Enquanto nenhum documento oficial foi entregue pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil, a simples manifestação pública do presidente americano em suas redes sociais já trouxe instabilidade às relações comerciais, foto divulgaçao
Os setores industriais capixaba e nacional já avaliam a adoção de medidas emergenciais diante da iminente taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre as providências em análise, estão a redução do ritmo de produção e, de forma ainda mais preocupante, o fechamento de postos de trabalho. A intenção é mitigar os efeitos dessa medida sobre a saúde financeira das empresas e preservar, na medida do possível, a sustentabilidade dos negócios.
Esse cenário tem gerado insegurança entre os empresários e exigido ações coordenadas do setor industrial. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), ao lado das outras 26 Federações do país, tem participado de reuniões frequentes com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para debater respostas à medida americana, que deve entrar em vigor no dia 1º de agosto. O grupo, formado pelos presidentes das Federações e liderado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, mantém diálogo constante com o governo federal em busca de estratégias que reduzam os impactos sobre a indústria nacional.
Enquanto nenhum documento oficial foi entregue pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil, a simples manifestação pública do presidente americano em suas redes sociais já trouxe instabilidade às relações comerciais e acendeu o alerta em diversos setores produtivos. A CNI está conduzindo, com o apoio das Federações, um levantamento junto às indústrias para mapear frustrações comerciais e identificar potenciais prejuízos.
No caso do Espírito Santo, os riscos são ainda mais significativos. Os Estados Unidos são, historicamente, o principal parceiro comercial do Estado. Em 2024, responderam por 28,6% das exportações capixabas, conforme dados do Observatório Findes. O ES é o segundo estado brasileiro com maior dependência das exportações para os EUA, atrás apenas do Ceará (45%).
Somente no ano passado, o Espírito Santo exportou US$ 3,06 bilhões para os EUA, enquanto importou US$ 2,05 bilhões — um saldo positivo que passa a ser ameaçado por uma política comercial unilateral e arbitrária.
A Findes continuará acompanhando os desdobramentos do caso com atenção, mobilizando sua estrutura técnica e institucional para apoiar as indústrias capixabas na avaliação dos impactos e na construção de alternativas que possam preservar empregos, investimentos e a competitividade do setor produtivo do Espírito Santo. fonte findes
Montagem de carros no Brasil deverá sofrer poucas alterações. foto autoentusiatas
O setor do comércio de peças e acessórios para veículos automotores nacional avalia que o impacto do tarifaço estadunidense contra o Brasil deverá causar maior dano às montadoras instaladas nos Estados Unidos.
Segundo o presidente do Sindicato Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos (Sincopeças Brasil), Ranieri Leitão, o processo de montagem de carros no Brasil deverá sofrer poucas alterações.
“Em nosso entender, o impacto talvez seja maior para as montadoras de veículos instaladas no mercado norte-americano e que se valem de fornecedores brasileiros. Dentro do Brasil, não enxergamos qualquer alteração no processo de montagem dos veículos”, disse em entrevista à imprensa.
Segundo Leitão, o setor do comércio de autopeças nacional atua basicamente no mercado interno e não deverá sofrer impacto direto do tarifaço. “Mas nossa posição é que qualquer movimento de taxação excessiva é desastroso para os negócios em geral”, ressaltou.
O Sindipeças, que representa os fabricantes de autopeças, disse, em nota, que ainda é necessário aguardar a publicação da legislação estadunidense para confirmar qual será o alcance da sobretaxa no setor. As fabricantes nacionais produzem peças específicas para veículos dos Estados Unidos o que torna inviável redirecioná-las para outro mercado.
A balança comercial de autopeças do Brasil com os Estados Unidos é deficitária ao Brasil desde 2009. Em 2024, o Brasil exportou para os Estados Unidos US$ 2,2 bilhões e importou US$ 1,3 bilhão em peças. fonte BRUNO BOCCHINI – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL
Comparação feita com o mesmo mês de 2024 aponta que população capixaba com dívidas em atraso caiu 2,1%. foto Pexels.
