Minirreforma eleitoral limita e parcela multa a partidos políticos

Minirreforma eleitoral limita e parcela multa a partidos políticos

A aprovação da minirreforma eleitoral – em rápida votação simbólica e sem registro em painel – tem recebido críticas de diversas entidades da sociedade civil. O texto muda a prestação de contas dos partidos, flexibiliza regras de controle – limitando e parcelando multas a partidos que tiverem as contas desaprovadas, e autoriza o envio de mensagens em massa a eleitores previamente cadastrados.

Texto controverso gerou críticas da sociedade civil organizada. foto congresso nacional

A matéria foi aprovada na noite de terça-feira (19) pela Câmara dos Deputados, sem que o texto entrasse na pauta. A votação simbólica e sem registro no painel identificando como cada parlamentar votou, despertou críticas: 

“A aprovação ocorreu por votação simbólica, sem identificação individualizada dos votos parlamentares, dificultando que a população conheça o posicionamento de seus representantes sobre as medidas”, diz nota de repúdio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE).

O texto segue agora para o Senado. Se aprovada e sancionada, a minirreforma trará mudanças relevantes na forma de fiscalização e punição de partidos políticos, limitando multas e protegendo os recursos do Fundo Partidário, que não poderá ser bloqueado. 

Para o MCCE, formado por mais de 70 organizações da sociedade civil, caso se torne lei, a matéria vai fragilizar mecanismos de controle sobre o uso dos fundos Eleitoral e Partidário e representa um “grave retrocesso” para o país.

Já para o relator, deputado Rodrigo Gambale (Pode-SP), o projeto traz alterações estruturais e necessárias à Lei dos Partidos Políticos que vão otimizar a gestão partidária, garantir segurança jurídica das agremiações e harmonizar as normas de fiscalização com os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade.

Entenda

Em termos gerais, o projeto de lei aprovado (PL 4822/2025) altera regras da legislação eleitoral e partidária, modificando itens importantes como prestação de contas, punições e propaganda política.

Entre os principais pontos do projeto estão:

  • Limite de R$ 30 mil para multas por contas desaprovadas;
  • proibição de bloqueio ou penhora de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral;
  • autorização para envio de mensagens automatizadas a eleitores cadastrados;
  • redução do prazo para julgamento de contas pela Justiça Eleitoral, podendo levar ao encerramento do processo sem decisão definitiva;
  • possibilidade de parcelamento de dívidas de partidos em até 15 anos.

Parte dessas medidas é considerada sensível porque pode reduzir o alcance das sanções ou limitar instrumentos de controle do uso de recursos para partidos políticos.

Um dos exemplos é o teto para multas. Com a nova regra, irregularidades de alto valor passariam a ter punição limitada, o que reduz o caráter proporcional das penalidades.

Outro ponto é a proibição de penhora de recursos dos fundos Partidário e Eleitoral. Na prática, a medida restringe a possibilidade de bloquear esses valores para pagamento de dívidas – o que pode dificultar a execução de decisões judiciais.

Na área de fiscalização, a redução do prazo para julgamento das contas — de cinco para três anos — pode levar ao encerramento de processos sem decisão, caso não sejam analisados dentro do período.

Além disso, o projeto estabelece que cada diretório partidário responde apenas por suas próprias irregularidades, o que pode fragmentar a responsabilização e dificultar a atuação da Justiça Eleitoral em casos mais amplos.

Propaganda eleitoral

A proposta também altera regras de campanha ao permitir o envio de mensagens automatizadas a eleitores previamente cadastrados. Esse envio não será considerado irregular quando direcionado ao público cadastrados.

Para críticos da medida, esse ponto pode ampliar o uso de ferramentas digitais com menor controle, especialmente em relação à disseminação de conteúdo em massa.

MCCE

Em nota pública de repúdio, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral afirmou que o projeto representa “grave retrocesso” para a fiscalização e a transparência partidária, uma vez que “enfraquece mecanismos de fiscalização e transparência partidária”.

“O projeto flexibiliza regras de prestação de contas, amplia possibilidades de parcelamento e renegociação de multas com recursos públicos, enfraquece sanções aplicáveis a irregularidades cometidas por partidos políticos e aprofunda medidas de anistia relacionadas ao descumprimento de cotas de raça e gênero”, diz a nota.

