Processos trabalhistas no ES: índice de conciliação de 2025 é de 15,89%, o mais baixo da região Sudeste

Processos trabalhistas no ES: índice de conciliação de 2025 é de 15,89%, o mais baixo da região Sudeste

Segundo Lucas Pena, CEO da Pact Insights, baixa adesão a acordos desperdiça potencial de economia para empresas e agilidade para a Justiça

Segundo dados do Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT17), responsável pelo Espírito Santo, registrou 30.982 novas ações trabalhistas entre janeiro e maio deste ano. No período, foram realizadas 3.677 audiências conciliatórias, o que resulta em um índice de conciliação de apenas 15,89% nos últimos 12 meses, desempenho bem abaixo da média nacional de 21,27%. Lucas Pena, CEO da Pact Insights, legaltech especializada em passivos trabalhistas, o número evidencia o desafio em consolidar uma cultura de acordos, mesmo diante do potencial de economia para empresas e da celeridade para o Judiciário.

“Falta estratégia e visão financeira no trato com ações trabalhistas. Há uma clara predisposição das partes em buscar acordos. O que ainda falta são parâmetros objetivos que façam as expectativas convergirem de forma viável para ambos os lados. Também é preciso reconhecer o esforço da Justiça do Trabalho e dos CEJUSCs em montar essas mesas de negociação e catalisar soluções definitivas para empregadores e ex-empregados. A cultura de conciliação precisa deixar de ser exceção para se tornar regra, e isso começa por dados, tecnologia e vontade de mudar”, afirma o executivo.

Na comparação entre a região Sudeste, São Paulo (TRT15 e TRT2) ficou com 21,34%, Minas Gerais (TRT3) e Rio de Janeiro (TRT1) ficaram com 20,7% e 18,7%, respectivamente.

Entre os dias 26 a 30 de maio de 2025 aconteceu a Semana Nacional da Conciliação Trabalhista, uma mobilização coordenada pela Justiça do Trabalho para ampliar a realização de acordos judiciais e extrajudiciais. O Espírito Santo demonstrou capacidade de mobilização: foram realizadas 1.915 audiências, com a participação de 152 magistrados e atendimento a 12.192 pessoas. Ao todo, 694 processos foram conciliados, índice de 36,2%, com valores negociados que somaram R$ 70.733.042,21. A arrecadação tributária total, somando INSS e IR, ultrapassou os R$ 82,9 milhões.

“Os dados reforçam a tese de que acordos bem conduzidos são instrumentos estratégicos, não apenas para a redução de custos, mas também para reforçar práticas de governança e ESG. Temos uma justiça mais digital, mais segura e um cenário empresarial cada vez mais sensível a boas práticas. O que estamos propondo é simples: que as empresas troquem litígio por governança, custo por oportunidade, incerteza por economia”, conclui o CEO da Pact.

Dados nacionais

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do total de 1.789.395 entradas de processos trabalhistas entre janeiro e maio de 2025 no Brasil, apenas 255.396 audiências conciliatórias foram realizadas. Esse número representa um índice conciliatório de 21,27%. 

Sobre o Grupo Pact Insights – A organização tem origem em 2018 com a criação da startup Pact, uma legaltch de passivo judicial corporativo. Com uma abordagem que une diagnóstico financeiro, compliance e negociação especializada, a empresa chegou a negociar mais de 2 mil acordos nos últimos três anos com mais de 700 advogados adversos, totalizando um risco transacionado superior a R$ 1 bilhão. Entre seus clientes estão Magazine Luiza, Votorantim, CVC, Raízen, iFood e MachadoMeyer. Junto à Legal Insights, a startup fundou em 2023 o Grupo Pact Insights, com serviços complementares para o setor jurídico das empresas. O Grupo faturou R$ 13,5 milhões em 2024 e projeta um faturamento de R$ 20 milhões para 2025.  fonte Victoria Bernardes – Consultora

CNI: investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em uma década

CNI: investimentos brasileiros nos EUA cresceram 52,3% em uma década

Área de alimentos e bebidas, e o setor de plásticos têm destaque. fonte cni

Mapeamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que ao menos 70 empresas brasileiras mantêm investimentos produtivos em 23 dos 50 estados americanos. Segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (24) os investimentos brasileiros em solo norte-americano alcançaram um estoque de US$ 22,1 bilhões em 2024, uma alta de 52,3% em relação a 2014. Os números mostram ainda que, entre 2020 e 2024, empresas brasileiras anunciaram mais de US$ 3,3 bilhões em novas operações no território americano.