O Espírito Santo registrou, em junho de 2025, uma redução expressiva de 86,5 mil pessoas inadimplentes em relação ao mesmo período do ano passado. No total, cerca de 1,43 milhão de capixabas estão com dívidas em atraso, o que representa 34,2% da população – um índice 2,1 pontos percentuais menor do que em junho de 2024.
As análises dos dados são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com informações da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, apesar das oscilações mensais, o resultado anual mostra que muitas famílias têm conseguido reorganizar seus orçamentos e manter os compromissos em dia. “Mesmo com os desafios da economia, o recuo na inadimplência de forma acumulada sinaliza um esforço contínuo das famílias para recuperar o equilíbrio financeiro e sair do vermelho”, avaliou.
Spalenza também destaca que a inadimplência recuou de maneira mais significativa entre os grupos de menor renda. “Famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, por exemplo, reduziram a inadimplência de 37,4% para 28,1% no período de um ano. Esse dado mostra uma melhora importante na capacidade de pagamento desse grupo”, explicou.
A pesquisa aponta que, em média, os capixabas inadimplentes possuem 3,9 contas em atraso, com uma dívida média de R$ 5.827. No total, o valor das dívidas negativadas no estado soma R$ 7,6 bilhões. O cartão de crédito segue como a principal forma de endividamento.
Outro aspecto importante do levantamento é que 19% das famílias inadimplentes afirmaram ter condições de quitar parcial ou totalmente suas dívidas já no próximo mês, o que reforça a ideia de que parte da inadimplência pode ser temporária e não necessariamente crônica.
Quanto ao grupo de endividados, ou seja, pessoas com contas a pagar, houve estabilidade. Entre maio e junho, a taxa de endividamento das famílias aumentou 0,3 ponto percentual e chegou 89,4%. Nas famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 15.180) o endividamento saiu de 90,4% em maio para 90,9% junho, aumento de 0,5 pontos. Já nos grupos familiares com renda superior a 10 salários houve queda de 1 ponto percentual na taxa de endividamento, que chegou a 79,5% em junho.
A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada em: https://portaldocomercio-es.com.br.
Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba- seja de forma física ou on-line-, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI). fonte Fecomércio-ES Kelly Kalle e foto Pexels
Receita caiu 30% e quadro de funcionários foi reduzido na época. foto embraer
A terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus, a Embraer estima que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil poderá causar um impacto na companhia similar ao da pandemia de covid-19. Na época, a companhia teve cerca de 30% de queda de receita e precisou reduzir em torno de 20% o quadro de funcionários.
Segundo a empresa, o tarifaço deverá elevar o preço de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões. Considerando o período até 2030, o impacto poderá significar R$ 20 bilhões em tarifas. De acordo com o diretor executivo da companhia (CEO), Francisco Gomes Neto, a alteração nos preços das aeronaves deverá gerar cancelamento de pedidos, postergação de entregas, revisão do plano de produção, queda de geração de caixa, e redução de investimentos.
“Não há como remanejar encomendas de clientes dos Estados Unidos para outros mercados. Não tem como remanejar essas encomendas. Avião não é commodity. O maior mercado de avião executivo é nos Estados Unidos. Não tem como reposicionar isso para outros mercados”, destacou Gomes em entrevista na terça-feira (15).
As exportações para clientes estadunidenses representam 45% da produção de jatos comerciais e 70% de jatos executivos da companhia. Segundo o CEO, a tarifa de 50% poderá inviabilizar a venda de aviões para os Estados Unidos. “Cinquenta por cento de alíquota é quase um embargo. É não é só para a Embraer, é para qualquer empresa. Cinquenta por cento dificultam ou inviabilizam as exportações para qualquer país. É um valor muito elevado. E, para avião, é mais impactante ainda devido ao alto valor agregado do produto”, destacou Gomes.
Possibilidade de negociação
O tarifaço sobre o Brasil atingirá também os produtores americanos, e isso poderá ajudar em uma eventual negociação, disse o diretor executivo da Embraer. Segundo ele, nos próximos cinco anos, até 2030, a Embraer tem potencial de comprar US$ 21 bilhões em equipamentos norte-americanos para equipar os aviões produzidos pela empresa brasileira. “Por isso que nós achamos que uma solução negociada é possível”, disse Gomes.