Ainda segundo o MCCE, a proposta facilitará fusões partidárias, dificultando a responsabilização de legendas por irregularidades já apuradas, ao mesmo tempo em que fragiliza instrumentos de controle sobre o uso do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

“Também causa preocupação a autorização para disparos massivos automatizados de mensagens em campanhas eleitorais, medida que ignora os impactos da desinformação registrados nos últimos processos eleitorais”, acrescentou.

Tramitação sem debate

O MCCE também criticou diretamente a forma como o PL tramitou na Câmara:

“O tema foi incluído na pauta de maneira repentina, sem o necessário debate público com a sociedade civil, especialistas e instituições comprometidas com a defesa da integridade eleitoral.”

“O MCCE espera que o Senado Federal promova ampla discussão sobre a matéria e impeça a consolidação de medidas que representem retrocessos para a transparência, a igualdade política e a integridade eleitoral no Brasil”, conclui a nota.

O movimento tem, entre suas entidades participantes, CNBB, OAB e entidades de classe ligadas à Polícia Federal, aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. PEDRO PEDUZZI – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Ex-secretário Vitor de Angelo reforça compromisso com a Educação em visita a São Roque do Canaã

Ex-secretário Vitor de Angelo reforça compromisso com a Educação em visita a São Roque do Canaã

O ex-secretário estadual da Educação e pré-candidato a deputado federal Vitor de Angelo visitou o município de São Roque de Canaã nessa terça-feira (19/05) para dialogar com a comunidade escolar, visitar obras da Escola Municipal Vale do Canaã e reforçar seu compromisso com a educação pública de qualidade. Ele ministrou também uma palestra sobre comunicação e gestão para servidores públicos, que contou com as presenças do vice-prefeito Gabriel Silvestre e da secretária municipal de Educação, Gelda Spalenza.

 Vitor de Angelo ministrou também uma palestra sobre comunicação e gestão para servidores públicos. foto Vitor Junquilho/Candela

São Roque do Canaã conta com investimentos estruturantes da Secretaria Estadual da Educação (Sedu) autorizados e realizados na gestão de Vitor no Governo Casagrande. Dentre eles, a reforma completa da Escola Municipal de Ensino Fundamental Vale do Canaã, por meio de recursos do Fundo Estadual de Apoio à Ampliação e Melhoria das Condições de Oferta da Educação Infantil, o Funpaes – que investiu, desde 2021, mais de R$ 1 bilhão nos municípios capixabas.

Durante a visita à Escola Vale do Canaã, Vitor destacou que “é uma alegria vir a esse prédio onde funciona nossa escola e, ao mesmo tempo, saber que estamos iniciando uma reforma tão aguardada”. Para ele, uma escola nova, reformada, moderna, dentro do que é desejado pela comunidade escolar e sociedade, representa mais que uma obra. “É a realização de um sonho”, define o ex-secretário e pré-candidato.

As obras para a reforma da Escola Vale do Canaã contam com investimento de cerca de R$ 5,5 milhões repassados pelo Governo do Estado. A ordem de serviço para a intervenção foi assinada em março, quando Vitor de Angelo ainda exercia o cargo de secretário estadual da Educação, em cerimônia com o então governador Renato Casagrande, o então vice-governador e atual governador Ricardo Ferraço e o prefeito Marcos Guerra.

MAIS OBRAS

De acordo com informações da Sedu, duas obras foram concluídas em escolas estaduais de São Roque do Canaã desde 2020 durante a gestão Vitor de Angelo. Trata-se da reforma do telhado da Escola Felício Melotti e de manutenção na Escola David Roldi.

Rota da Educação

A agenda de Vitor de Angelo nesta semana prossegue até a sexta-feira (22) com palestras para profissionais da Educação, reuniões com comunidades escolares e lideranças locais, além de visitas a escolas em Itaguaçu, Itarana, Marilândia, Colatina e Baixo Guandu. As atividades fazem parte de uma rota da educação que o pré-candidato a deputado federal tem realizado nos municípios, a exemplo de Afonso Cláudio, onde cumpriu agenda na segunda-feira (18).

