tem uma das maiores taxas reais de juros do mundo. A manutenção da taxa Selic em 15% nessa conjuntura irá prejudicar os investimentos, o consumo das famílias; aumentará o custo do crédito e afetará diretamente o nível de atividade econômica do país”, ressaltou o economista-chefe da entidade, Felipe Queiroz, em comunicado.

A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) informou que a decisão do Banco Central veio em linha com as expectativas de mercado. Apesar de reconhecer que os juros estão altos, a entidade avalia que a inflação continua acima da meta de 4,5% em 12 meses.

“Apesar da desaceleração gradual da atividade econômica interna e da valorização do real, que tendem a diminuir a pressão sobre os preços, a inflação acumulada se mantém muito acima da meta anual, num contexto de expansão fiscal, expectativas inflacionárias ainda desancoradas e maiores incertezas externas, derivadas da política comercial norte-americana, justificando uma política monetária mais cautelosa”, explicou o economista Ulisses Ruiz de Gamboa, da ACSP.

Centrais sindicais

A decisão do BC também foi mal recebida pelas centrais sindicais. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o BC dificulta a vida das famílias com a nova elevação da Selic e mantém o esquema que transfere recursos dos consumidores, das empresas e do Estado para o setor financeiro.

“O Banco Central diz que tem que manter a taxa de juros alta para controlar a inflação. Mas a Selic não é o único instrumento de controle de preços e nem funciona para os tipos de inflação que o Brasil enfrenta. O que a Selic elevada faz é manter o Brasil na liderança do ranking com os maiores juros do mundo, penalizando a população”, destacou a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da CUT, Juvandia Moreira.

Em nota, a Força Sindical, destacou que os juros altos favorecem apenas os especuladores e prejudicam o trabalhador. “Lamentamos e consideramos absurdo manter a taxa em patamar tão elevado. Entendemos que o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade de aproveitar-se do encolhimento da demanda mundial para fazer uma drástica redução na taxa de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no país”, criticou o presidente da entidade, Miguel Torres. fonte WELLTON MÁXIMO – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Setores de metalurgia, siderurgia, construção e papel capixabas serão os mais afetados com tarifaço dos EUA

Setores de metalurgia, siderurgia, construção e papel capixabas serão os mais afetados com tarifaço dos EUA
Análise do Connect Fecomércio-ES aponta ainda que empresas de petróleo e a produção de café do Espírito Santo também vão ser impactados com taxação de 50% nos produtos brasileiros no país norte-americano. foto Pexels.

Com a taxação de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, que deve entrar em vigor no dia 1º de agosto, a economia capixaba será diretamente impactada. A medida, proposta pelo presidente Donald Trump, preocupa empresários e especialistas, já que o Espírito Santo tem nos EUA seu principal parceiro no comércio exterior. Setores como metalurgia, siderurgia, construção civil, papel e celulose, petróleo e café estão entre os mais expostos aos efeitos da nova tarifa.

Segundo levantamento do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), realizado em parceria com o Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), os Estados Unidos lideram o ranking de destinos das exportações capixabas e ocupam a segunda posição entre os países de origem das importações. De janeiro a junho deste ano, o Espírito Santo exportou US$ 1,6 bilhão em produtos para os EUA. No mesmo período, as importações somaram US$ 1,1 bilhão. Com isso, o saldo da balança comercial capixaba no primeiro semestre ficou em US$ 492.093.987.

Os principais produtos enviados aos EUA incluem produtos semiacabados e lingotes (US$ 498,7 milhões), grupo que inclui metais em estágio intermediário de fabricação, como aço bruto, ferro-ligas e alumínio em forma de lingotes, que servem como matéria-prima para diversos setores da indústria norte-americana.

Em seguida, ganham destaque os materiais de construção, como cal e cimento (US$ 400,7 milhões), além da celulose (US$ 250,5 milhões), minério de ferro e seus concentrados (US$ 225,9 milhões) e óleos brutos de petróleo (US$ 86,6 milhões). O café, tanto na forma torrada quanto não torrada, totalizou US$ 85,5 milhões. Também figuram entre os principais produtos exportados o ferro-gusa, geradores elétricos e especiarias.