“A gente foi lá [nos Estados Unidos] para mostrar isso para eles. Eles entendem isso, mas eles querem ver uma negociação bilateral avançando, como eles estão buscando em vários outros países”, acrescentou.
Gomes mostrou-se confiante em um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, tal como o recente acordo anunciado pelos norte-americanos e Reino Unido, com o retorno da tarifa zero para o setor aeronáutico.
“Houve concessões de ambas as partes e, no caso do do setor aeroespacial, a alíquota era de 10%. A gente está otimista com a situação, e esse exemplo aí do acordo entre o Reino Unido e os Estados Unidos fica como uma boa base para o Brasil também”, acrescentou.
O agricultor familiar Jordão Caetano de Souza está feliz com a colheita / Foto: Lizandro Nunes
Agricultores familiares do Espírito Santo estão comemorando as primeiras colheitas de maracujá a partir de mudas doadas pelo projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa (Ales). Produtores de Itapemirim, Piúma, Anchieta e Vila Pavão começaram a colher os frutos nas últimas semanas. As entregas das mudas aconteceram no final do ano passado. Desde então, os técnicos do projeto vinham prestando assistência técnica durante o processo de plantio e cultivo da fruta.
Um exemplo de plantio bem-sucedido acontece na propriedade do agricultor familiar Jordão Caetano de Souza, na zona rural de Itapemirim. O produtor recebeu 700 mudas de maracujá e já começou a colheita. A estimativa é que, em um ciclo de até três anos, ele alcance uma meta de 30 mil quilos da fruta.
Tradicionalmente, Jordão trabalha com o plantio com café, mandioca e cana. Incentivado pelo projeto Arranjos Produtivos, o agricultor decidiu diversificar a produção e não se arrependeu. “Aproveitei a oportunidade e está tudo dando certo. Sempre fui otimista e optei pelo maracujá por causa do clima seco que temos por aqui. O resultado está muito satisfatório. Agradeço à Assembleia Legislativa e a todos os responsáveis pelo projeto pela oportunidade”, disse o agricultor familiar.
O engenheiro agrônomo Péricles Santos, membro do projeto Arranjos Produtivos, foi o responsável pela consultoria técnica na propriedade. O especialista destacou que as visitas à propriedade foram recorrentes.
“A gente fez acompanhamento durante todo o ciclo, com no mínimo uma visita por mês. Antes do plantio, foi feito o estudo do solo, para saber se seria necessário o uso de fertilizantes, orientamos sobre como deveria ser o espaçamento do plantio e o cultivo. Aqui, o crescimento foi natural, sem o uso de agrotóxicos. Nós trabalhamos sempre em busca de um objetivo principal, que é uma boa colheita”, explicou o engenheiro agrônomo.
Em Itapemirim foram entregues mais de 4 mil mudas de maracujá e o município conta com cerca de 50 agricultores familiares cadastrados no projeto. Produtores do município também receberam mudas de acerola, uva e aroeira. A previsão é que nos próximos meses comece a colheita de Maracujá em Alegre, Muniz Freire e Guaçuí.
Apoio à agricultura familiar
O projeto Arranjos Produtivos é desenvolvido pela Secretaria da Casa dos Municípios da Ales em parceria com o governo do Estado e apoio das prefeituras. Atualmente, são 27 municípios cadastrados no ciclo deste ano. Em 2024, 20 participaram.
Já foram entregues gratuitamente, por exemplo, mudas de uva, cacau, café, pimenta, aroeira, pupunha, acerola e maracujá. Além das mudas, os agricultores familiares também recebem orientações técnicas diretamente nas plantações. Em alguns municípios os produtores também receberam equipamentos agrícolas, como kits para produção de mel, kits para hidroponia e estufas para cultivo de morango. edição de Angèle Murad – ales
Líder do governo, Vandinho explicou que a atual forma de recolhimento do ICMS não atende ao mercado / Foto: Lucas S. Costa
Em sessão nesta quarta-feira (16), o Plenário da Assembleia Legislativa (Ales) acolheu a matéria do governo que pede o retorno da substituição tributária como modelo de cobrança de ICMS sobre o comércio do vinho no Espírito Santo. Até que o Projeto de Lei (PL) 152/2025 seja sancionado, vale o sistema de antecipação parcial do imposto. Os efeitos da medida, porém, serão aplicados a partir do primeiro dia do mês subsequente à publicação da lei.