Alimentos e bebidas, com 28%; plásticos, com 12,4%; produtos de consumo, com 9,8%; software e serviços de TI, com 9,6%; e metais, com 9,3% são os setores que lideram os investimentos brasileiros nos EUA.

Entre os estados americanos com maior número de empresas brasileiras com plantas produtivas estão a Flórida, com 12; a Georgia, com sete; Michigan, Minnesota, Missouri, Nova York, aparecem depois com seis empresas cada; e o Tennessee e o Texas, com cinco.

“O estudo revela que nos últimos cinco anos (2020-2025), 70 empresas brasileiras anunciaram projetos nos EUA, com destaques para JBS (US$ 807 milhões), Omega Energia (US$ 420 milhões), Companhia Siderúrgica Nacional (US$ 350 milhões), Bauducco Foods (US$ 200 milhões) e Embraer (US$ 192 milhões)”, informou a CNI.

Investimentos

O documento traz também informações sobre investimentos anunciados por nove empresas brasileiras nos primeiros cinco meses de 2025.

Entre os destaques estão a Embraer, com a implantação de um centro de manutenção no Texas, com investimentos previstos de US$70 milhões e geração de 250 empregos. A JBS, que anunciou uma nova planta em Iowa, com aporte de US$ 135 milhões e 500 empregos diretos, e a Sustainea, parceria da Braskem com a japonesa Sojitz, com um investimento previsto de US$ 400 milhões no estado de Indiana.

O mapeamento mostra que 2.962 empresas brasileiras têm investimentos diversos nos EUA. Na avaliação da confederação, os números reforçam a forte integração econômica entre as duas economias.

“Essa é a prova de que o setor produtivo brasileiro vê na integração com os Estados Unidos muito mais que comércio: vê parceria. O avanço dos investimentos de ambos os lados, ao longo dos anos, reforça o caráter complementar e os benefícios mútuos dessa relação”, afirmou o presidente da CNI Ricardo Alban.

Por outro lado, o mapeamento mostra que, no mesmo período, 186 empresas norte-americanas anunciaram novos negócios no Brasil. Entre as principais companhias estão Bravo Motor Company (US$ 4,3 bilhões), Microsoft (US$ 3 bilhões), CloudHQ (US$ 3 bilhões), Amazon.com (US$ 2,8 bilhões) e New Fortress Energy (US$ 1,6 bilhão).

“No que se refere a investimentos anunciados, de 2015 a 2025, os setores mais atrativos para os investidores dos EUA em território brasileiro foram: comunicações (31,0%), montadoras de automóveis (13,5%), carvão, petróleo e gás (11,4%), serviços financeiros (10,9%) e energias renováveis (7,1%)”, disse a CNI. fonte LUCIANO NASCIMENTO – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Setor de serviços capixaba cresce pelo terceiro mês consecutivo

Setor de serviços capixaba cresce pelo terceiro mês consecutivo

Hospedagem em hotel, um dos serviços em alta. foto Envato.

Pelo terceiro mês consecutivo, o setor de serviços do Espírito Santo manteve uma trajetória de crescimento. Em maio, o volume de atividades avançou 0,3% em relação a abril, mas o destaque do mês ficou para os serviços prestados às famílias (lazer, alimentação fora de casa, hospedagem, atividades recreativas e cuidados pessoais), que subiram 17,9% na comparação com o mesmo período de 2024 – a maior alta entre todos os estados brasileiros.

Além da variação mensal positiva, o índice de volume de serviços do Espírito Santo alcançou 113,3 pontos, acima da média nacional, que foi de 108,3 pontos, mantendo o estado entre os mercados mais dinâmicos e consistentes do país. Na comparação com maio de 2024, houve alta de 1,1%, mesmo sobre uma base estatística já elevada, o que confirma a maturidade do setor capixaba e sua tendência de expansão.