Com a nova tarifa, esses itens devem perder competitividade no mercado norte-americano, o que pode comprometer a produção local e gerar reflexos em empregos e renda no Espírito Santo.

“Essa taxação tem potencial para frear uma parte importante das nossas exportações. Vários setores capixabas dependem da demanda americana para manter sua produção e seus empregos. Por sua própria estrutura exportadora, o Espírito Santo se coloca em uma posição vulnerável frente às novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos. O impacto pode se traduzir em recuo de receitas, perda de mercado e pressão sobre as cadeias produtivas locais. O momento exige atenção e preparo do setor privado para um possível redesenho nas rotas comerciais tradicionais e criação de estratégias de diversificação, uma adaptação para evitar prejuízos maiores”, alertou André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES.

Além das exportações, as importações também reforçam a importância da relação comercial com os EUA. Entre os itens mais comprados pelo Espírito Santo estão aeronaves e equipamentos aeronáuticos (US$ 690 milhões), carvão (US$ 246,7 milhões) e veículos automóveis (US$ 47 milhões). Esses itens representam volumes significativos e estão diretamente ligados a setores como aviação, logística, energia e infraestrutura.

Para Spalenza, o momento exige união entre o setor produtivo e os representantes políticos. “É fundamental que o setor produtivo se mobilize para mitigar os impactos da medida. É necessário buscar alternativas comerciais, fortalecer os laços com outros parceiros estratégicos e apoiar as negociações internacionais lideradas pelo governo federal”.

Em resposta à medida, o governo brasileiro tem buscado reverter a decisão. Duas cartas foram enviadas ao governo dos EUA, o caso foi levado à Organização Mundial do Comércio (OMC) e uma comitiva de oito senadores brasileiros embarcará para Washington nos próximos dias a fim de dialogar com parlamentares e empresários norte-americanos.

Enquanto isso, os primeiros efeitos já começam a ser sentidos. Entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) informaram que cargas com destino aos EUA estão sendo devolvidas, compras foram canceladas e frigoríficos anunciaram férias coletivas.

“É um alerta para o Espírito Santo. Nossa economia tem forte vocação exportadora, e qualquer barreira imposta ao nosso acesso a mercados estratégicos como o norte-americano pode causar impactos relevantes. É hora de planejamento e atuação em várias frentes”, concluiu Spalenza.

A pesquisa completa do Connect Fecomércio-ES está disponível no site portaldocomercio-es.com.br.

Sobre o Sistema Fecomércio-ES
A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba – seja de forma física ou on-line –, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI). fonte Kally Kalle – Fecomércio-ES

Conta de luz terá bandeira tarifária vermelha patamar 2 em agosto

Conta de luz terá bandeira tarifária vermelha patamar 2 em agosto

Com isso, os consumidores terão custo extra de R$ 7,87 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. foto rc news

O mês de agosto terá um aumento nas contas de energia devido ao acionamento da bandeira tarifaria vermelha, no maior patamar, o 2, anunciou na sexta-feira (25) a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Com isso, os consumidores terão custo extra de R$ 7,87 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Segundo a agência, a adoção da bandeira no patamar 2, após ter acionado o patamar 1 em junho e julho, ocorreu diante do cenário de chuvas abaixo da média em todo o país, o que reduziu a geração hidrelétrica.

“O cenário de afluências abaixo da média em todo o país reduz a geração por meio de hidrelétricas. Esse quadro eleva os custos de geração de energia, devido à necessidade de acionamento de fontes mais caras, como as usinas termelétricas”, disse a Aneel.

Em maio, a Aneel acionou a bandeira amarela por conta do baixo volume de chuvas em razão da transição do período chuvoso para o período seco do ano. Além disso, as previsões de chuvas e vazões nas regiões dos reservatórios para os próximos meses ficaram abaixo da média.

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Desde dezembro de 2024, a bandeira tarifária permanecia verde, por causa das condições favoráveis de geração de energia no país. Segundo a Agência, a mudança ocorreu devido à redução das chuvas, com a transição do período chuvoso para o período seco do ano.