No regime conhecido como substituição tributária, geralmente o importador ou a indústria acaba recolhendo o ICMS referente às operações das outras fases de comercialização do produto. Durante a discussão da matéria nas comissões reunidas de Justiça e Finanças, Alexandre Xambinho (Podemos) defendeu a medida enquanto relator.
“Hoje os importadores do estado do Espírito Santo têm comprado dos portos de fora, dos estados de fora, por outras importações, porque o preço fica melhor do que os vinhos importados entrando pelo estado”, afirmou. Mas o deputado Mazinho dos Anjos (PSDB/ES) alertou que a alteração poderá ser nociva ao mercado capixaba.
O tucano elencou pontos negativos. “O imposto vai passar a ser recolhido de forma antecipada pelo primeiro elo da cadeia, fazendo com que os distribuidores e os varejistas adquiram os produtos com o ICMS já embutido no preço, isso eleva o custo da aquisição imediata do vinho, impactando no capital de giro, principalmente das pequenas e médias empresas”, explicou.
O parlamentar também falou sobre a possibilidade da redução da margem de lucro desses estabelecimentos menores, o desestímulo à competitividade – uma vez que a substituição tributária favoreceria as grandes redes que operam com maior volume –, e riscos como a informalidade e fechamento de empresas diante do aumento da carga tributária. FONTE ALES Nicolle Expósito
“O setor de bebida, já altamente regulado e tributado, (…) tende a ser impactado duplamente com a complexidade da tributação e a pressão financeira feita aos pequenos e médios empreendedores”, avaliou. Ainda segundo ele, a reintrodução da substituição tributária agrava a competição entre as empresas menores e grandes grupos econômicos, “favorecendo a concentração de mercado”.
O líder do governo, Vandinho Leite (PSDB), ponderou que o retorno ao modelo tributário anterior visa reduzir a burocracia e evitar a bitributação, sobretudo dos pequenos empreendedores. A medida do governo, afirmou, tem o respaldo da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) e do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Estado do Espírito Santo (Sincades).
Esses órgãos, conforme contou o parlamentar, entenderam que o regime de antecipação parcial não atendeu as expectativas do mercado, por isso a opção por retornar para os moldes antigos.
Exportações e importações totalizaram US$ 2,79 bilhões, ou seja, R$ 4,36 bilhões. Destaque fica para as aeronaves importadas, com alta de 123%. foto Pexels.
Ótima notícia: o comércio exterior do Espírito Santo cresceu novamente em junho. A corrente de comércio do estado, que representa a soma das exportações e importações, subiu 15,8% em relação a maio, alcançando US$ 2,79 bilhões, o equivalente a R$ 4,36 bilhões. O destaque do mês ficou para as importações de aeronaves e outros equipamentos, que tiveram alta de 123,4%, movimentando US$ 239 milhões.
As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), em parceria com o Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), com base nos dados do Comex Stat, sistema oficial para extração das estatísticas do comércio exterior brasileiro de bens.
Na pauta de exportações, o Espírito Santo movimentou US$ 806 milhões em junho. O principal produto enviado ao exterior foi o minério de ferro, com US$ 183 milhões (22,8% da pauta). Em seguida, vieram o café não torrado, que apresentou crescimento de 63,7% e chegou a US$ 143 milhões (17,8%), e a celulose, com alta de 35%, somando US$ 103 milhões (12,8%). Também se destacaram os produtos semiacabados de ferro ou aço (US$ 102 milhões) e os óleos brutos de petróleo (US$ 77 milhões).
As importações capixabas somaram US$ 1,99 bilhão. Os veículos automóveis de passageiros continuam liderando a lista de produtos, com US$ 1,02 bilhão, representando mais da metade (51,3%) do total importado. Já as aeronaves e equipamentos relacionados avançaram para a segunda posição, respondendo por 12% das compras externas. Outros itens relevantes foram os veículos de carga (US$ 160 milhões), carvão (US$ 92,3 milhões) e equipamentos de telecomunicações (US$ 45,6 milhões).
