Novo Desenrola para quem ganha até R$ 8,1 mil

Novo Desenrola para quem ganha até R$ 8,1 mil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (4) que o novo Desenrola Brasil pretende ajudar a população a “tirar a corda do pescoço” e recuperar acesso ao crédito.

Ele ponderou, durante a cerimônia de lançamento do programa em Brasília, que dívidas só podem trazer benefícios, quando ocorrem de forma responsável e compatível com a renda de cada pessoa.

Será possível negociar débitos do cartão de crédito e cheque especial. FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

A iniciativa é voltada à população que ganha até cinco salários mínimos, hoje R$ 8.105. Será possível negociar débitos do cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.

“As pessoas não deveriam gastar mais do que podem pagar. Pode ser bom para a pessoa se endividar para comprar uma coisa para casa, ou para trocar de carro; comprar um terno novo ou um brinquedo para o filho. Mas é também importante que as pessoas façam suas dívidas sem perder de vista a sua condição de pagamento.”


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Nome limpo na praça

Segundo o presidente, o governo pretende, com as medidas anunciadas, permitir às pessoas “tirar a corda do pescoço” e respirar com mais tranquilidade, ao voltar a ter o nome limpo na praça.

“Não é correto a pessoa estar com o nome sujo no Serasa por causa de uma dívida de R$ 100 ou R$ 200. Isso não tem lógica. Aí, o mercado transforma esse cidadão em um clandestino, porque ele não pode mais comprar nada a crédito, nem ter conta em banco.”

De acordo com o presidente, esse tipo de restrição acaba excluindo o cidadão do sistema financeiro formal, impedindo o acesso ao crédito e até a serviços bancários.

“Ou seja, ele vira um freguês da bandidagem, da agiotagem, pagando um juro ainda mais escorchante”, acrescentou ao explicar que um fundo garantidor ajudará as pessoas nas negociações das dívidas com instituições financeiras, mas que, para isso ocorrer, a população endividada não poderá fazer apostas online pelo prazo de um ano.

“A pessoa não pode continuar jogando em bets. Estamos proibindo que, durante um ano, as pessoas gastem seus recursos com jogos. AGÊNCIA BRASIL

Proposta com diretrizes para o Orçamento 2027 chega à Assembleia do ES

Proposta com diretrizes para o Orçamento 2027 chega à Assembleia do ES

Já chegou à Assembleia Legislativa (Ales) a proposta que define as diretrizes para elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2027. Encaminhado pelo Poder Executivo, o Projeto de Lei (PL) 286/2026 estabelece os parâmetros para equilíbrio entre receita e despesa e define as metas fiscais do próximo ano, além de avaliar os principais riscos fiscais para o próximo exercício financeiro. 

Projeto também elenca os programas prioritários de governo 

A proposta traz uma previsão para 2026 de receita total de R$ 32,3 bilhões, que, descontado o montante de aplicações financeiras e operações de crédito (R$ 2,5 bi), resulta na receita primária de R$ 29,7 bi. No lado das despesas, a LDO prevê um total de R$ 32,7 bilhões, que, sem o reservado para juros, encargos e a amortização da dívida pública, contabiliza R$ 31,4 bi de despesa primária. 

Portanto, o Poder Executivo trabalha com a projeção de um déficit primário de R$ 1,6 bilhão no próximo ano. Para 2028 e 2029, a proposta projeta superávits primários de R$ 53 milhões e R$ 545 milhões, respectivamente, com receitas totais de R$ 33,1 bilhões e R$ 35,6 bi.

Programas prioritários 

No obrigatório anexo de prioridades e metas, o Executivo estadual elenca para 2027 programas nas áreas de agricultura e meio ambiente; desenvolvimento e turismo sustentável; educação, esporte e cultura; emprego trabalho e renda; infraestrutura; proteção social e direitos humanos; redução da desigualdade social; e segurança pública e justiça.

Em mensagem aos deputados, o governador Ricardo Ferraço (MDB/ES) frisou a relação entre a responsabilidade fiscal e as entregas à população. “A gestão fiscal responsável e o equilíbrio das contas públicas constituem pilares fundamentais no processo que garante as entregas à sociedade, sendo o planejamento orçamentário um instrumento essencial para construção da igualdade de oportunidades para os cidadãos, expansão e melhoria dos serviços públicos e melhoria da qualidade de vida da população”, afirma.

Regras e prazos

A matéria que define as diretrizes orçamentárias tem tramitação peculiar na legislação brasileira, conforme reafirma também o Regimento Interno da Ales. Após debate e análise na Comissão de Finanças, a matéria segue para votação em Plenário, geralmente nas últimas semanas do primeiro semestre. Enquanto o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não for votado não se inicia o recesso de julho do parlamento.

A LDO é a norma elo entre o Plano Plurianual (PPA) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de fato. Ao estabelecer as metas e as prioridades, ela orienta o processo de elaboração legislativa da LOA no segundo semestre conforme os limites fiscais até lá vigentes. 