As análises são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com base nos dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com André Spalenza, coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, o desempenho reforça o papel estratégico do Espírito Santo no cenário nacional, que se mantém entre os protagonistas do país no setor, reforçando sua vocação para o consumo de serviços de base regional, turística e cultural.

“A sequência de resultados positivos consolida a força do consumo local e mostra a resiliência do setor, mesmo diante dos desafios econômicos, e suas boas perspectivas para os próximos meses. Serviços como alimentação fora do lar, cuidados pessoais, lazer e turismo – que são voltados para as famílias – continuam aquecidos, sustentando a recuperação do setor”, destacou.

Segundo o relatório, o bom desempenho dos serviços às famílias foi impulsionado por fatores como o fortalecimento do calendário de eventos locais, a maior circulação de turistas e o aumento da renda disponível, elementos que favorecem o consumo presencial. O Espírito Santo se destacou à frente de estados como Santa Catarina (10,9%) e Ceará (6,3%) no ranking nacional desse segmento, com alta de 17,9%.

“O Espírito Santo demonstra uma capacidade notável de manter o dinamismo econômico regional por meio da prestação de serviços de alta relevância social e econômica. O setor permanece como uma das principais engrenagens de geração de renda e movimentação da economia”, analisou Spalenza.

Mesmo com oscilações em segmentos pontuais, o Connect Fecomércio-ES avalia que o setor de serviços segue em trajetória de reorganização e avanço gradual, com boas perspectivas para o segundo semestre.

“Há um cenário de estabilização e, se mantidos os estímulos ao consumo e ao investimento em serviços locais, o estado seguirá como referência nacional em dinamismo e inovação no setor”, completou o coordenador do Connect Fecomércio-ES.

A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada no site https://portaldocomercio-es.com.br.

Sobre o Sistema Fecomércio-ES
A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba- seja de forma física ou on-line-, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI). fonte Fecomércio-ES Kelly Kalle

Tarifaço pode impactar vendas de suco de laranja, café, carne e frutas

Tarifaço pode impactar vendas de suco de laranja, café, carne e frutas

Alerta é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. FOTO MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estabelecer uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos pode comprometer receitas do agronegócio brasileiro, provocar desequilíbrios de mercado e pressionar os valores pagos ao produtor. O alerta é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP).

Segundo o Cepea, os itens mais expostos ao tarifaço de Trump são o mercado de suco de laranja, o setor cafeeiro, a pecuária de corte e o de frutas frescas.

Dentre esses itens, o suco de laranja é o produto mais sensível a essa política tarifária, dizem os pesquisadores do Cepea. “Isso porque já incide atualmente uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada sobre o produto, e a aplicação de uma sobretaxa de até 50% elevaria significativamente o custo de entrada nos Estados Unidos, comprometendo sua competitividade no segundo maior destino dos embarques brasileiros”, dizem os pesquisadores, em nota.

Segundo o Cepea, os Estados Unidos importam atualmente cerca de 90% do suco que consomem, sendo que o Brasil é responsável por aproximadamente 80% desse total. “Essa instabilidade ocorre justamente em um momento de boa safra no estado de São Paulo e Triângulo Mineiro: 314,6 milhões de caixas projetadas para 2025/26, crescimento de 36,2% frente ao ciclo anterior. Com o canal norte-americano sob risco, o acúmulo de estoques e a pressão sobre as cotações internas tornam-se prováveis”, avaliou a professora da Esalq/USP Margarete Boteon, pesquisadora da área de citros do Cepea.

Quanto ao café, os Estados Unidos são o maior consumidor global do produto e importam cerca de 25% do Brasil, especialmente da variedade arábica, insumo essencial para a indústria local de torrefação. Como os Estados Unidos não produzem café, a elevação do custo de importação deve comprometer a viabilidade de toda a cadeia interna, que envolve torrefadoras, cafeterias, indústrias de bebidas e redes de varejo.