Principais realizações na Sedu

Vitor de Angelo foi secretário estadual da Educação de janeiro de 2019 a março deste ano, quando se descompatibilizou para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados. Filiado ao PSB desde dezembro de 2025, presidiu o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) entre 2022 e 2025 e conduziu a expansão de programas transformadores da rede estadual capixaba, como as escolas em Tempo Integral. “Temos mais de 60% das escolas estaduais em tempo integral, o que ultrapassa a meta nacional”, enfatiza Vitor.

Na área educacional, os números atualizados reforçam o avanço da gestão de Vitor na Sedu: as Escolas do Futuro devem chegar a 110 unidades em 2026; já o Intercâmbio Sedu passou de 170 bolsas na edição 2025 para 350 estudantes que embarcaram em janeiro de 2026 e já retornaram para casa, sendo que o edital para o próximo ano é de 500 vagas.

Sobre Vitor de Angelo

Vitor de Angelo é doutor em Ciências Sociais, com pós-doutorado em Sociologia Política. Foi professor da Universidade Vila Velha, onde recebeu o título de Doutor Honoris Causa em 2023. fonte Rhayan Esteves

João Coser pré-candidatura a Deputado Federal

João Coser pré-candidatura a Deputado Federal

Eu nunca fugi da luta e dediquei toda a minha caminhada pública, desde a época do movimento sindical, a proteger os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras. É por isso que, com muito orgulho, atendo ao chamado do presidente Lula e anuncio minha pré-candidatura a Deputado Federal.

João Coser, o Brasil já avançou muito com o presidente Lula e consegue avançar ainda mais. foto divulgação

Sigo nessa missão com o entendimento de que o Espírito Santo precisa de representantes que conheçam a realidade do nosso povo e saibam abrir portas em Brasília para trazer investimentos, gerar empregos e fortalecer os serviços públicos. Já fui prefeito de Vitória, a nossa capital do Estado, e presidente da Frente Nacional de Prefeitos. Sei dialogar, construir soluções e buscar recursos para transformar a vida das pessoas.

Conheço a realidade do trabalhador, de quem acorda cedo, pega ônibus lotado, luta para colocar comida na mesa e sonha com um futuro melhor para a família. É essa experiência, construída ao lado do povo, que quero levar para o Congresso Nacional.

Quero seguir defendendo você, ampliando investimentos em, saúde, educação e infraestrutura, para que o Espírito Santo continue crescendo com desenvolvimento e justiça social.

Essa caminhada não é só minha. Ela é de todos nós que acreditamos em um Brasil mais justo, humano e cheio de oportunidades!. fonte assessorai do deputado

Deputada Jack Rocha destaca avanços no combate ao feminicídio após 100 dias de pacto nacional

Deputada Jack Rocha destaca avanços no combate ao feminicídio após 100 dias de pacto nacional

A deputada federal Jack Rocha (PT-ES) apresentou nesta quarta-feira (20/05), no Palácio do Planalto, o balanço dos primeiros 100 dias do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, assinado em fevereiro deste ano. Coordenadora da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, Jack destaca os avanços legislativos conquistados no período e reforça a importância da união entre os Três Poderes no combate à violência de gênero.

Deputada federal Jack Rocha, em 100 dias, a Câmara dos Deputados aprovou 73 proposições relacionadas à proteção das mulheres. foto divulgação

Em 100 dias, a Câmara dos Deputados aprovou 73 proposições relacionadas à proteção das mulheres, entre elas 27 Projetos de Lei, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) e 33 requerimentos de urgência. O esforço concentrado da Bancada Feminina permitiu acelerar medidas voltadas ao combate à impunidade, fortalecimento da rede de proteção e prevenção da violência contra meninas e mulheres.

Para Jack Rocha, os resultados mostram que o enfrentamento ao feminicídio exige compromisso permanente e atuação articulada. “A gente bate todos os dias na mesma tecla: sobre a importância do Pacto entre os Três Poderes neste enfrentamento, porque nenhuma instituição sozinha dará conta de enfrentar um problema que é tão profundo e estrutural”, afirma a parlamentar. Entre as medidas já sancionadas pelo governo federal, três legislações ganharam destaque pelo impacto direto na proteção das mulheres. A Lei nº 15.384/2026 tipificou a violência vicária e incluiu o homicídio vicário na Lei Maria da Penha e no rol de crimes hediondos. Já a Lei nº 15.383/2026 estabeleceu o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores como medida protetiva prioritária.