Na gestão da dívida pública estadual, cabe à LDO fixar as regras para despesas com pessoal e encargos sociais e também para alterações na legislação tributária. Além disso, ela define a política de aplicação de recursos de fomento, geridos pelo Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

O PL 286/2026 confirma o prazo de 10 de setembro de 2026 para Judiciário, Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Ministério Público e Defensoria Pública encaminharem à Secretaria de Estado de Economia e Planejamento suas respectivas propostas orçamentárias, para fins de consolidação da proposta de Lei Orçamentária.

Arranjos Produtivos: mais de 200 agroindústrias e associações foram regularizadas no ES

Arranjos Produtivos: mais de 200 agroindústrias e associações foram regularizadas no ES

Além de levar conhecimento, apoio técnico e insumos para o homem e a mulher do campo, o projeto Arranjos Produtivos é uma “mão na roda” na formação de agroindústrias, ajudando a agregar valor à produção, e na organização dos trabalhadores em associações, para que eles possam atuar de forma coletiva. 

Apoio do Arranjos na certificação do café Bela Vista fez o produto de Carolini ganhar mercado / Foto: Arquivo Pessoal

Desde o início do projeto, em 2023, foram mais de 200 agroindústrias e associações que a iniciativa da Assembleia Legislativa (Ales) ajudou a constituir ou regularizar. 

De Rio Novo do Sul, Região Sul do Espírito Santo, vêm dois bons exemplos do apoio do Arranjos. Carolini de Freitas Menegardo, proprietária do Bela Vista Café Especial, conta que começou com a marca em 2023, sendo pioneira no café especial no município. Naquele mesmo ano, fez o “lote teste” e, em 2024, entrou definitivamente no mercado de cafés especiais.

“A nossa maior dificuldade foi conseguir regularizar o café para ter mais mercado. No início a gente vendia só para o consumidor final, mas com o passar dos anos veio a demanda para entrar em supermercados, conveniências, delicatessens e nos mercados digitais. Para isso, a gente precisava se certificar e era muito difícil procurar essa informação e as pessoas que pediam para fazer isso cobravam um valor alto e a gente não sentia confiança nelas”, relata.

Nesse cenário entrou o trabalho de Alessandra Vasconcelos Albergaria, consultora de Agroindústria do Arranjos Produtivos. “Ela fez todo o processo de rotulagem dos cafés. Hoje, ele está todo certificado para entrar em qualquer mercado. (…) Estamos vendendo também pela Shopee e temos e-commerce próprio no nosso site. A gente pode comercializar para o Brasil todo. (…) E foi muito rápido esse processo com a Alessandra, e gratuito. Já estamos pensando em ter a nossa própria torrefação”, afirma.

Quem também recebeu o auxílio do Arranjos e viu seu negócio deslanchar foi Drielem Perim Zambe, dona da IceDri Sorvetes e Picolés Artesanais Juçara. A empreendedora começou a produção de forma artesanal, buscando valorizar a juçara, uma palmeira que produz frutos roxos semelhantes ao açaí. “Com o tempo fui aprimorando a produção de sorvetes e trabalhando com a polpa, sempre com foco na qualidade e na valorização da agricultura familiar”, diz.

Entretanto, Drielem enfrentou dificuldades em seu negócio na parte de estrutura, regularização e orientação técnica, e foi aí que o atendimento dos técnicos do Arranjos Produtivos fez toda a diferença. “Eles ajudaram a esclarecer dúvidas e a organizar melhor o processo produtivo. A regularização do espaço está em andamento, com avanços importantes graças a esse acompanhamento”, frisa.

Essas duas mulheres de sucesso são unânimes em recomendar o trabalho do projeto. “O Arranjos faz toda a diferença para quem está começando ou enfrentando dificuldades, porque oferece suporte, orientação e incentiva o crescimento dos pequenos empreendedores, fortalecendo toda a cadeia da juçara”, comenta Drielem. 

“A gente indica e recomenda o projeto, porque foi através dele que a gente conseguiu atingir os mercados e aumentar a nossa renda por conta dos registros. Hoje, a gente consegue comercializar a maior quantidade de produtos. E, principalmente, o Arranjos tem profissionais adequados e capacitados para atender, e muito humanos”, reforça Carolini.

Regularização

Alessandra menciona que, até o momento, o projeto Arranjos Produtivos atendeu 103 estabelecimentos e que 65 agroindústrias foram regularizadas. As principais áreas foram: torrefação e moagem de café (pó de café), polpa de frutas e leite e derivados (em especial, queijo e iogurte).

Duas consultoras atuam nos 36 municípios abrangidos pelo projeto: uma é a responsável pelas regiões Noroeste e Norte; e a outra pelo Sul e Caparaó. Em cada região existe um mobilizador e em cada município tem um técnico, são essas pessoas que têm contato direto com o produtor e trazem as demandas para as consultoras organizarem as agendas de atendimento.