“Vale lembrar que o Espírito Santo se destaca como o principal ponto de entrada de carros elétricos e híbridos no país. Esse crescimento de junho na movimentação internacional reforça o papel estratégico do Espírito Santo como hub logístico e industrial. Mesmo com desafios no cenário global, os números indicam um ambiente mais favorável para os negócios capixabas, o que beneficia toda a cadeia produtiva e de serviços ligada ao comércio exterior”, avaliou o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza.
Também em junho, as exportações capixabas corresponderam a 6,2% das exportações do Sudeste que totalizaram US$ 13 bilhões, a 15,6% das importações (US$ 12,8 bilhões) e a 10,8% da corrente de comércio do Sudeste (US$25,8 bilhões). Em relação ao Brasil, cuja corrente de comércio totalizou 52,4 bilhões, a corrente capixaba correspondeu a 5,3%.
“A participação do Espírito Santo no comércio exterior, especialmente nas importações, evidencia sua importância logística e estratégica tanto para o Sudeste quanto para o país. A corrente de comércio do estado representa 2,73 vezes sua participação no PIB regional. Já nas importações, essa relação chega a ser quatro vezes maior. No cenário nacional, a participação capixaba nas importações é 4,16 vezes superior à sua representatividade no PIB do Brasil, reforçando o papel do estado como elo logístico da economia nacional”, detalhou Spalenza.
Entre os municípios exportadores, Vitória liderou com US$ 270 milhões em vendas externas (33,6%), puxadas principalmente por minérios e escórias. Em seguida aparecem Serra (US$ 154 milhões), com destaque para ferro e aço, e Aracruz (US$ 105 milhões), cujo principal produto exportado foi a pasta de madeira. Juntas, essas três cidades responderam por 65,9% das exportações do estado.
No ranking das importações, Cariacica aparece como o maior polo, com US$ 1,31 bilhão (65,8%), concentrando-se na entrada de veículos e seus componentes. Vitória foi responsável por US$ 338 milhões (17%), sobretudo com aeronaves e aparelhos espaciais, enquanto Serra movimentou US$ 223 milhões (11,2%), majoritariamente com combustíveis minerais e derivados.
Para o presidente do Sindiex, Sidemar Acosta, os resultados de junho demonstram a relevância estratégica do Espírito Santo no comércio global. “O crescimento da movimentação comercial reforça a eficiência do nosso sistema portuário e a importância do trabalho conjunto entre os setores público e privado para impulsionar a economia capixaba”, destacou.
Termos de troca Os termos de troca do comércio capixaba, que representam a relação entre o preço das exportações e o das importações, apresentou uma deterioração de 6,6%, o que implica que o preço dos produtos exportados ficaram mais baratos comparados aos preços dos importados.
A deterioração dos termos de troca impacta negativamente os ganhos diretos do comércio exterior. No entanto, esse resultado está associado ao papel logístico do estado, que é uma das principais entradas de itens de alto valor agregado, como carros elétricos importados da China.
Primeiro semestre No 1º semestre de 2025, as exportações capixabas somaram US$ 4,76 bilhões e as importações, US$ 7,18 bilhões. A movimentação total capixaba no primeiro semestre fechou em US$ 11,9 bilhões.
O destaque vai para as importações capixabas, que registraram forte crescimento ao longo de todo o período, passando de US$ 821 milhões em fevereiro para US$ 1,99 bilhão em junho.
A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no site https://portaldocomercio-es.com.br.
Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba – seja de forma física ou on-line –, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI). fonte Kelly Kalle Fecomércio-ES
O encontro ocorre logo após o Espírito Santo alcançar um resultado histórico no ano-safra 2024/2025. Entre julho de 2024 e junho de 2025. foto seag
A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) realizou, nesta segunda-feira (14), em Vitória, uma reunião estratégica com representantes de instituições financeiras e entidades do setor agropecuário para alinhar e compactuar as metas do Plano de Crédito Rural para o Espírito Santo 2025/2026. Participam da elaboração do Plano instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banestes, Sicoob, Sicredi, Cresol e Banco do Nordeste, além de organizações de apoio ao agro, como Agricultura Forte, Cedagro, Faes, Fetaes, Fecopes, Fapaes, Incaper, Idaf, Ceasa, OCB, e órgãos federais, como o Ministério da Agricultura (Mapa), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
Durante a reunião, foram debatidos cenários econômicos, desafios e sugestões para aprimorar as políticas públicas de financiamento rural no Espírito Santo, com foco em ampliar o acesso ao crédito, modernizar as atividades no campo e fortalecer o desenvolvimento sustentável do agronegócio capixaba.