Outra iniciativa considerada estratégica foi a criação do Programa Antes que Aconteça, instituído pela Lei nº 15.398/2026, voltado exclusivamente à prevenção integrada da violência de gênero. Jack Rocha avalia que o combate ao feminicídio precisa ir além da punição dos crimes. “Nós precisamos fortalecer a rede de proteção de mulheres, porque combater o feminicídio exige prevenção, acolhimento, justiça e políticas públicas”, destaca.

A deputada também chama atenção para a necessidade de ampliar os investimentos públicos voltados às mulheres. Segundo ela, garantir orçamento específico para políticas de enfrentamento à violência é uma forma de assegurar que as mulheres não permaneçam invisíveis dentro da estrutura do Estado. “Nunca tivemos nesse sentido uma ação diretamente voltada para as mulheres. E nós precisamos mudar essa realidade. O Brasil tem 106 milhões de mulheres”. Nesse contexto, Jack Rocha defende a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 41/2026, que cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres.

A proposta prevê investimento de R$ 5 bilhões em políticas públicas de prevenção, acolhimento, proteção e autonomia econômica. “A aprovação do projeto é urgente e primordial, pois cria o Sistema Nacional de Enfrentamento à Violência contra Meninas e Mulheres, uma proposta estruturante que prevê R$ 5 bilhões para ampliar as políticas públicas de prevenção, proteção, acolhimento e garantia da vida das mulheres brasileiras. Estamos falando do fortalecimento das delegacias, das casas de acolhimento, do monitoramento de agressores, do atendimento psicológico e da integração das redes de proteção em todo o país”, ressalta. Outro tema que vem ganhando força na Câmara é o combate à misoginia e à violência digital. Neste mês, a Casa instalou um Grupo de Trabalho para discutir o Projeto de Lei 896/2023, que criminaliza a misoginia, além de outras propostas voltadas ao enfrentamento da violência contra mulheres nas redes sociais.

Para Jack Rocha, regulamentar os crimes digitais e responsabilizar agressores é uma das urgências do Congresso Nacional. “Precisamos avançar em um debate muito importante que ainda está na Casa, que é o projeto que criminaliza a misoginia e a violência digital”, afirma.

A deputada conclui reforçando que o enfrentamento ao feminicídio exige ação concreta e compromisso institucional contínuo. “Combater o feminicídio exige mais do que indignação, exige estrutura, orçamento, articulação institucional e compromisso permanente com a vida”, finaliza.

Confira algumas das principais entregas:

Redução do tempo de análise das Medidas Protetivas de Urgência:

Tempo reduzido de 16 dias para cerca de 3 dias 53% das decisões proferidas no mesmo dia 90% apreciadas em até dois dias Operações Mulher Segura – mobilização nacional para combater a violência doméstica e feminicídios: Presença nos 27 estados 2.615 municípios envolvidos 30.388 medidas protetivas acompanhadas 38.801 vítimas atendidas

Ampliação e integração da rede de proteção: Uso de inteligência e tecnologia e integração de dados provenientes dos sistemas estaduais de segurança pública para monitorar situação de vulnerabilidade e orientar ações preventivas baseadas em evidências Foco na prevenção de feminicídios Casa da Mulher Brasileira: 148 mil atendimentos realizados entre janeiro e abril de 2026 nas unidades em funcionamento

Modernização do Ligue 180 Telessaúde em saúde mental para mulheres em situação de violência e vulnerabilidades Mobilização social e mudança cultural Inclusão da temática nos currículos escolares e instituição da Semana Escolar de Combate à Violência foto e fonte Rachel Martins

Parecer da 6×1 é adiado em meio à pressão para transição de 10 anos

Parecer da 6×1 é adiado em meio à pressão para transição de 10 anos

A Comissão Especial que analisa as propostas de redução da jornada de trabalho das atuais 44 horas para 40 horas semanais e do fim da escala 6×1 adiou, para próxima segunda-feira (25/05), a apresentação do parecer do relator, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Pelo cronograma original, o relator divulgaria seu texto nesta quarta-feira (20).