“As consultorias são realizadas de forma presencial, e as visitas técnicas são para avaliação do terreno, ou local de produção, medição dos estabelecimentos etc. De forma remota, realizamos a elaboração dos documentos técnicos, como requerimentos, projetos de adequação ou construção das agroindústrias (plantas baixas), rotulagem do produto (tabela nutricional e demais dizeres técnicos) e outros documentos, a depender da necessidade de cada agroindústria”, explica. 

Para a consultora, a maior dificuldade que os empreendedores enfrentam está relacionada ao acesso ao recurso financeiro para adequação ou construção dos espaços para atender a legislação sanitária referente à produção de alimentos.

Alessandra ressalta que a regularização das agroindústrias traz uma série de benefícios, como aumento da renda, agregação de valor ao produto, melhoria na qualidade, identificação da marca por meio dos rótulos, possibilidade de emissão de notas fiscais e ampliação da segurança jurídica e sanitária.

“Essa regularização permite que o produtor deixe a informalidade e acesse novos mercados. Com o registro sanitário, é possível vender para supermercados, mercearias e participar de licitações públicas, como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos)”, salienta.

Associação

Outro braço do projeto ajuda na constituição e regularização de instituições. Já foram 139 até o momento, entre institutos, associações e cooperativas. A maior parte delas (116) são de associações compostas por agricultores familiares, como esclarece João Passos, consultor de Associativismo e Cooperativismo do Arranjos Produtivos. 

“Os produtores nos procuram demais. Muitos têm falta de conhecimento ou uma associação que foi criada sem objetivos. A regularização traz várias vantagens. Eles se tornam mais independentes, mais recursos chegam para o coletivo e ainda podem participar dos projetos em programas governamentais”, enfatiza.

Um dos agricultores apoiados pelo projeto é Matheus Pancieri Sellin, que produz café e limão. Em julho de 2025, foi formalizada a Associação Princesa do Campo, em Montanha, que já conta com três produtores. Ele fala que conheceu o Arranjos pelas redes sociais e se interessou pela iniciativa. 

“Recebemos orientação técnica para construção de ata saneadora para regularização da associação. A maior dificuldade era ter a formação técnica para elaboração dessa ata e conseguimos com o Arranjos Produtivos, por isso recomendo fazer parte do projeto”, destaca.

Segundo a secretária da Casa dos Municípios, Joelma Costalonga, o projeto opera na regulamentação das associações em várias vertentes, como na formalização jurídica, organização administrativa, acesso a políticas públicas e enquadramento em programas como economia solidária (via Aderes). Isso permite que os associados tenham acesso a crédito, participem de editais e comercializem seus produtos.

Já no suporte às agroindústrias, o projeto oferece consultoria técnica especializada, apoio à legalização e licenciamento, orientação estrutural (instalações, produção e normas sanitárias) e melhoria de processos e agregação de valor. “O foco é transformar a produção primária em produto com valor agregado (queijo, derivados etc)”, conclui. fonte Por Gleyson Tete ales

Palestra no ESTour vai ensinar como o ES pode se inspirar no Atacama para impulsionar o turismo

Palestra no ESTour vai ensinar como o ES pode se inspirar no Atacama para impulsionar o turismo

O que o Espírito Santo pode aprender com um dos destinos mais desejados do planeta? A resposta promete provocar e surpreender quem passar pelo ESTour – Salão do Turismo Capixaba, que será realizado entre os dias 25 e 28 de abril, na área do Aeroporto de Vitória. Durante o evento, no sábado (25), o consultor e palestrante de turismo Richard Alves, que é especialista em estratégias para negócios e destinos turísticos e sócio-consultor da Lab Turismo, vai mostrar, na prática, como as experiências desenvolvidas no Deserto do Atacama, localizado no norte do Chile, um dos destinos mais emblemáticos do mundo, podem inspirar o turismo capixaba.

Nesse contexto, o ESTour nasce como um evento inédito no Brasil

Embora estejam em contextos geográficos completamente distintos, o Espírito Santo e o Deserto do Atacama compartilham um ponto estratégico em comum: ambos possuem uma diversidade de cenários capazes de ir além da contemplação e se transformar em vivência. Se no Atacama o visitante é convidado a viver experiências como observar o pôr do sol no Valle de la Luna, flutuar nas lagoas de águas salinas, contemplar gêiseres em atividade, fazer tours astronômicos sob um dos céus mais limpos do planeta e interagir com comunidades locais em San Pedro de Atacama, no território capixaba essa mesma lógica pode ser aplicada nas montanhas, no litoral, nas comunidades tradicionais e na força da gastronomia.

“Do agroturismo nas regiões serranas às experiências à beira-mar, passando por roteiros culturais e religiosos, o Espírito Santo reúne elementos que, se organizados sob a ótica da experiência, têm potencial para encantar e fidelizar o turista de forma muito mais profunda”, afirma Richard, que já foi secretário de Turismo de Porto Seguro e presidente da Associação Nacional dos Secretários Municipais de Turismo. Também atuou como diretor do GPS Hotéis e Resorts, diretor da Barcelona Media Inovação Brasil e coordenador de projetos de turismo do Sebrae na Bahia.

