Safra do café impulsiona contratações e estado cria 3,6 mil empregos formais

O início da colheita do café voltou a mostrar sua força na economia capixaba. Em abril, o Espírito Santo registrou a abertura de 3.611 empregos formais com carteira assinada, impulsionado principalmente pela agropecuária, que respondeu por mais da metade das vagas criadas no estado. O resultado indica o bom momento do mercado de trabalho capixaba, que já acumula mais de 16 mil novos postos em 2026, além de evidenciar o protagonismo do interior na geração de oportunidades.

Novas contratações no mercado formal do ES. Desta vez, o destaque foi a agricultura capixaba. As observações são do Connect Fecomércio-ES.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Embora o saldo de abril tenha ficado abaixo do registrado em março, quando foram criados 7.450 empregos – o melhor resultado para o período desde o início da série histórica do Novo Caged, em 2020 –, o desempenho manteve a trajetória positiva do mercado formal de trabalho no estado.

“A geração de empregos continua em um patamar bastante favorável. Mesmo após o resultado excepcional de março, o Espírito Santo voltou a criar vagas em todos os grandes setores da economia, com exceção do comércio, o que demonstra a capacidade de absorção de mão de obra em diferentes atividades econômicas”, explicou André Spalenza, coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES.

A agropecuária liderou as contratações em abril, com saldo de 2.104 empregos formais, equivalente a mais da metade de todas as vagas geradas no estado. O principal motor desse crescimento foi o cultivo de café, responsável sozinho pela criação de 1.390 postos de trabalho, ou 66,1% do total do setor.

“A safra do café exerce um papel estratégico para o mercado de trabalho capixaba. O início da colheita amplia a demanda por mão de obra em diversos municípios do interior e gera reflexos positivos não apenas na agropecuária, mas também em atividades ligadas ao transporte, armazenagem, comércio e prestação de serviços”, destacou Spalenza.

Além da agropecuária, os setores de serviços e construção também apresentaram resultados expressivos, com saldos positivos de 748 e 745 empregos, respectivamente. A indústria contribuiu com mais 317 vagas. O único setor que registrou resultado negativo foi o comércio, que encerrou 303 postos de trabalho, comportamento considerado comum nos primeiros meses do ano, após a movimentação intensa das vendas de fim de ano.

Com o resultado de abril, o Espírito Santo acumula saldo de 16.515 empregos formais nos quatro primeiros meses de 2026. Entre os destaques do ano está a construção, que ampliou em 79,8% a geração de vagas em comparação com o mesmo período de 2025, criando 1.553 empregos adicionais. Os serviços também avançaram, com crescimento de 12,3% na geração de postos, enquanto o comércio reverteu o cenário negativo observado no ano passado e voltou a registrar saldo positivo.

Segundo Spalenza (Foto), a composição das vagas geradas em 2026 também merece atenção. “Embora a agropecuária tenha papel importante neste momento, o crescimento do emprego formal está sendo sustentado também por setores como comércio, serviços e construção, que costumam oferecer vínculos mais estáveis. Isso contribui para aumentar a resiliência do mercado de trabalho ao longo do ano”, afirma.

Atualmente, o Espírito Santo contabiliza 932.721 vínculos formais de trabalho, número 1,5% superior ao registrado em abril de 2025. O setor terciário continua sendo o principal empregador do estado, concentrando 70,9% dos empregos com carteira assinada. Desse total, 45,6% estão nos serviços e 25,3% no comércio, que juntos somam mais de 661 mil trabalhadores formais.

Nos serviços, principal gerador de empregos em 2026, foram criadas 7.623 vagas entre janeiro e abril, o equivalente a 46,2% de todos os postos abertos no estado.

Outro destaque do mês foi a distribuição regional das contratações. Apesar de Vitória ter liderado individualmente entre os municípios, com saldo de 685 empregos e impulsionado principalmente pela construção civil, a geração de vagas esteve fortemente concentrada no interior do estado.

Ao todo, os municípios fora da Grande Vitória responderam por 3.467 empregos formais, o equivalente a 96% de todas as vagas criadas em abril. Além de Aracruz, que abriu 562 postos impulsionados pela indústria, destacaram-se Jaguaré, Linhares, Vila Valério, Itapemirim, Sooretama, São Mateus e Rio Bananal, todos beneficiados pela dinâmica da atividade cafeeira.

“Cada novo emprego com carteira assinada representa mais proteção ao trabalhador, maior segurança jurídica para as empresas e aumento da arrecadação que financia políticas públicas. A formalização é especialmente importante na agropecuária, setor que historicamente apresenta índices mais elevados de informalidade”, observou o coordenador.

Fonte Kelly Kalli – Fecomércio-ES

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