Oposição e centrão querem transição de 10 anos para reduzir jornada. foto fecomércio

O adiamento ocorre em meio à pressão de setores do empresariado e de partidos da oposição e do chamado Centrão, que reúne legendas da direita tradicional, para incluir uma regra de transição de 10 anos, com redução do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os trabalhadores e exclusão de categorias consideradas essenciais.

O presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), informou que precisa de mais tempo para negociar a regra de transição, mas que a data votação do texto, previsto para o dia 26 de maio na Comissão, está mantida.

“Se tivesse a definição, o relatório seria apresentado amanhã [dia 20]. Mas ainda não há. Há diálogos, sem dúvida alguma. São pontos a serem esclarecidos, são pontos a serem acordados, mas o sentimento, sem dúvida alguma, em especial, digo ao trabalhador, é que é pensando em você”, afirmou Santana.

Brasília -DF- 28/04/2026 – PRESIDENTE DA CÂMARA DOS DEPUTADOS, DEPUTADO HUGO MOTTA APRESENTA O PRESIDENTE DA COMISSÃO ESPECIAL DA PEC 6X1. DEPUTADO ALENCAR SANTANADA E O RELATOR, DEPUTADO, LEO PRATES. DA PEC 6X1. Lula Marques/Agência Brasil.
O presidente da Comissão, deputado Alencar Santana (PT-SP), informou que precisa de mais tempo para negociar a regra de transição. Foto: Lula Marques/Arquivo Agência Brasil

O adiamento foi definido após reunião do relator, na noite dessa terça-feira (19/05), com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do governo na Casa, deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

Emendas ao projeto

Uma das emendas apresentadas pelo deputado Sérgio Turra (PP-RS), que conta com assinatura de 176 deputados, afirma que o fim da escala 6×1 só entraria em vigor dez anos após a promulgação da emenda constitucional. A sugestão ainda exclui da redução da jornada trabalhadores considerados “essenciais”. 

“Sendo consideradas [essenciais] aquelas cuja interrupção possa comprometer a preservação da vida, da saúde, da segurança, da mobilidade, do abastecimento, da ordem pública ou da continuidade de infraestruturas críticas, serão definidas por lei complementar e terão jornada máxima de quarenta e quatro horas semanais”, diz o texto da emenda.

Além disso, a emenda reduz de 8% para 4% a contribuição patronal ao FGTS e isenta temporariamente a contribuição das empresas à Previdência Social, que atualmente é de 20% sobre o salário.

A lista de deputados que apoiam a emenda inclui, principalmente, parlamentares do PL (61), PP (32), União (23), Republicanos (17) e MDB (13).

O governo tem defendido uma proposta sem regra de transição e sem redução de salário. O relator tem defendido uma posição intermediária com uma transição entre 2 a 4 anos de duração, segundo revelou para o jornal Folha de São Paulo.

A outra emenda apresentada à PEC 221 de 2019, de autoria de Tião Medeiros (PP-PR), com apoio de 171 deputados, também prevê uma transição de 10 anos, além de excluir da redução da jornada de  44 para 40 horas trabalhadores de setores considerados “essenciais”. fonte LUCAS PORDEUS LEÓN – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Flávio Bolsonaro sugere pagamento por hora em alternativa à escala 6×1

Flávio Bolsonaro sugere pagamento por hora em alternativa à escala 6×1

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma proposta alternativa aos projetos que visam extinguir a jornada de trabalho no modelo 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso). O parlamentar defende a flexibilização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir o pagamento por hora trabalhada, cabendo ao próprio empregado definir seu período de atuação.

Senador discutiu proposta com integrantes do PL em reunião em Brasília. foto senado federal

Flávio discutiu a “sugestão”, conforme ele mesmo a classificou, com outros integrantes do PL, durante uma reunião em Brasília, nesta terça-feira (19/05). Após o encontro, o senador disse a jornalistas que a ideia é ajustar a legislação, levando em conta as mudanças decorrentes dos avanços tecnológicos e preservando os direitos trabalhistas.

“Foi passada para nossa bancada essa sugestão, essa alternativa, que seria o trabalho remunerado pelas horas de trabalho, com a garantia de todos os direitos trabalhistas, como décimo terceiro, Fundo de Garantia [do Tempo de Serviço – FGTS], férias. Obviamente, proporcionais às horas de trabalho”, explicou o senador.

