A rotina de jovens de Jabaeté, em Vila Velha, ganhou uma nova opção de esporte e convivência com o início do Projeto Cesta do Futuro. As atividades começaram no fim de setembro, na UMEF Prefeito Vasco Alves, e oferecem gratuitamente a cerca de 150 alunos da rede pública de ensino a oportunidade de conhecer e praticar o basquete 3×3.

Projeto Cesta do Futuro atende cerca de 150 alunos em Jabaeté e utiliza a modalidade olímpica para estimular convivência, disciplina e desenvolvimento social
Realizado pela Associação Esportiva Praia, o projeto atende estudantes de 13 a 19 anos e tem como proposta utilizar o esporte como ferramenta de formação social e educacional. Mais do que ensinar os fundamentos da modalidade, as atividades buscam estimular disciplina, respeito, cooperação, convivência e a ocupação qualificada do tempo no contraturno escolar.
Os efeitos da iniciativa já aparecem também fora das quadras. Para Luana de Souza, mãe de Nicolas Emanuel Emerique e tia de Rhuan Ferraz Emerique, dois participantes do projeto, a experiência tem sido uma oportunidade de desenvolvimento para os adolescentes e de aproximação da família com a rotina esportiva.
“Esse projeto é muito bom para desenvolver a atividade física, ter interação com as outras crianças e adquirir habilidades que vão levar até para depois de adultos”, afirmou Luana, que acompanha o filho e o sobrinho durante os treinamentos.
Segundo ela, a presença da família também é importante durante essa fase de desenvolvimento. “Acho que a participação dos pais e da família nessa fase de desenvolvimento também é fundamental para os meninos”, destacou.
Do futebol para o basquete
A chegada ao basquete representou uma mudança de modalidade para Nicolas, que antes praticava futebol. Durante um dos treinamentos, o jovem mostrou desenvoltura nas atividades e contou que vem se adaptando cada vez mais ao novo esporte.
“Antes eu treinava futebol, mas hoje em dia saí do futebol e estou no basquete”, contou.

Rhuan também se mostrou animado com a experiência. Depois de marcar nove cestas durante uma atividade, o jovem afirmou que vem gostando dos treinamentos, embora ainda mantenha a preferência pelo futebol.
As histórias dos dois estudantes representam um dos objetivos do Cesta do Futuro: ampliar o contato dos jovens com uma modalidade que ainda não fazia parte da rotina deles e criar novas possibilidades de convivência e aprendizado por meio do esporte.
Para o professor Kauan Martins, que atua no projeto, o trabalho também ganha importância por ser desenvolvido em uma região onde os jovens estão expostos a diferentes situações de vulnerabilidade.
“É gratificante fazer um trabalho nessa região, que tem todas as suas preocupações e perigos, mas com meninos que são do bem, de coração bom. O projeto tem esse intuito de tirar eles das ruas e incluir no esporte, e isso tem sido muito bom para mim e para todos eles também”, afirmou.
Meninas também são protagonistas
Embora as turmas tenham atualmente uma maioria masculina, o projeto também conta com a participação de meninas. Aos 13 anos, Helena Loyola Alvarenga encontrou no basquete uma nova oportunidade de fazer amizades e mudar sua rotina.
“Quando eu não fazia o esporte, eu ficava só trancada dentro do quarto em casa. Agora que estou vindo treinar, eu faço mais amigos”, contou.
Ana Beatriz Rocha de Souza, de 12 anos, também descobriu no Cesta do Futuro uma modalidade que não conhecia. Antes de começar os treinamentos, ela praticava futsal. Agora, afirma estar cada vez mais envolvida com o basquete.
“Antes de entrar aqui, eu jogava futsal. Eu não conhecia o basquete e não pensava que iria me apaixonar por esse esporte. A cada dia que passa eu me sinto melhor nos fundamentos e jogando basquete”, relatou.
A participação das duas estudantes reforça a proposta de ampliar o acesso ao esporte e criar um ambiente de inclusão, independentemente de gênero ou experiência anterior com a modalidade.
De olho na evolução
Entre os participantes também está Guilherme Alves, de 17 anos. Com o cabelo black power e a bola de basquete nas mãos, o jovem inevitavelmente lembra um dos maiores nomes do basquete brasileiro: Anderson Varejão, que teve passagens pela Seleção Brasileira e pela NBA.
A inspiração, porém, não está necessariamente no estilo do ex-jogador. Guilherme conta que acompanha o basquete há pouco tempo e que ainda está conhecendo a trajetória de grandes atletas da modalidade.
“Eu gosto muito do estilo mesmo. Eu nunca vi o Varejão jogar, pois sou novo no basquete, acompanho há pouco tempo o esporte, mas claro que sei quem ele é”, disse.
Apesar do pouco tempo de contato com a modalidade, Guilherme afirma que já percebe evolução desde que começou a treinar. “Todo trabalho que fazemos é essencial para um atleta de alto nível, eu acho. Cheguei aqui há um ano, evoluí bastante, o professor nos ajuda muito e está sendo muito massa fazer parte disso”, relatou.
O Cesta do Futuro segue com atividades às quartas e sextas-feiras, das 18h às 21h, na UMEF Prefeito Vasco Alves. O projeto está previsto para ser realizado até dezembro e, além da prática esportiva, busca fortalecer vínculos entre os participantes, suas famílias e a comunidade.