“A exclusão do café do pacote tarifário é não apenas desejável, mas estratégica, tanto para a sustentabilidade da cafeicultura brasileira quanto para a estabilidade da cadeia de abastecimento norte-americana”, destaca o pesquisador de café do Cepea Renato Ribeiro.

Com a queda nas cotações do produto e a instabilidade externa provocada principalmente pelo tarifaço, os produtores têm vendido volumes mínimos para manter o fluxo de caixa, adiando as grandes negociações para esperar por definições sobre o cenário tarifário.

Carne bovina

Os Estados Unidos são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira, atrás apenas da China, que concentra 49% do total embarcado pelo Brasil. As empresas estadunidenses são responsáveis por 12% das exportações do produto brasileiro e, entre março e abril, elas adquiriram volumes recordes de carne bovina, acima de 40 mil toneladas por mês, o que pode indicar uma possível movimentação de formação de estoque diante do receio de que Trump viesse a aumentar as tarifas para o comércio exterior. São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são os estados brasileiros, respectivamente, que mais têm escoado carne aos EUA.

Nos últimos meses, no entanto, houve redução no volume exportado para os Estados Unidos, enquanto os embarques para a China vêm crescendo. Em junho, especificamente, vários outros parceiros comerciais também aumentaram suas compras na comparação com maio. Segundo o Cepea, isso sinaliza que os frigoríficos brasileiros têm possibilidade de ampliar suas vendas para outros mercados.

Frutas frescas

No caso do mercado de frutas frescas, o maior impacto imediato recai sobre a manga, dizem os pesquisadores da USP. Isso acontece porque a janela crítica de exportação desse produto aos Estados Unidos começa em agosto. De acordo com o Cepea, já há relatos de postergação de embarques frente à indefinição tarifária. A uva brasileira, cuja safra tem calendário relevante para os EUA a partir da segunda quinzena de setembro, também passa a integrar o grupo de culturas em alerta.

Antes do tarifaço, no entanto, a expectativa era de crescimento de exportações de frutas frescas, sustentada pela valorização cambial e pela recomposição produtiva de diversas culturas. “A projeção otimista foi substituída por dúvidas. Além da retração esperada nas vendas aos EUA, há o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda nos principais destinos, pressionando as cotações ao produtor”, disse Lucas de Mora Bezerra, do Cepea.

O que pode ocorrer, dizem os pesquisadores, é que as frutas que seriam destinadas aos Estados Unidos sejam direcionadas a outros mercados, como a União Europeia, ou até mesmo absorvidas pelo mercado interno, o que pode pressionar o preço ao produtor.

Diante desse contexto geral relacionado ao café, à carne bovina, ao suco de laranja e às frutas frescas, o Cepea informa que é urgente “uma articulação diplomática coordenada, com vistas à revisão ou exclusão das tarifas sobre produtos agroalimentares brasileiros”.

“Tal medida é estratégica não apenas para o Brasil, mas também para os próprios Estados Unidos, cuja segurança alimentar e competitividade da agroindústria dependem de forma substancial do fornecimento brasileiro”, diz a nota. FONTE ELAINE PATRICIA CRUZ – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Exportações do agro capixaba mantêm solidez e ganham novos mercados no primeiro semestre de 2025

Exportações do agro capixaba mantêm solidez e ganham novos mercados no primeiro semestre de 2025

Nesse período, os embarques somaram mais de 1,2 milhão de toneladas de produtos para o exterior. foto governo do es

O primeiro semestre de 2025 foi marcado pela estabilidade nas exportações do agronegócio capixaba, que somaram US$ 1,56 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões), o maior valor já registrado para o período de janeiro a junho na série histórica. O desempenho representa um leve crescimento de 0,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024 (US$ 1,56 bilhão), que já era recorde. Nesse período, os embarques somaram mais de 1,2 milhão de toneladas de produtos para o exterior.

O desempenho do Espírito Santo foi levemente superior ao nacional. O Brasil registrou um decréscimo de 0,2% nas exportações do agro no mesmo período, mantendo suas receitas praticamente estáveis.