A manifestação ocorre em meio à tramitação de matérias sobre o tema no Legislativo. Em abril, o governo federal enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei em regime de urgência constitucional pelo fim da escala 6×1.

O texto do Executivo propõe a redução do limite da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais, garantindo dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial. Dessa forma, os empregados passariam a trabalhar, no máximo, cinco dias na semana. A proposta conta com o apoio de entidades sindicais e órgãos de representação de classe, mas tem a objeção de entidades patronais, além de dividir especialistas.

Uma pesquisa recente da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados aponta que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, desde que não haja redução de salário.

Para Flávio Bolsonaro, a proposta do governo federal é inoportuna e eleitoreira. “Tenta vender para a população uma solução fácil que não vai resolver [os problemas de produtividade, empregabilidade e de qualidade de vida]. Vai gerar desemprego em massa, aumento do custo de vida e prejudicar mais os trabalhadores do que ajudar.”

De acordo com o senador, o pagamento correspondente às horas trabalhadas permitiria aos empregados “escolherem” o quanto querem trabalhar. “Se quiserem, vão trabalhar mais. E,se não puderem trabalhar tanto, se precisarem de mais flexibilidade, isso também estará atendido por esta legislação”, argumentou Flávio, destacando que, a seu ver, a proposta beneficia principalmente as mulheres.

“Vinte e três por cento delas não conseguem, não podem trabalhar por causa desta jornada endurecida, por não terem onde deixar seus filhos. Com esta mudança legislativa, a mulher que tem filhos vai poder trabalhar, por exemplo, quatro horas; deixar seu filho com alguém e voltar para casa para ficar com o filho. Portanto, vai ter oportunidade de trabalho”, disse Flávio, que se negou a responder a perguntas dos jornalistas.

A sugestão do senador vai na contramão do entendimento do governo federal, que considera o fim da escala 6×1 prioritário por, entre outros motivos, promover a equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho e aliviar parte da sobrecarga assumida pelas mulheres, sujeitas à dupla jornada.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstram que as mulheres dedicam, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas. Quando consideradas somente as mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é 1,6 hora a mais por semana, se comparado ao de mulheres brancas.

Para a secretária nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, o fim da jornada 6×1 pode impactar positivamente na divisão de tarefas em casa.

“O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado”, afirmou a secretária à Agência Brasil. fonte Agência Brasil

Governo do Brasil destina R$ 450 milhões para projetos sociais na Bacia do Rio Doce

Governo do Brasil destina R$ 450 milhões para projetos sociais na Bacia do Rio Doce

Com recursos do Novo Acordo do Rio Doce, o Governo do Brasil lançará, em 22 de maio, um edital e um chamamento público voltados ao fortalecimento das comunidades atingidas pelo rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais e no Espírito Santo. Serão disponibilizados R$ 450 milhões que possibilitarão que a própria comunidade proponha projetos para fortalecer a organização social e a recuperação dos modos de vida nos territórios.

Recursos possibilitarão que a própria comunidade proponha projetos para fortalecer a organização social. foto pmc

Os instrumentos serão anunciados por meio da Secretaria-Geral da Presidência da República durante ato realizado em Governador Valadares (MG). Os recursos serão divididos, com R$ 225 milhões para projetos estruturantes em desenvolvimento territorial e R$ 225 milhões para projetos capilarizados para fortalecimento direto das comunidades atingidas. As iniciativas passaram pela análise do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, que deliberou quanto aos critérios de priorização dos projetos.

PARCERIA – O edital é realizado em parceria com o Banco do Brasil e a Fundação Banco do Brasil (FBB) e o chamamento público em colaboração com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES). Os recursos são advindos do Fundo de Participação Social, uma reserva de R$ 5 bilhões destinada a ações conduzidas pelas próprias comunidades atingidas, implementada no âmbito do Novo Acordo do Rio Doce.

COMO VÃO FUNCIONAR – Os novos mecanismos de fomento estão divididos em duas grandes frentes: projetos capilarizados, que serão selecionados por meio de edital, e projetos estruturantes, que serão escolhidos por chamamento público. Enquanto os projetos capilarizados focam em ações comunitárias diretas com valores de R$ 50 mil a R$ 400 mil por proposta, os projetos estruturantes preveem propostas de desenvolvimento variando entre R$ 5 milhões e R$ 23 milhões e que atuem como vetores de desenvolvimento regional, articulando as iniciativas menores em redes mais robustas.