Mais do que grandes investimentos estruturais, o Atacama se tornou um grande destino turístico mundial a partir da atuação de pequenos negócios, como pousadas, agências locais e restaurantes, que passaram a oferecer serviços personalizados, acolhedores e centrados na experiência do visitante. São iniciativas que apostaram em roteiros autorais, atendimento próximo e na construção de jornadas que despertam emoção e conexão com o lugar.

“Por lá, quem vive do turismo entendeu que o turista não quer apenas visitar um destino, ele quer viver esse destino. E, muito além de contemplar cenários únicos, como vales áridos e lagoas altiplânicas no Atacama, ou as dunas de Itaúnas e a Pedra Azul, no Espírito Santo, o visitante busca experiências cuidadosamente desenhadas: imersões culturais com comunidades locais, roteiros sensoriais e atendimentos personalizados que transformam cada detalhe da viagem em memória”, explica Richard.

Ao trazer exemplos práticos de um dos destinos mais desejados do mundo, Richard fará um convite aos empreendedores capixabas a olharem para o Espírito Santo com mais estratégia e sensibilidade. Afinal, se no Atacama o segredo foi transformar paisagem em experiência, talvez o próximo passo do turismo capixaba seja transformar o que já tem — e tem muito — em algo simplesmente inesquecível.

Nesse contexto, o ESTour nasce como um evento inédito no Brasil e como uma das principais estratégias para impulsionar o setor do turismo no Estado. Com mais de 542 agentes de viagens de todos os estados confirmados, o evento busca posicionar o Espírito Santo não apenas como mais um destino, mas como protagonista no mercado nacional. Na plateia, estarão empresários do turismo, agentes de viagem e players de diferentes segmentos, como agências, hotelaria, passeios, aviação e transporte rodoviário, formando um ambiente estratégico de negócios e troca de experiências.

“O evento foi estruturado com foco na geração de negócios e na vivência prática do destino. No ESTour, serão montadas réplicas de pontos turísticos icônicos, como o Convento da Penha e o Buda Gigante, além de experiências interativas que passam pelo agroturismo, gastronomia e cultura capixaba, da colheita de morangos ao preparo da moqueca e ao tradicional tombo da polenta”, destaca Alfonso Silva, presidente da Cooperativa de Eventos e Turismo do Espírito Santo (Cooptures).

O superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo, destaca que o estado está se reposicionando. “A imagem do Espírito Santo vem sendo fortalecida de dentro para fora, e está ultrapassando nossas fronteiras. Tudo isso é resultado de uma estratégia bem definida e bem executada, que vem tornando o destino ES cada vez mais desejado pelo resto do país”.

O ESTour é uma realização da Cooptures, em correalização com o Sebrae/ES e a Secretaria de Estado do Turismo, e conta com o apoio do Contures e da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio-ES. O acesso ao evento é exclusivo para profissionais do setor, mediante credenciamento prévio.

Serviço

ESTour – Salão Capixaba do Turismo
Data: 25 a 28 de abril
Local: Aeroporto de Vitória
Programação completa, informações e credenciamento, acesse o site oficial do evento: https://estour.com.br/
O acesso ao evento é exclusivo para profissionais do setor, mediante credenciamento prévio.
Instagram: @estourcapixaba

STF tem 2 votos para manter preso ex-presidente do BRB no caso Master

STF tem 2 votos para manter preso ex-presidente do BRB no caso Master

Os ministros André Mendonça e Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram nesta quarta-feira (22) por manter a prisão do ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Votaram os ministros André Mendonça e Luiz Fux

A votação ocorre em sessão virtual da Segunda Turma e ficará aberta até as 23h59 da próxima sexta-feira (24). Além de Mendonça e Fux, o colegiado é integrado pelos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Nunes Marques.

Na semana passada, a Polícia Federal (PF) deflagrou a quarta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master e a tentativa de compra da instituição financeira pelo BRB, banco público controlado pelo governo do Distrito Federal.

De acordo com as investigações, Paulo Henrique Costa teria combinado com o banqueiro Daniel Vorcaro o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina. O valor seria repassado por meio de imóveis.

Após a prisão, a defesa do ex-presidente negou que Costa tenha recebido valores indevidos durante o período em que comandou o banco público.

Ex-presidente do BRB acertou propina de R$ 146 mi, diz Polícia Federal

O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa teria combinado com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o recebimento de propina estimada em R$ 146,5 milhões. A informação consta na decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prisão de Costa realizada hoje (16) pela Polícia Federal, na quarta fase da Operação Compliance.

O valor seria recebido por meio de quatro imóveis de alto padrão em São Paulo e dois em Brasília. A Polícia Federal disse ter rastreado, até o momento, o pagamento de ao menos R$ 74 milhões. 

O restante da propina só não teria sido pago em razão de Vorcaro ter descoberto a abertura de procedimento investigatório na PF justamente sobre os pagamentos feitos a Costa. Segundo os investigadores, o banqueiro travou os repasses após ser informado sobre tal procedimento sigiloso

Ainda segundo a PF, Vorcaro recebeu de seu funcionário Felipe Mourão, em 24 de junho de 2025, uma cópia da investigação, por meio do aplicativo WhatsApp. 

