Café arábica orgânico alcança alta produtividade com cultivares recomendadas pelo Incaper

Produzir café arábica orgânico com alta produtividade é um desafio para os cafeicultores do Espírito Santo. Esse cenário, porém, tende a mudar com a adoção de cultivares recomendadas para o Estado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). Experimentos conduzidos nas Montanhas Capixabas têm demonstrado que esses materiais, indicados aos agricultores a partir de 2025, podem alcançar rendimentos comparáveis aos de muitas lavouras convencionais, mesmo sem o uso de qualquer produto químico.

Entre os materiais avaliados, a cultivar IPR 103 tem se destacado, com projeção de atingir 86 sacas por hectare na safra deste ano.

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Os estudos são realizados nos municípios de Santa Maria de Jetibá e Domingos Martins. Ao longo de cinco safras, em condições de sequeiro (sem irrigação), foram registradas produtividades médias entre 35,4 e 48,2 sacas por hectare — desempenho até 85% superior à média histórica da cafeicultura arábica capixaba. Entre os materiais avaliados, a cultivar IPR 103 tem se destacado, com projeção de atingir 86 sacas por hectare na safra deste ano.

Segundo o pesquisador do Incaper e coordenador dos estudos, Maurício Fornazier, os resultados superaram as expectativas da equipe técnica. “As produtividades observadas nas áreas experimentais mostram que é possível produzir café orgânico de forma econômica em níveis muito competitivos, conciliando desempenho produtivo e sustentabilidade”, destaca.

Um dos fatores que mais contribuem para esse desempenho é a resistência genética das cultivares à ferrugem do cafeeiro, considerada uma das principais doenças da cultura. Essa característica reduz a necessidade de intervenções fitossanitárias e aumenta a viabilidade econômica da produção orgânica. Além disso, práticas como o plantio adensado e o manejo da cobertura vegetal favorecem a conservação do solo, a retenção de umidade e a formação de matéria orgânica, além de reduzir a incidência do mato.

Além dos benefícios agronômicos, os pesquisadores destacam as oportunidades de mercado para os cafés orgânicos. De acordo com o engenheiro-agrônomo do Incaper, Cesar Abel Krohling, a demanda por produtos cultivados com menor impacto ambiental segue em expansão, tanto no mercado interno quanto no exterior.

“A tendência é que esse cenário se fortaleça ainda mais com o aumento das exigências relacionadas à sustentabilidade nas cadeias globais de abastecimento”, afirma.

Nova área experimental em Pedra Azul

Recentemente, a pesquisa foi ampliada com a instalação de um novo experimento em sistema orgânico no Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Serrano, do Incaper, localizado no distrito de Aracê, próximo à Pedra Azul, uma das regiões mais frias do Espírito Santo.

“Isso vai nos permitir avaliar o desempenho produtivo das cultivares em condições de maior altitude e temperaturas mais amenas, além de verificar a influência desse ambiente na qualidade do café produzido”, explica o pesquisador Maurício Fornazier.

Próximas etapas da pesquisa

Os próximos passos incluem a avaliação detalhada da qualidade da bebida e a identificação dos materiais genéticos mais promissores para recomendação aos cafeicultores capixabas. O objetivo é lançar, ainda em 2026, uma cartilha técnica que contribua para a expansão da cafeicultura orgânica no Estado, agregando valor à produção e fortalecendo a sustentabilidade da atividade.

Cultivares validadas e recomendadas pelo Incaper

As pesquisas em sistema orgânico utilizam materiais genéticos que integram o conjunto de cultivares validadas pelo Incaper para as condições de cultivo do Espírito Santo.

Os estudos dão continuidade ao projeto “Novas cultivares de café arábica para o Espírito Santo”, desenvolvido pelo Incaper com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e de parceiros da iniciativa privada.

O projeto avaliou cultivares em diferentes regiões produtoras do Estado, considerando critérios como produtividade, adaptação às condições locais, resistência a doenças e qualidade da bebida. A recomendação oficial dos materiais com melhor desempenho foi feita em maio de 2025, com o lançamento da cartilha “Café Arábica: Cultivares Validadas para o Estado do Espírito Santo”.

A publicação reúne informações técnicas sobre materiais adaptados às condições capixabas e serve como referência para produtores e técnicos na escolha das cultivares mais adequadas para cada região produtora.

Acesse a publicação: Cartilha Café Arábica: Cultivares Validadas para o Estado do Espírito Santo 

Assita ao vídeo: Indicação de Cultivares de Café Arábica para o ES


fonte e foto Incaper

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