“Com o acionamento da bandeira vermelha patamar 2, a Aneel reforça a importância da conscientização e do uso responsável da energia elétrica. A economia de energia também contribui para a preservação dos recursos naturais e para a sustentabilidade do setor elétrico como um todo”, alertou a agência reguladora.

Bandeiras tarifárias

Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em níveis, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional (SIN) gerar a energia usada nas residências, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias.

Quando a conta de luz é calculada pela bandeira verde, não há nenhum acréscimo. Quando são aplicadas as bandeiras vermelha ou amarela, a conta sofre acréscimos a cada 100 kWh consumidos. Na bandeira amarela, o acréscimo é de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Já a bandeira vermelha possui dois patamares. No primeiro, a tarifa sofre acréscimo de R$ 4,463 para cada 100 kWh consumidos. No patamar 2, o valor passa para R$ 7,877 a cada 100 kWh consumidos.

Saiba como funcionam as bandeiras tarifárias na conta de energia

Saiba como funcionam as bandeiras tarifárias na conta de energia – Arte/EBC

Processos trabalhistas no ES: índice de conciliação de 2025 é de 15,89%, o mais baixo da região Sudeste

Processos trabalhistas no ES: índice de conciliação de 2025 é de 15,89%, o mais baixo da região Sudeste

Segundo Lucas Pena, CEO da Pact Insights, baixa adesão a acordos desperdiça potencial de economia para empresas e agilidade para a Justiça

Segundo dados do Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT17), responsável pelo Espírito Santo, registrou 30.982 novas ações trabalhistas entre janeiro e maio deste ano. No período, foram realizadas 3.677 audiências conciliatórias, o que resulta em um índice de conciliação de apenas 15,89% nos últimos 12 meses, desempenho bem abaixo da média nacional de 21,27%. Lucas Pena, CEO da Pact Insights, legaltech especializada em passivos trabalhistas, o número evidencia o desafio em consolidar uma cultura de acordos, mesmo diante do potencial de economia para empresas e da celeridade para o Judiciário.

“Falta estratégia e visão financeira no trato com ações trabalhistas. Há uma clara predisposição das partes em buscar acordos. O que ainda falta são parâmetros objetivos que façam as expectativas convergirem de forma viável para ambos os lados. Também é preciso reconhecer o esforço da Justiça do Trabalho e dos CEJUSCs em montar essas mesas de negociação e catalisar soluções definitivas para empregadores e ex-empregados. A cultura de conciliação precisa deixar de ser exceção para se tornar regra, e isso começa por dados, tecnologia e vontade de mudar”, afirma o executivo.

Na comparação entre a região Sudeste, São Paulo (TRT15 e TRT2) ficou com 21,34%, Minas Gerais (TRT3) e Rio de Janeiro (TRT1) ficaram com 20,7% e 18,7%, respectivamente.

Entre os dias 26 a 30 de maio de 2025 aconteceu a Semana Nacional da Conciliação Trabalhista, uma mobilização coordenada pela Justiça do Trabalho para ampliar a realização de acordos judiciais e extrajudiciais. O Espírito Santo demonstrou capacidade de mobilização: foram realizadas 1.915 audiências, com a participação de 152 magistrados e atendimento a 12.192 pessoas. Ao todo, 694 processos foram conciliados, índice de 36,2%, com valores negociados que somaram R$ 70.733.042,21. A arrecadação tributária total, somando INSS e IR, ultrapassou os R$ 82,9 milhões.

“Os dados reforçam a tese de que acordos bem conduzidos são instrumentos estratégicos, não apenas para a redução de custos, mas também para reforçar práticas de governança e ESG. Temos uma justiça mais digital, mais segura e um cenário empresarial cada vez mais sensível a boas práticas. O que estamos propondo é simples: que as empresas troquem litígio por governança, custo por oportunidade, incerteza por economia”, conclui o CEO da Pact.