“Como os dados ainda não refletem o efeito do tarifaço dos Estados Unidos, pois se referem até 30 de junho, vamos ficar atentos aos volumes e às divisas geradas a partir de julho, tanto no contexto geral quanto especificamente em relação ao mercado norte-americano, que respondeu por 20% das divisas geradas neste primeiro semestre com as exportações do agro capixaba”, afirma o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.

Entre os dez principais produtos exportados pelo agro capixaba neste início de ano, o complexo cafeeiro liderou com US$ 771,9 milhões (49,6% do total), seguido por celulose com US$ 492,1 milhões (31,6%) e pimenta-do-reino com US$ 201,8 milhões (12,9%). Outros destaques incluem mamão (US$ 16,4 milhões), carne bovina (US$ 14,7 milhões), chocolates e preparados com cacau (US$ 9,2 milhões), gengibre (US$ 8,1 milhões), ovos (US$ 6,2 milhões), álcool etílico (US$ 6,0 milhões) e pescados (US$ 5,6 milhões). O conjunto de outros diversos produtos do agronegócio somou US$ 24,9 milhões (1,6%).

Pimenta-do-reino bate recorde

O Espírito Santo alcançou, no primeiro semestre de 2025, um marco inédito nas exportações de pimenta-do-reino: foram movimentados US$ 201,8 milhões entre janeiro e junho, superando, em apenas seis meses, todo o valor exportado em 2024. O resultado consolida o Estado como o principal exportador brasileiro do produto, com ampla liderança nacional.

Segundo levantamento da Gerência de Dados e Análises da Seag, o volume embarcado no período foi de 32,4 mil toneladas, número que já corresponde a 91% de todo o volume exportado no ano anterior.

Em 2024, o setor enfrentou um recuo expressivo. As exportações totalizaram US$ 163,1 milhões, com uma queda acentuada no volume: 35,5 mil toneladas, o que representa redução de mais de 34% em relação a 2023. O desempenho inferior foi influenciado por oscilações cambiais, ajustes logísticos e conjunturais nos mercados importadores.

Crescimento

Entre os destaques de crescimento em valor exportado estão justamente a pimenta-do-reino (+139%), seguida pelos pescados (+91,6%), café solúvel (+72,2%) e mamão (+24,5%). Em volume, as maiores altas foram registradas nos ovos (+765,5%), pescados (+79,3%), pimenta-do-reino (+47%), mamão (+27,8%), gengibre (+11%) e café solúvel (+18,4%).

Principais mercados

Os produtos capixabas chegaram a 115 países até junho. Os Estados Unidos lideraram como principal destino, com 20,3% do valor exportado, seguidos pela Turquia (9,7%) e pela China (7%). O agro respondeu por 31,53% das exportações totais do Espírito Santo no período.

Espírito Santo lidera segmentos

O Espírito Santo manteve posição de destaque no ranking nacional, sendo o maior exportador brasileiro de gengibre, pimenta-do-reino e mamão, com participações de 58%, 65% e 41%, respectivamente. No complexo cafeeiro, o Estado aparece como segundo maior exportador do País, considerando as categorias de café cru, solúvel e torrado/moído.

Ressalva acerca dos dados

A Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) esclarece que os dados de exportação de açúcar de cana (NCM 17011400), referentes aos meses de fevereiro e março de 2024, foram desconsiderados da análise anual.

Os registros indicaram valores atípicos – US$ 10,2 milhões (19,8 toneladas) em fevereiro e US$ 11,1 milhões (21,6 toneladas) em março – destoando das médias históricas e das informações fornecidas por indústrias do setor, o que indica possível erro de lançamento ou atuação pontual de empresas de trading.


fonte e foto Seag

Posicionamento Findes: Com taxação americana, indústria avalia reduzir produção e postos de trabalho

Posicionamento Findes: Com taxação americana, indústria avalia reduzir produção e postos de trabalho

Enquanto nenhum documento oficial foi entregue pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil, a simples manifestação pública do presidente americano em suas redes sociais já trouxe instabilidade às relações comerciais, foto divulgaçao

Os setores industriais capixaba e nacional já avaliam a adoção de medidas emergenciais diante da iminente taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre as providências em análise, estão a redução do ritmo de produção e, de forma ainda mais preocupante, o fechamento de postos de trabalho. A intenção é mitigar os efeitos dessa medida sobre a saúde financeira das empresas e preservar, na medida do possível, a sustentabilidade dos negócios.