O encontro ocorre logo após o Espírito Santo alcançar um resultado histórico no ano-safra 2024/2025. Entre julho de 2024 e junho de 2025, foram aplicados R$ 8,88 bilhões em crédito rural no Estado, um crescimento de 24,5% em relação ao ciclo anterior, que havia somado R$ 7,1 bilhões. O desempenho superou a meta estadual de R$ 8,5 bilhões estabelecida no Plano de Crédito Rural, construído pelo Governo do Estado em parceria com o Governo Federal, instituições financeiras e representantes do setor produtivo.
Enquanto a maior parte do país registrou queda nas aplicações – com retração média de 13% –, apenas Espírito Santo e Piauí apresentaram crescimento, de 23,2% e 14%, respectivamente, conforme dados apurados pela Gerência de Dados e Análises da Seag, com base no Banco Central. No total, foram realizadas 45,5 mil operações no Estado, crescimento de 11,6% em comparação ao ano-safra anterior.
O secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, destacou que os resultados refletem o ambiente favorável para investimentos no agro capixaba:
“Mesmo em um cenário nacional desafiador, o Espírito Santo avançou e bateu recorde histórico, superando R$ 8,88 bilhões aplicados no ano-safra 2024/2025. Isso demonstra a confiança do setor produtivo nas políticas públicas estaduais, o acerto do Plano de Crédito Rural e a força da parceria entre governo, instituições financeiras e produtores. Já estamos finalizando o novo ciclo para 2025/2026, que deverá ser lançado nas próximas semanas”, afirmou Bergoli.
Segundo Danieltom Vandermas, gerente de Dados e Análises da Seag, o resultado mostra o impacto do uso estratégico de informações e da articulação entre os diversos atores do agro capixaba:
“Os números mostram que, quando dados são usados como ferramenta de gestão e parcerias são feitas com propósito, transformamos metas em resultados concretos. É um avanço coletivo que beneficia todo o setor”, concluiu.
O Plano de Crédito Rural integra o novo Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag 4 – 2023/2032), lançado em dezembro de 2023, que prevê alcançar R$ 12 bilhões em aplicações até 2032.
No ciclo 2024/2025, as linhas de crédito foram destinadas principalmente ao custeio (R$ 3,7 bilhões, crescimento de 25,7%), investimento (R$ 2,8 bilhões, alta de 19,5%) e comercialização (R$ 2,3 bilhões, aumento de 30,1%). Houve leve retração na modalidade de industrialização, que passou de R$ 80,3 milhões para R$ 79,3 milhões. A agricultura familiar também teve participação expressiva: foram 32.109 operações realizadas, 9,2% a mais que no ciclo anterior, totalizando R$ 2,5 bilhões aplicados – crescimento de 19,1%. Esses números mostram a importância da agricultura familiar, que respondeu por mais de 70% das operações e 28,7% do valor total do crédito rural no Espírito Santo.
Representantes do Executivo e do Legislativo não chegaram a consenso. foto ANTONIO AUGUSTO/STF
Não houve acordo na audiência sobre os decretos das Operações Financeiras (IOF) realizada ontem (15/07) no Supremo Tribunal Federal (STF). A reunião foi promovida para acabar com o impasse entre o governo federal e o Legislativo na adoção das medidas que aumentavam as alíquotas do imposto.
A audiência contou com a participação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, representantes do Ministério Público Federal, do Ministério da Fazenda, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Partido Liberal (PL) e do Partido Socialismo e Liberdade (Psol).
Na audiência, o relator do caso, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, perguntou aos participantes se “seriam possíveis concessões recíprocas que pudessem resultar na conciliação”.