Dados nacionais

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do total de 1.789.395 entradas de processos trabalhistas entre janeiro e maio de 2025 no Brasil, apenas 255.396 audiências conciliatórias foram realizadas. Esse número representa um índice conciliatório de 21,27%. 

Sobre o Grupo Pact Insights – A organização tem origem em 2018 com a criação da startup Pact, uma legaltch de passivo judicial corporativo. Com uma abordagem que une diagnóstico financeiro, compliance e negociação especializada, a empresa chegou a negociar mais de 2 mil acordos nos últimos três anos com mais de 700 advogados adversos, totalizando um risco transacionado superior a R$ 1 bilhão. Entre seus clientes estão Magazine Luiza, Votorantim, CVC, Raízen, iFood e MachadoMeyer. Junto à Legal Insights, a startup fundou em 2023 o Grupo Pact Insights, com serviços complementares para o setor jurídico das empresas. O Grupo faturou R$ 13,5 milhões em 2024 e projeta um faturamento de R$ 20 milhões para 2025.  fonte Victoria Bernardes – Consultora

CNI: investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em uma década

CNI: investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em uma década

Área de alimentos e bebidas, e o setor de plásticos têm destaque. fonte cni

Mapeamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que ao menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 dos 50 estados americanos. Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (24) os investimentos brasileiros em solo norte-americano alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Os números mostram ainda que, entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações no território americano.

Alimentos e bebidas, com 28%; plásticos, com 12,4%; produtos de consumo, com 9,8%; software e serviços de TI, com 9,6%; e metais, com 9,3% são os setores que lideram os investimentos brasileiros nos EUA.

Entre os estados americanos com maior número de empresas brasileiras com plantas produtivas estão a Flórida, com 12; a Georgia, com sete; Michigan, Minnesota, Missouri, Nova York, aparecem depois com seis empresas cada; e o Tennessee e o Texas, com cinco.

“O estudo revela que nos últimos cinco anos (2020-2025), 70 empresas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, com destaques para JBS (US$ 807 milhões), Omega Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões)”, informou a CNI.

Investimentos

O documento traz também informações sobre investimentos anunciados por nove empresas brasileiras nos primeiros cinco meses de 2025.

Entre os destaques estão a Embraer, com a implantação de um centro de manutenção no Texas, com investimentos previstos de US$70 milhões e geração de 250 empregos. A JBS, que anunciou uma nova planta em Iowa, com aporte de US$ 135 milhões e 500 empregos diretos, e a Sustainea, parceria da Braskem com a japonesa Sojitz, com um investimento previsto de US$ 400 milhões no estado de Indiana.

O mapeamento mostra que 2.962 empresas brasileiras têm investimentos diversos nos EUA. Na avaliação da confederação, os números reforçam a forte integração econômica entre as duas economias.

“Essa é a prova de que o setor produtivo brasileiro vê na integração com os Estados Unidos muito mais que comércio: vê parceria. O avanço dos investimentos de ambos os lados, ao longo dos anos, reforça o caráter complementar e os benefícios mútuos dessa relação”, afirmou o presidente da CNI Ricardo Alban.

Por outro lado, o mapeamento mostra que, no mesmo período, 186 empresas norte-americanas anunciaram novos negócios no Brasil. Entre as principais companhias estão Bravo Motor Company (US$ 4,3 bilhões), Microsoft (US$ 3 bilhões), CloudHQ (US$ 3 bilhões), Amazon.com (US$ 2,8 bilhões) e New Fortress Energy (US$ 1,6 bilhão).

“No que se refere a investimentos anunciados, de 2015 a 2025, os setores mais atrativos para os investidores dos EUA em território brasileiro foram: comunicações (31,0%), montadoras de automóveis (13,5%), carvão, petróleo e gás (11,4%), serviços financeiros (10,9%) e energias renováveis (7,1%)”, disse a CNI. fonte LUCIANO NASCIMENTO – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Setor de serviços capixaba cresce pelo terceiro mês consecutivo

Setor de serviços capixaba cresce pelo terceiro mês consecutivo

Hospedagem em hotel, um dos serviços em alta. foto Envato.