Esse cenário tem gerado insegurança entre os empresários e exigido ações coordenadas do setor industrial. A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), ao lado das outras 26 Federações do país, tem participado de reuniões frequentes com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) para debater respostas à medida americana, que deve entrar em vigor no dia 1º de agosto. O grupo, formado pelos presidentes das Federações e liderado pelo presidente da CNI, Ricardo Alban, mantém diálogo constante com o governo federal em busca de estratégias que reduzam os impactos sobre a indústria nacional.

Enquanto nenhum documento oficial foi entregue pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil, a simples manifestação pública do presidente americano em suas redes sociais já trouxe instabilidade às relações comerciais e acendeu o alerta em diversos setores produtivos. A CNI está conduzindo, com o apoio das Federações, um levantamento junto às indústrias para mapear frustrações comerciais e identificar potenciais prejuízos.

No caso do Espírito Santo, os riscos são ainda mais significativos. Os Estados Unidos são, historicamente, o principal parceiro comercial do Estado. Em 2024, responderam por 28,6% das exportações capixabas, conforme dados do Observatório Findes. O ES é o segundo estado brasileiro com maior dependência das exportações para os EUA, atrás apenas do Ceará (45%).

Somente no ano passado, o Espírito Santo exportou US$ 3,06 bilhões para os EUA, enquanto importou US$ 2,05 bilhões — um saldo positivo que passa a ser ameaçado por uma política comercial unilateral e arbitrária.

A Findes continuará acompanhando os desdobramentos do caso com atenção, mobilizando sua estrutura técnica e institucional para apoiar as indústrias capixabas na avaliação dos impactos e na construção de alternativas que possam preservar empregos, investimentos e a competitividade do setor produtivo do Espírito Santo. fonte findes

Comércio de peças vê impacto maior de tarifaço para montadoras nos EUA

Comércio de peças vê impacto maior de tarifaço para montadoras nos EUA

Montagem de carros no Brasil deverá sofrer poucas alterações. foto autoentusiatas

O setor do comércio de peças e acessórios para veículos automotores nacional avalia que o impacto do tarifaço estadunidense contra o Brasil deverá causar maior dano às montadoras instaladas nos Estados Unidos.

Segundo o presidente do Sindicato Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos (Sincopeças Brasil), Ranieri Leitão, o processo de montagem de carros no Brasil deverá sofrer poucas alterações.

“Em nosso entender, o impacto talvez seja maior para as montadoras de veículos instaladas no mercado norte-americano e que se valem de fornecedores brasileiros. Dentro do Brasil, não enxergamos qualquer alteração no processo de montagem dos veículos”, disse em entrevista à imprensa.

Segundo Leitão, o setor do comércio de autopeças nacional atua basicamente no mercado interno e não deverá sofrer impacto direto do tarifaço. “Mas nossa posição é que qualquer movimento de taxação excessiva é desastroso para os negócios em geral”, ressaltou.

O Sindipeças, que representa os fabricantes de autopeças, disse, em nota, que ainda é necessário aguardar a publicação da legislação estadunidense para confirmar qual será o alcance da sobretaxa no setor. As fabricantes nacionais produzem peças específicas para veículos dos Estados Unidos o que torna inviável redirecioná-las para outro mercado.

A balança comercial de autopeças do Brasil com os Estados Unidos é deficitária ao Brasil desde 2009. Em 2024, o Brasil exportou para os Estados Unidos US$ 2,2 bilhões e importou US$ 1,3 bilhão em peças. fonte BRUNO BOCCHINI – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Espírito Santo tem 86,5 mil inadimplentes a menos em junho

Espírito Santo tem 86,5 mil inadimplentes a menos em junho

Comparação feita com o mesmo mês de 2024 aponta que população capixaba com dívidas em atraso caiu 2,1%. foto Pexels.

O Espírito Santo registrou, em junho de 2025, uma redução expressiva de 86,5 mil pessoas inadimplentes em relação ao mesmo período do ano passado. No total, cerca de 1,43 milhão de capixabas estão com dívidas em atraso, o que representa 34,2% da população – um índice 2,1 pontos percentuais menor do que em junho de 2024.