LINHAS PRIORITÁRIAS – As ações dos projetos capilarizados estão organizadas em cinco linhas prioritárias:

Economia Popular e Solidária , com foco na geração de renda e fomento à agricultura familiar e pesca;

Reabilitação Territorial e dos Modos de Vida , que abrange educação, cultura, lazer e fortalecimento de vínculos sociais;

Resiliência Comunitária e Transição Climática , que traz possibilidades de projetos nas áreas de  recuperação de recursos naturais e de tecnologias sociais de acesso à água potável;

Autonomia dos Povos e Comunidades Tradicionais , voltada para indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais; e

Igualdade e Não-Discriminação , para projetos que vão priorizar, por exemplo, direitos das mulheres e de grupos vulnerabilizados.

Poderão propor via edital de projetos capilarizados organizações da sociedade civil sem fins lucrativos e coletivos informais – estes com apoio de instituições parceiras que tenham ao menos dois anos de experiência na defesa dos direitos das pessoas atingidas e estejam localizadas em algum dos 49 municípios listados no Novo Acordo.

DIVERSIDADE – Um diferencial importante desse lançamento é a diversidade na gestão. Pelo menos 50% das organizações apoiadas devem ser coordenadas por mulheres, além de haver cotas específicas de 5% para jovens e 5% para povos e comunidades tradicionais.

Os projetos estruturantes, por sua vez, atuarão em dois eixos principais: fortalecimento institucional, para aprimorar a gestão e a governança das organizações sociais, e estruturação de serviços e empreendimentos produtivos coletivos, a fim de ampliar a capacidade de comercialização e a integração das cadeias produtivas regionais.

Dessa categoria poderão participar também organizações da sociedade civil e coletivos informais, desde que participem como organizações apoiadas em conjunto com entidades executoras, que serão organizações da sociedade civil sem fins lucrativos, de maior porte e experiência na gestão de grandes projetos.

PRAZOS E INSCRIÇÕES

LANÇAMENTO DO EDITAL22/05/2026
DATA LIMITE PARA RECEBIMENTO DE PROPOSTAS22/06/2026
PREVISÃO DA DIVULGAÇÃO DO RESULTADO PARCIAL13/07/2026
APRESENTAÇÃO DE RECURSO13/07/2026 a 16/07/2026
PUBLICAÇÃO DO RESULTADO FINAL31/07/2026
PREVISÃO DA FORMALIZAÇÃO07/08/2026

Para o chamamento público, a submissão será contínua até 30/12/2026.

GOVERNO DO BRASIL NA RUA – O ato de lançamento está integrado à programação do Governo do Brasil na Rua, que levará ao município uma série de serviços gratuitos para a população. A iniciativa tem como objetivo facilitar o acesso a políticas públicas e a atendimentos essenciais em um único espaço. Estarão disponíveis serviços como o Desenrola 2.0, atendimentos e perícias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de suporte oferecido pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal.

Também serão disponibilizados atendimentos relacionados a programas como o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) e informações sobre acesso a mercados institucionais como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Serviço

Governo do Brasil na Rua

Data: 22 de maio

Hor á rio: 8h30 às 15h

Abertura: 11h

Local : Ginásio Poliesportivo Municipal / IFMG-GV

Endereço : Av. Minas Gerais, nº 5.189 – Bairro Ouro Verde, Governador Valadares-MG

NOVO ACORDO DO RIO DOCE – O Novo Acordo do Rio Doce é um instrumento jurídico firmado entre o Governo do Brasil, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo e as empresas responsáveis pela barragem de Fundão, em Mariana-MG. O acordo repactua as ações de reparação que vinham sendo executadas desde 2016 e que não asseguraram, à época, a reparação integral dos danos. O valor global é de R$ 170 bilhões, sendo R$ 100 bilhões destinados aos poderes públicos – dos quais R$ 49,1 bilhões à União –, R$ 32 bilhões em indenizações individuais e obrigações de fazer, e R$ 38 bilhões já executados anteriormente.