Pelo terceiro mês consecutivo, o setor de serviços do Espírito Santo manteve uma trajetória de crescimento. Em maio, o volume de atividades avançou 0,3% em relação a abril, mas o destaque do mês ficou para os serviços prestados às famílias (lazer, alimentação fora de casa, hospedagem, atividades recreativas e cuidados pessoais), que subiram 17,9% na comparação com o mesmo período de 2024 – a maior alta entre todos os estados brasileiros.

Além da variação mensal positiva, o índice de volume de serviços do Espírito Santo alcançou 113,3 pontos, acima da média nacional, que foi de 108,3 pontos, mantendo o estado entre os mercados mais dinâmicos e consistentes do país. Na comparação com maio de 2024, houve alta de 1,1%, mesmo sobre uma base estatística já elevada, o que confirma a maturidade do setor capixaba e sua tendência de expansão.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, o desempenho reforça o papel estratégico do Espírito Santo no cenário nacional, que se mantém entre os protagonistas do país no setor, reforçando sua vocação para o consumo de serviços de base regional, turística e cultural.

“A sequência de resultados positivos consolida a força do consumo local e mostra a resiliência do setor, mesmo diante dos desafios econômicos, e suas boas perspectivas para os próximos meses. Serviços como alimentação fora do lar, cuidados pessoais, lazer e turismo – que são voltados para as famílias – continuam aquecidos, sustentando a recuperação do setor”, destacou.

Segundo o relatório, o bom desempenho dos serviços às famílias foi impulsionado por fatores como o fortalecimento do calendário de eventos locais, a maior circulação de turistas e o aumento da renda disponível, elementos que favorecem o consumo presencial. O Espírito Santo se destacou à frente de estados como Santa Catarina (10,9%) e Ceará (6,3%) no ranking nacional desse segmento, com alta de 17,9%.

“O Espírito Santo demonstra uma capacidade notável de manter o dinamismo econômico regional por meio da prestação de serviços de alta relevância social e econômica. O setor permanece como uma das principais engrenagens de geração de renda e movimentação da economia”, analisou Spalenza.

Mesmo com oscilações em segmentos pontuais, o Connect Fecomércio-ES avalia que o setor de serviços segue em trajetória de reorganização e avanço gradual, com boas perspectivas para o segundo semestre.

“Há um cenário de estabilização e, se mantidos os estímulos ao consumo e ao investimento em serviços locais, o estado seguirá como referência nacional em dinamismo e inovação no setor”, completou o coordenador do Connect Fecomércio-ES.

A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no site https://portaldocomercio-es.com.br.

Sobre o Sistema Fecomércio-ES
A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba- seja de forma física ou on-line-, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI). fonte Fecomércio-ES Kelly Kalle

Tarifaço pode impactar vendas de suco de laranja, café, carne e frutas

Tarifaço pode impactar vendas de suco de laranja, café, carne e frutas

Alerta é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. FOTO MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estabelecer uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos pode comprometer receitas do agronegócio brasileiro, provocar desequilíbrios de mercado e pressionar os valores pagos ao produtor. O alerta é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o Cepea, os itens mais expostos ao tarifaço de Trump são o mercado de suco de laranja, o setor cafeeiro, a pecuária de corte e o de frutas frescas.

Dentre esses itens, o suco de laranja é o produto mais sensível a essa política tarifária, dizem os pesquisadores do Cepea. “Isso porque já incide atualmente uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada sobre o produto, e a aplicação de uma sobretaxa de até 50% elevaria significativamente o custo de entrada nos Estados Unidos, comprometendo sua competitividade no segundo maior destino dos embarques brasileiros”, dizem os pesquisadores, em nota.

Segundo o Cepea, os Estados Unidos importam atualmente cerca de 90% do suco que consomem, sendo que o Brasil é responsável por aproximadamente 80% desse total. “Essa instabilidade ocorre justamente em um momento de boa safra no estado de São Paulo e Triângulo Mineiro: 314,6 milhões de caixas projetadas para 2025/26, crescimento de 36,2% frente ao ciclo anterior. Com o canal norte-americano sob risco, o acúmulo de estoques e a pressão sobre as cotações internas tornam-se prováveis”, avaliou a professora da Esalq/USP Margarete Boteon, pesquisadora da área de citros do Cepea.