A data é posterior à interrupção dos pagamentos, feita em maio, mas Mendonça deu crédito à versão da PF, afirmando que “o conjunto de elementos informativos colhidos até o momento aponta a alta probabilidade de que ele tenha tido ciência da instauração do procedimento antes do recebimento das respectivas cópias”.

Além de Costa, foi preso também o advogado Daniel Monteiro, apontado como seu testa de ferro e que teria recebido, pessoalmente, R$ 86,1 milhões em proveito ilegal.  

A prisão preventiva dos dois foi feita com base na “permanência dos atos de ocultação patrimonial, o risco de interferência na instrução, a possibilidade de rearticulação da engrenagem financeira e jurídica do esquema, além da necessidade de assegurar a ordem pública, a ordem econômica e a efetividade da persecução penal”, escreveu Mendonça. 

A contrapartida para a propina seria que Paulo Henrique Costa usasse os recursos do BRB, banco controlado pelo governo do Distrito Federal, para comprar carteiras de crédito falsas do Banco Master. 

Até o momento, sabe-se que ao menos R$ 12,2 bilhões em carteiras ruins foram comprados, mas o número exato ainda não foi apresentado pelo BRB e pode ser maior. 

Desde que foi deflagrada, a Compliance Zero investiga a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB. 

Setor produtivo do ES alerta para impacto econômico de julgamento do STF sobre royalties do petróleo

Setor produtivo do ES alerta para impacto econômico de julgamento do STF sobre royalties do petróleo

A poucos dias do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que pode alterar a distribuição dos royalties do petróleo no país, o setor produtivo do Espírito Santo acende um alerta para os impactos diretos na economia estadual. A análise está marcada para 6 de maio e pode redefinir o volume de recursos destinados aos estados produtores.

O julgamento do STF sobre royalties do petróleo. FOTO FINDES

O Fórum de Entidades e Federações do Espírito Santo (FEF), que reúne representantes da indústria (FINDES), comércio e serviços (FECOMÉRCIO), agricultura (FAES) e transporte (FETRANSPORTES), além do ES EM AÇÃO, defende a inconstitucionalidade da Lei nº 12.734/2012 e pede a manutenção das regras atuais. A avaliação é de que mudanças na distribuição podem reduzir receitas e comprometer investimentos públicos no Estado.

Dados do OBSERVATÓRIO FINDES mostram o peso do setor de petróleo e gás na economia capixaba: a atividade responde por 5,1% do PIB, representa 21,4% da indústria estadual e gera mais de 17 mil empregos formais. Para o Fórum, uma eventual perda de receitas pode afetar diretamente áreas como infraestrutura, serviços públicos e geração de oportunidades.

A entidade argumenta que os royalties têm natureza compensatória, prevista na Constituição, justamente para mitigar os impactos da atividade nos estados produtores. Na avaliação do FEF, a redistribuição proposta pela legislação em análise rompe esse princípio ao desvincular receitas dos territórios que concentram os riscos e custos da exploração.

Outro ponto levantado é o possível efeito sobre o ambiente de negócios. Segundo o Fórum, mudanças nas regras podem gerar insegurança jurídica e desestimular investimentos na cadeia de petróleo e gás — setor considerado estratégico para o desenvolvimento do Estado e do país.

O Espírito Santo também é citado como exemplo de uso responsável desses recursos. A criação do Fundo Soberano estadual é apontada como iniciativa que transforma receitas do petróleo em desenvolvimento de longo prazo, com foco em diversificação econômica e sustentabilidade fiscal.

Diante desse cenário, o FEF reforça a importância do diálogo institucional e do acompanhamento do tema junto ao Supremo Tribunal Federal, em defesa da manutenção do modelo atual de distribuição. Para o setor produtivo, a decisão da Corte terá impacto direto não apenas na arrecadação, mas também no ritmo de crescimento econômico e na capacidade de investimento do Espírito Santo.

Confira o posicionamento na íntegra: https://findes.online/posicionamentofef 

Fonte Anderson Barollo – Findes 

Brasil já tem 4,5 milhões de empreendedores da Economia Prateada

Brasil já tem 4,5 milhões de empreendedores da Economia Prateada

O Brasil soma 4,5 milhões de empreendedores da chamada Economia Prateada, que reúne os maiores de 60 anos. O número cresceu 58,6% na última década, de acordo com o Sebrae Nacional. A entidade desenvolve programas voltadas para o chamado empreendedorismo sênior, focado em apoiar o público nesta faixa etária que deseja investir em negócios próprios.  

População 60+ empreende cada vez mais para permanecer ativa

Em 2025, o programa atendeu 869 mil pessoas e a meta para 2026 é chegar a 1 milhão. A gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+, Gilvany Isaac, descreve esse crescimento como uma “onda forte”, em razão do desejo desse público em permanecer ativo. 