A resposta dos presentes foi a de que não haveria acordo: “Apesar da importância do diálogo e da iniciativa dessa audiência, preferiram aguardar a decisão judicial”. A audiência foi solicitada no início do mês por Alexandre Moraes para uma negociação após o Legislativo rejeitar a proposta do Executivo sobre a rearranjo tributário. fonte AGÊNCIA BRASIL
Indicador de junho é um dos maiores da região Sudeste e demostra o otimismo com a economia e o setor nos próximos meses, além da intenção de investir nos negócios e em fazer contratações. foto Pexels.
O otimismo dos empresários do comércio capixaba está em alta: pelo segundo mês consecutivo, o Índice de Confiança dos Empresários do Comércio (Icec) no Espírito Santo cresceu em junho, sendo um dos maiores da região Sudeste e ficando acima de 100 pontos – faixa considerada como nível de satisfação com o ambiente de negócio.
Embora os executivos ainda tenham desafios, o crescimento nos últimos meses aponta sinais de recuperação. O setor volta a mostrar mais disposição para investir na empresa, nos estoques e nas contratações de colaboradores, com expectativas positivas quanto à economia, ao setor e aos negócios para os próximos meses. As análises são de levantamento do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Em junho, o Icec capixaba alcançou 100,3 pontos, tendo alta de 1,2%. O resultado acompanha a melhora nacional, cujo índice subiu 1,4%, para 102,2 pontos. Entre os demais estados do Sudeste, São Paulo apresentou o maior avanço (1,6%; 101 pontos), Minas Gerais cresceu 0,5% (99,5 pontos) e o Rio de Janeiro recuou 0,7% (93,2 pontos).
Para o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, essa trajetória de alta indica que os empresários capixabas começam a embutir expectativas mais favoráveis de vendas para o segundo semestre. “Mesmo com as incertezas econômicas, o retorno ao terreno otimista sugere espaço para retomar investimentos no varejo”.
Um dos subíndices que compõem o Icec, o de Expectativas futuras – que avalia a economia, o setor e a empresa para os próximos meses –, avançou 4,7% e atingiu 124,6 pontos. Já o de Intenções de investimento subiu 5,3% e alcançou 107 pontos. Nele, são avaliadas a possibilidade de contratação de funcionários, que cresceu 6,6%, e a pretensão de aplicar recursos nos estoques (4,1%) e na empresa (1,7%).
“Os dados revelam uma maior capacidade de adaptação dos empresários do comércio, que têm revisto estratégias, ajustando-se ao mercado, apostado nas vendas digitais, entre outras ações para manter o funcionamento dos seus negócios. Com a alta do subíndice de Expectativas futuras e de Intenções de investimento, é possível verificar que os executivos continuam apostando em uma melhora gradual do ambiente econômico nos próximos meses e começam a retomar seus planos de modernização, recomposição de estoques e contratação de pessoal, ainda que de maneira cautelosa”, detalhou André Spalenza.
De acordo com o 3º vice-presidente do Sistema Fecomércio-ES – Sesc e Senac, José Carlos Bergamin, o estado apresenta um crescimento econômico real e se destaca pela organização e diálogo entre os setores público e privado. Mas a confiança dos empresários capixabas ainda reflete um cenário de cautela, diante de um contexto nacional desafiador.
“O cenário econômico atual capixaba apresenta um crescimento real em torno de 3%, embora algumas estimativas apontem para até 5%. Setores ampliados, como o de material de construção, e o segmento automotivo têm enfrentado maiores dificuldades, enquanto o varejo popular, que é muito importante para a empregabilidade e para a economia local, tem mostrado bom desempenho. A melhora na renda das pessoas, impulsionada pela recuperação salarial, pela alta empregabilidade e pelos programas governamentais de distribuição de recursos, tem contribuído para essa movimentação”, explicou Bergamin.
O levantamento completo, com os dados detalhados, pode ser acessado no site https://portaldocomercio-es.com.br.
Sobre o Sistema Fecomércio-ES A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba – seja de forma física ou on-line –, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI).. fonte Kelly Kalle – e Fecomércio-ES