Quanto ao café, os Estados Unidos são o maior consumidor global do produto e importam cerca de 25% do Brasil, especialmente da variedade arábica, insumo essencial para a indústria local de torrefação. Como os Estados Unidos não produzem café, a elevação do custo de importação deve comprometer a viabilidade de toda a cadeia interna, que envolve torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo.

“A exclusão do café do pacote tarifário é não apenas desejável, mas estratégica, tanto para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira quanto para a estabilidade da cadeia de abastecimento norte-americana”, destaca o pesquisador de café do Cepea Renato Ribeiro.

Com a queda nas cotações do produto e a instabilidade externa provocada principalmente pelo tarifaço, os produtores têm vendido volumes mínimos para manter o fluxo de caixa, adiando as grandes negociações para esperar por definições sobre o cenário tarifário.

Carne bovina

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, que concentra 49% do total embarcado pelo Brasil. As empresas estadunidenses são responsáveis por 12% das exportações do produto brasileiro e, entre março e abril, elas adquiriram volumes recordes de carne bovina, acima de 40 mil toneladas por mês, o que pode indicar uma possível movimentação de formação de estoque diante do receio de que Trump viesse a aumentar as tarifas para o comércio exterior. São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são os estados brasileiros, respectivamente, que mais têm escoado carne aos EUA.

Nos últimos meses, no entanto, houve redução no volume exportado para os Estados Unidos, enquanto os embarques para a China vêm crescendo. Em junho, especificamente, vários outros parceiros comerciais também aumentaram suas compras na comparação com maio. Segundo o Cepea, isso sinaliza que os frigoríficos brasileiros têm possibilidade de ampliar suas vendas para outros mercados.

Frutas frescas

No caso do mercado de frutas frescas, o maior impacto imediato recai sobre a manga, dizem os pesquisadores da USP. Isso acontece porque a janela crítica de exportação desse produto aos Estados Unidos começa em agosto. De acordo com o Cepea, já há relatos de postergação de embarques frente à indefinição tarifária. A uva brasileira, cuja safra tem calendário relevante para os EUA a partir da segunda quinzena de setembro, também passa a integrar o grupo de culturas em alerta.

Antes do tarifaço, no entanto, a expectativa era de crescimento de exportações de frutas frescas, sustentada pela valorização cambial e pela recomposição produtiva de diversas culturas. “A projeção otimista foi substituída por dúvidas. Além da retração esperada nas vendas aos EUA, há o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda nos principais destinos, pressionando as cotações ao produtor”, disse Lucas de Mora Bezerra, do Cepea.

O que pode ocorrer, dizem os pesquisadores, é que as frutas que seriam destinadas aos Estados Unidos sejam direcionadas a outros mercados, como a União Europeia, ou até mesmo absorvidas pelo mercado interno, o que pode pressionar o preço ao produtor.

Diante desse contexto geral relacionado ao café, à carne bovina, ao suco de laranja e às frutas frescas, o Cepea informa que é urgente “uma articulação diplomática coordenada, com vistas à revisão ou exclusão das tarifas sobre produtos agroalimentares brasileiros”.

“Tal medida é estratégica não apenas para o Brasil, mas também para os próprios Estados Unidos, cuja segurança alimentar e competitividade da agroindústria dependem de forma substancial do fornecimento brasileiro”, diz a nota. FONTE ELAINE PATRICIA CRUZ – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Exportações do agro capixaba mantêm solidez e ganham novos mercados no primeiro semestre de 2025

Exportações do agro capixaba mantêm solidez e ganham novos mercados no primeiro semestre de 2025

Nesse período, os embarques somaram mais de 1,2 milhão de toneladas de produtos para o exterior. foto governo do es

O primeiro semestre de 2025 foi marcado pela estabilidade nas exportações do agronegócio capixaba, que somaram US$ 1,56 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões), o maior valor já registrado para o período de janeiro a junho na série histórica. O desempenho representa um leve crescimento de 0,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024 (US$ 1,56 bilhão), que já era recorde. Nesse período, os embarques somaram mais de 1,2 milhão de toneladas de produtos para o exterior.