“Existe uma possibilidade de carreira, de continuidade. Tenho visto que as pessoas de 60 anos se identificam com  um propósito. Elas querem algo que tenha a ver com a sua experiência, mas que resolva também problemas da comunidade”, aponta Gilvany. 

Raízes fortes 

Soure (PA), 09/010/2025 - A bordadeira Maria da Cruz mostra o pequeno ateliê onde produz peças reconhecidas nacionalmente. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Bordadeira no Pará trabalha com a moda marajoara – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Gilvany relata que, ao longo do programa, percebeu uma vocação deste público em trabalhar com saberes tradicionais e vocações locais. Seja no artesanato, na cultura de sementes ou de ervas medicinais. No Sul por exemplo, ela destaca a produção de artesanato a partir de redes de pesca, por mulheres de comunidades pesqueiras.  

“A gente vê que a geração 60+ tem esse cuidado com o planeta, porque viu muita transformação. Onde a gente está caminhando, percebemos essa responsabilidade sobre integrar, ou seja, manter esse planeta vivo do jeito que a pessoa conheceu”, conta Gilvany. 

Dentre os setores que este público mais se interessa em empreender destacam-se turismo, comércio e serviços. O Sebrae oferece aos empreendedores mentorias e consultorias, tanto para orientar quem quer ser empreendedor, quanto para quem deseja abrir um negócio focado no consumidor 60+.  No programa, a participação dos idosos é alta e o índice de desistência, reduzido.  

“Eles são muito participativos. O Sebrae faz todo o projeto adequado às necessidades do empreendedor maduro que quer curtir a vida, sem dedicar todo o seu tempo disponível ao negócio”, explica.  

O suporte é gratuito, desde o desenho da jornada, até cursos e atendimentos individuais. São promovidos ainda eventos para fortalecer a rede de empreendedores, estimulando a troca de experiências.  

Transformação do mercado 

Aliado ao desejo de empreender, o crescimento dos negócios comandados pelos 60+ está relacionado também às transformações populacionais e, por consequência, do mercado de trabalho. 

 O aumento da expectativa de vida ao nascer – que era e 62,6 anos em 1980 e passou para 76,4 anos em 2023 –  impactou o mercado de trabalho para a chamada Geração Prateada (60+). 

Atualmente, um quinto da população brasileira em idade para trabalhar é composta por este grupo, aponta estudo da pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Janaína Feijó .

As maiores proporções de idosos na População em Idade Ativa (PIA) em 2024 estavam nos estados do Rio de Janeiro (24,1%), Rio Grande do Sul (23,7%) e São Paulo (21,7%). As menores proporções foram encontradas em Roraima (12%), Acre (12,4%) e Amazonas (13%). 

“Ao contrário de estereótipos antigos que associavam o envelhecimento à inatividade ou à dependência, a Geração Prateada é marcada por um perfil mais saudável, engajado e consumidor”, destaca Janaína. 

Ela destaca dois perfis entre os idosos economicamente ativos: os que trabalham por uma necessidade de renda e os que permanecem nos postos de trabalhar para manterem-se ativos e com vínculos profissionais. 

Brasília (DF), 19/04/2026 - Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A pesquisadora destaca que o etarismo – a discriminação aos mais velhos – é um dos grandes empecilhos à manutenção dos 60+ no mercado de trabalho. Ela reafirma a necessidade de se combater esse preconceito tanto na sociedade, quanto nas empresas. 

“O que acontece no Brasil é que a população está envelhecendo e não dispõe de jovens para repor essa mão-de-obra, que está envelhecendo. Se a gente não contar com a mão-de-obra 60+, no fim das contas, a gente está prejudicando o crescimento econômico do país”.  

A pesquisadora aponta o empreendedorismo como um caminho para aqueles que já se aposentaram, mas desejam permanecer ativos.   Ela ressalta, entretanto, a importância de que o empreendedor 60+ se formalize para não estar em uma situação de vulnerabilidade. 

Brasília (DF), 19/04/2026 - Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Economia prateada, a economia liderada por pessoas com 60+. Marcelo Camargo/Agência Brasil

Edição: – Amanda Cieglinski

Deputados do ES exaltam café capixaba e destaque do produto na economia

Deputados do ES exaltam café capixaba e destaque do produto na economia

No dia 14 de abril é comemorado o Dia Mundial do Café. Para marcar a data, os deputados Coronel Weliton (DC/ES) e Janete de Sá (PSB) usaram a tribuna da Assembleia Legislativa (Ales) para homenagear os cafeicultores capixabas durante a sessão ordinária desta terça-feira (14/04).

Produzido em 68 dos 78 municípios do ES, Janete considera café o “motor” da economia no estado.

“O Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil com 67% da produção nacional e é o segundo em arábica, além de quantidade, o Estado sabe produzir com qualidade. Os cafés estão sempre entre os 10 melhores do Brasil na Semana Internacional do Café, que ocorre anualmente em Belo Horizonte”, disse Coronel Weliton.