O rompimento da estrutura, no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro de Mariana, no dia 5 de novembro de 2015, desencadeou o maior desastre envolvendo barragens de rejeitos de mineração no país. O colapso da estrutura da Samarco Mineração S/A, uma joint venture da Vale e da BHP Billiton Brasil, resultou na morte de 19 pessoas, deixou três desaparecidas e despejou mais de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos no meio ambiente, contaminando a Bacia do Rio Doce até o mar territorial brasileiro. fonte Agência Gov | via Secom – governo federal

Arranjos Produtivos entrega 6,2 mil mudas de cacau em Alto Rio Novo

Arranjos Produtivos entrega 6,2 mil mudas de cacau em Alto Rio Novo

Alto Rio Novo se orgulha de produzir café conilon premiado em concursos nacionais, mas agora tem a oportunidade de também despontar no cultivo do cacau. O impulso para isso vem do Arranjos Produtivos, que realizou nesta quarta-feira (20) a primeira entrega no município. Foram 6.260 mudas da espécie distribuídas entre 18 produtores cadastrados no projeto realizado pela Assembleia Legislativa (Ales), por meio da Casa dos Municípios.

Projeto contribuirá para tornar lavouras mais diversas e produtivas, segundo Marcelo Santos / Foto: Nicolle Expósito

A entrega foi realizada na Câmara Municipal de Alto Rio Novo com a presença da comunidade, produtores e lideranças políticas da região. O presidente da Assembleia Legislativa (Ales), deputado Marcelo Santos (União), disse que o Arranjos Produtivos deve alcançar os 78 municípios do Espírito Santo por meio da parceria com o governo do Estado e as prefeituras.

Ainda destacou o papel do projeto para tornar as lavouras mais diversas e produtivas. “Ao diversificar, ele pode ampliar ainda mais a sua receita. Com auxílio dos nossos técnicos, o produtor pode produzir mais e melhor, com menos”. Além do cacau, Alto Rio Novo receberá em próximas etapas mudas de abacate, café conilon e implantação da piscicultura.

O prefeito de Alto Rio Novo, Alexandro Valim (PSD), ressaltou o potencial do município. “Temos o melhor café conilon do Brasil. Temos abacate, azeite. Temos produtores de goiaba, de peixe, de cafés premiadíssimos e, agora, vai entrar o cacau. Alto Rio novo tem potencial, o que precisa às vezes é acreditar no produtor. (…) A gente move mundos, montanhas, para tentar atender nossos produtores porque sabemos que dependemos deles para gerar renda, emprego”, disse.

A secretária da Casa dos Municípios, Joelma Costalonga, avaliou o momento da entrega das mudas como parte importante do projeto, mas atribui ao conhecimento levado aos agricultores o sucesso do Arranjos Produtivos. “A partir do conhecimento, que é a mola propulsora, é que nós vamos fazer com que eles produzam com qualidade”, frisou.

A produtora Devaci Verly, que já produz café conilon e desenvolve o projeto Mulheres do Café no município, está empolgada com as novas possibilidades no campo. “A gente não só ficar no fruto, mas mostrar o benefício que é o cacau para gente produzir o chocolate aqui na nossa cidade”, projetou.

Além de Alto Rio Novo, o presidente Marcelo Santos e a equipe do Arranjos Produtivos realizam nesta quarta-feira entregas em Vila Pavão, Ecoporanga e Boa Esperança.

Arranjos Produtivos

Mais que fornecer mudas, equipamentos e insumos a produtores da agricultura familiar, o Arranjos Produtivos busca “ensinar a pescar” ou, nesse caso, a plantar.  Isso acontece por meio da assistência prestada pelos técnicos aos homens e mulheres do campo, que levam conhecimento por meio de palestras e Dias de Campo.

O projeto, lançado em 2023, ainda presta importante auxílio para agregar valor aos produtos do campo, a partir da estruturação das agroindústrias, onde ocorre o beneficiamento de matérias-primas. A iniciativa ainda ajuda na organização dos trabalhadores em associações, para que eles possam atuar de forma coletiva.

Em 2026, o projeto passou a englobar o mercado de crédito de carbono. Dessa forma, produtores poderão ser recompensados financeiramente por adotarem práticas de conservação dos recursos naturais, garantindo a manutenção do carbono nas plantas e no solo. Por Nicolle Expósito