O desempenho do Espírito Santo foi levemente superior ao nacional. O Brasil registrou um decréscimo de 0,2% nas exportações do agro no mesmo período, mantendo suas receitas praticamente estáveis.

“Como os dados ainda não refletem o efeito do tarifaço dos Estados Unidos, pois se referem até 30 de junho, vamos ficar atentos aos volumes e às divisas geradas a partir de julho, tanto no contexto geral quanto especificamente em relação ao mercado norte-americano, que respondeu por 20% das divisas geradas neste primeiro semestre com as exportações do agro capixaba”, afirma o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.

Entre os dez principais produtos exportados pelo agro capixaba neste início de ano, o complexo cafeeiro liderou com US$ 771,9 milhões (49,6% do total), seguido por celulose com US$ 492,1 milhões (31,6%) e pimenta-do-reino com US$ 201,8 milhões (12,9%). Outros destaques incluem mamão (US$ 16,4 milhões), carne bovina (US$ 14,7 milhões), chocolates e preparados com cacau (US$ 9,2 milhões), gengibre (US$ 8,1 milhões), ovos (US$ 6,2 milhões), álcool etílico (US$ 6,0 milhões) e pescados (US$ 5,6 milhões). O conjunto de outros diversos produtos do agronegócio somou US$ 24,9 milhões (1,6%).

Pimenta-do-reino bate recorde

O Espírito Santo alcançou, no primeiro semestre de 2025, um marco inédito nas exportações de pimenta-do-reino: foram movimentados US$ 201,8 milhões entre janeiro e junho, superando, em apenas seis meses, todo o valor exportado em 2024. O resultado consolida o Estado como o principal exportador brasileiro do produto, com ampla liderança nacional.

Segundo levantamento da Gerência de Dados e Análises da Seag, o volume embarcado no período foi de 32,4 mil toneladas, número que já corresponde a 91% de todo o volume exportado no ano anterior.

Em 2024, o setor enfrentou um recuo expressivo. As exportações totalizaram US$ 163,1 milhões, com uma queda acentuada no volume: 35,5 mil toneladas, o que representa redução de mais de 34% em relação a 2023. O desempenho inferior foi influenciado por oscilações cambiais, ajustes logísticos e conjunturais nos mercados importadores.

Crescimento

Entre os destaques de crescimento em valor exportado estão justamente a pimenta-do-reino (+139%), seguida pelos pescados (+91,6%), café solúvel (+72,2%) e mamão (+24,5%). Em volume, as maiores altas foram registradas nos ovos (+765,5%), pescados (+79,3%), pimenta-do-reino (+47%), mamão (+27,8%), gengibre (+11%) e café solúvel (+18,4%).

Principais mercados

Os produtos capixabas chegaram a 115 países até junho. Os Estados Unidos lideraram como principal destino, com 20,3% do valor exportado, seguidos pela Turquia (9,7%) e pela China (7%). O agro respondeu por 31,53% das exportações totais do Espírito Santo no período.

Espírito Santo lidera segmentos

O Espírito Santo manteve posição de destaque no ranking nacional, sendo o maior exportador brasileiro de gengibre, pimenta-do-reino e mamão, com participações de 58%, 65% e 41%, respectivamente. No complexo cafeeiro, o Estado aparece como segundo maior exportador do País, considerando as categorias de café cru, solúvel e torrado/moído.

Ressalva acerca dos dados

A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) esclarece que os dados de exportação de açúcar de cana (NCM 17011400), referentes aos meses de fevereiro e março de 2024, foram desconsiderados da análise anual.

Os registros indicaram valores atípicos – US$ 10,2 milhões (19,8 toneladas) em fevereiro e US$ 11,1 milhões (21,6 toneladas) em março – destoando das médias históricas e das informações fornecidas por indústrias do setor, o que indica possível erro de lançamento ou atuação pontual de empresas de trading.


fonte e foto Seag