O parlamentar ressaltou que o café representa uma das maiores fontes de renda e emprego no Estado. “Esse recurso oriundo do café é revertido em investimentos, melhoria da qualidade de vida das famílias e impostos, porque compram eletroeletrônicos, móveis etc. Precisamos cada vez mais investir recursos públicos na cafeicultura, inclusive, para adquirir cafés especiais para motivar os produtores do Estado”, afirmou.

Coronel Weliton ainda apontou que a produção capixaba gira em torno de 20 milhões de sacas de café por ano e considerou a necessidade de mais investimentos em infraestrutura para auxiliar os produtores. “O Estado sem o café não seria o mesmo em condições de arrecadação e infraestrutura, por isso é preciso pensar nas estradas rurais, precisamos de redes de dados e melhoria na qualidade da eletrificação rural”, salientou.

Quem também tratou do tema foi a deputada Janete, que já presidiu a Comissão de Agricultura da Casa. Ela destacou que o café não é apenas uma commodity, mas um “motor” da economia do Espírito Santo e que faz parte da identidade do povo capixaba, estando presente em 68 dos 78 municípios. 

“Somos o maior produtor do país em conilon, contribuímos com 70% da produção no Brasil. É uma cifra expressiva, o café contribui para alavancar nossa economia, com os espaços de empregabilidade nas regiões rurais do Espírito Santo. São diversas famílias que estão envolvidas diretamente na produção de conilon e arábica, e estamos avançando na produção de cafés especiais para agregar valor no produto”, disse.

De acordo com a parlamentar, na Semana Internacional do Café de Belo Horizonte, em 2025, das 15 premiações de cafés especiais, 11 foram para produtores capixabas. “O primeiro lugar no melhor conilon do mundo é de Santa Teresa, de uma jovem produtora, Carolinna Bridi. Fica meu agradecimento aos nossos produtores rurais, esses guerreiros e guerreiras que trabalham na roça debaixo de sol e chuva, produzindo essa riqueza capixaba”, concluiu Janete de Sá.

Ordem do Dia

Durante a fase da Ordem da Dia da sessão desta terça-feira, deputados estaduais membros da Comissão de Justiça votaram e aprovaram em regime de urgência três Projetos de Decreto Legislativo (PDLs), do presidente Marcelo Santos (União), que concedem títulos de Cidadania Espírito-Santense. Os PDLs 24, 25 e 26 de 2026 reconhecem a honraria para Kmilla Moreira Xavier, Mauricio Maia Cretella e Roberta Atherton Magalhães Dias, respectivamente. Com ales

22° edição da Ruraltur acontece em Santa Teresa (ES), entre os dias 16 e 18 de abril

22° edição da Ruraltur acontece em Santa Teresa (ES), entre os dias 16 e 18 de abril

De 16 a 18 de abril, o município de Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, recebe a 22ª edição da Ruraltur, maior feira gratuita de turismo rural do Brasil. Realizado no Parque de Exposições, o evento irá reunir empreendedores, produtores, especialistas e visitantes em uma programação voltada à valorização do interior e à geração de negócios.

De volta ao Espírito Santo, maior feira gratuita de turismo rural do Brasil reúne empreendedores de vários estados e destaca potencial de geração de renda no interior. foto divulgação

Após sete anos, o Espírito Santo volta a ser o centro das atenções do turismo rural ao sediar a feira. A última edição realizada no estado aconteceu em 2019, em Venda Nova do Imigrante, e registrou mais de 15 mil visitantes vindos das regiões Metropolitana, Norte, Noroeste, Sul e das Montanhas Capixabas, além de participantes de outros estados brasileiros e do exterior. Ao todo, foram 383 expositores distribuídos em 75 estandes.

Os números evidenciam a força de um segmento que deixou de ser nicho para ganhar protagonismo nas tendências de viagem, impulsionado pela busca por experiências autênticas, contato com a natureza e valorização da gastronomia regional.

Com a participação de expositores de diferentes cidades brasileiras, a feira se consolida como uma vitrine nacional para experiências ligadas ao turismo rural, reunindo gastronomia, artesanato, cultura e roteiros turísticos em um só espaço. Além da exposição, a programação inclui palestras, workshops, rodadas de negócios e apresentações culturais.

Para Pedro Rigo, superintendente do Sebrae/ES, correalizador da iniciativa, a Ruraltur representa uma oportunidade estratégica para fortalecer pequenos negócios e impulsionar o desenvolvimento regional. “A realização da Ruraltur no Espírito Santo é uma oportunidade estratégica para o fortalecimento da economia estadual. O turismo rural é uma das grandes vocações do Espírito Santo e nossos empreendedores estarão em evidência nacional. É também uma oportunidade para ampliar mercado, ganhar notoriedade e criar conexões que geram negócios concretos e sustentáveis para o campo”.

A feira atua como um ambiente de conexão entre empreendedores, incentivando a profissionalização do setor e ampliando as possibilidades de geração de renda no meio rural. Além disso, o âmbito campestre vem ganhando força com seu turismo próprio e ampliando a visibilidade de pequenos produtores do interior com eventos como a Ruraltur.

A Ruraltur em Santa Teresa é uma realização do Instituto Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, do Sebrae/ES e da Prefeitura de Santa Teresa, além do Imigrantes Convention & Visitors Bureau. O evento conta com o apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal, e é organizado pela Cooperativa de Eventos e Turismo do Espírito Santo (Cooptures) e pela Iamonde Design de Eventos.

Serviço – Ruraltur 2026
Data: de 16 a 18 de abril
Local: Parque de Exposições de Santa Teresa (ES)

Horários: 16 e 17 de abril – 16h às 23h30 / 18 de abril – 11h às 23h30

O que você vai encontrar: Expositores locais e nacionais de artesanato, rodadas de negócios, palestras, conteúdos sobre empreendedorismo rural, gastronomia, atrações culturais e artísticas, além de rotas turísticas.

Mais informações: @ruraltur.sebrae

“O café capixaba chegou a um nível de maturidade que permite enfrentar crises sem perder competitividade”

“O café capixaba chegou a um nível de maturidade que permite enfrentar crises sem perder competitividade”

Celebrado em 14 de abril, o Dia Internacional do Café ganha um significado ainda mais amplo no Espírito Santo. Mais do que uma data simbólica, ela evidencia uma trajetória construída ao longo de décadas por produtores que transformaram desafios em avanço produtivo e posicionaram o Estado como uma das principais forças do agronegócio brasileiro.

Hoje, o Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do país e líder na produção de conilon. Mas esse protagonismo não surgiu por acaso. Ele é resultado de um processo contínuo de adaptação, investimento e resistência no campo.

Espírito Santo é o segundo maior produtor de café do país.

Ao longo dos anos, a cafeicultura capixaba enfrentou períodos críticos, como crises climáticas, oscilações de mercado e problemas fitossanitários que impactaram diretamente a produção. Diante desse cenário, os produtores precisaram se reinventar: adotaram novas tecnologias, ampliaram o uso da irrigação, investiram em pesquisa e passaram a apostar na qualidade como diferencial competitivo.

O resultado desse movimento aparece nos números. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o café é responsável por cerca de 37% do PIB agropecuário do Estado, envolvendo aproximadamente 60 mil propriedades e mais de 130 mil famílias. Em 2025, a produção capixaba se aproximou de 18 milhões de sacas, com destaque para o conilon, que mantém o Espírito Santo na liderança nacional da variedade.

No cenário brasileiro, a cafeicultura segue em expansão. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra de 2026 alcance 66,2 milhões de sacas de café Arábica e Conilon, evidenciando a resiliência do setor produtivo e sua busca estratégica por volume e qualidade para atender aos mercados interno e externo, num desempenho que reforça o protagonismo do Espírito Santo no cenário nacional.

Essa evolução, no entanto, não se limita ao aumento de volume. Nos últimos anos, o Estado também avançou na produção de cafés especiais e na diversificação de mercados, agregando valor ao produto e ampliando sua competitividade.

Para o empresário Marcus Magalhães, presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo e diretor da Fecomércio, a história da cafeicultura no Estado é marcada pela capacidade de reação do produtor. “O produtor capixaba aprendeu a transformar dificuldade em estratégia. O que vemos hoje é uma cadeia produtiva mais preparada, mais eficiente e com capacidade real de competir em qualidade e volume nos mercados mais exigentes do mundo”, afirma.

Apesar dos avanços, o setor segue enfrentando desafios. O cenário internacional, marcado por instabilidades geopolíticas, como guerras, e por mudanças nas políticas comerciais, incluindo taxações e barreiras, impacta diretamente o fluxo de exportações e a formação de preços.

Ainda assim, a estrutura construída ao longo dos anos mantém o setor resiliente. A combinação entre conhecimento técnico, organização produtiva e articulação comercial tem permitido ao Espírito Santo sustentar sua posição estratégica no mercado. “O café capixaba chegou a um nível de maturidade que permite enfrentar crises sem perder competitividade. Mas é preciso atenção constante ao cenário global, porque hoje o mercado é internacional e qualquer movimento lá fora impacta diretamente o produtor aqui”, destaca Magalhães.

Outro fator que reforça o momento atual é a mudança no perfil de consumo. A crescente demanda por cafés diferenciados, aliada à entrada de novos públicos e formatos de consumo, abre oportunidades para agregação de valor e expansão de mercado. Nesse contexto, o café deixa de ser apenas uma commodity agrícola e passa a ocupar um espaço mais amplo na economia, conectando produção, inovação, comércio e exportação.

No Espírito Santo, essa trajetória tem um elemento central: a persistência de quem está no campo. No Dia Internacional do Café, mais do que celebrar a bebida, o Estado evidencia a força de uma cadeia produtiva construída com trabalho, adaptação e visão de futuro, que segue, mesmo diante dos desafios, sustentando uma das bases mais sólidas do agronegócio capixaba e brasileiro. fonte Monica Moreira e foto Marcus Magalhães – arquivo pessoal

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