As análises dos dados são do Connect Fecomércio-ES (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo), com informações da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Segundo o coordenador de pesquisa do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, apesar das oscilações mensais, o resultado anual mostra que muitas famílias têm conseguido reorganizar seus orçamentos e manter os compromissos em dia. “Mesmo com os desafios da economia, o recuo na inadimplência de forma acumulada sinaliza um esforço contínuo das famílias para recuperar o equilíbrio financeiro e sair do vermelho”, avaliou.

Spalenza também destaca que a inadimplência recuou de maneira mais significativa entre os grupos de menor renda. “Famílias com renda entre três e cinco salários mínimos, por exemplo, reduziram a inadimplência de 37,4% para 28,1% no período de um ano. Esse dado mostra uma melhora importante na capacidade de pagamento desse grupo”, explicou.

A pesquisa aponta que, em média, os capixabas inadimplentes possuem 3,9 contas em atraso, com uma dívida média de R$ 5.827. No total, o valor das dívidas negativadas no estado soma R$ 7,6 bilhões. O cartão de crédito segue como a principal forma de endividamento.

Outro aspecto importante do levantamento é que 19% das famílias inadimplentes afirmaram ter condições de quitar parcial ou totalmente suas dívidas já no próximo mês, o que reforça a ideia de que parte da inadimplência pode ser temporária e não necessariamente crônica.

Quanto ao grupo de endividados, ou seja, pessoas com contas a pagar, houve estabilidade. Entre maio e junho, a taxa de endividamento das famílias aumentou 0,3 ponto percentual e chegou 89,4%. Nas famílias com renda de até 10 salários mínimos (R$ 15.180) o endividamento saiu de 90,4% em maio para 90,9% junho, aumento de 0,5 pontos. Já nos grupos familiares com renda superior a 10 salários houve queda de 1 ponto percentual na taxa de endividamento, que chegou a 79,5% em junho.

A pesquisa completa, com os dados detalhados, pode ser acessada em: https://portaldocomercio-es.com.br.

Sobre o Sistema Fecomércio-ES
A Fecomércio-ES integra a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e representa 405.455 empresas, responsáveis por 58% do ICMS arrecadado no estado e pelo emprego de 652 mil pessoas. Com mais de 30 unidades, tendo ações itinerantes e presente em todos os municípios capixaba- seja de forma física ou on-line-, o Sistema Fecomércio-ES atua em todo o Espírito Santo. A entidade representa 24 sindicatos empresariais e tem como missão contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado. O projeto Connect é uma parceria entre Fecomércio-ES e Faesa, com apoio do Senac-ES, Secti-ES, Fapes e Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI). fonte Fecomércio-ES Kelly Kalle e foto Pexels

Embraer: tarifaço pode ter impacto similar ao da pandemia de covid-19

Embraer: tarifaço pode ter impacto similar ao da pandemia de covid-19

Receita caiu 30% e quadro de funcionários foi reduzido na época. foto embraer

A terceira maior fabricante de aeronaves do mundo, atrás apenas da Boeing e da Airbus, a Embraer estima que o tarifaço anunciado pelos Estados Unidos (EUA) contra o Brasil poderá causar um impacto na companhia similar ao da pandemia de covid-19. Na época, a companhia teve cerca de 30% de queda de receita e precisou reduzir em torno de 20% o quadro de funcionários.

Segundo a empresa, o tarifaço deverá elevar o preço de cada avião vendido aos EUA em cerca de R$ 50 milhões. Considerando o período até 2030, o impacto poderá significar R$ 20 bilhões em tarifas. De acordo com o diretor executivo da companhia (CEO), Francisco Gomes Neto, a alteração nos preços das aeronaves deverá gerar cancelamento de pedidos, postergação de entregas, revisão do plano de produção, queda de geração de caixa, e redução de investimentos.

“Não há como remanejar encomendas de clientes dos Estados Unidos para outros mercados. Não tem como remanejar essas encomendas. Avião não é commodity. O maior mercado de avião executivo é nos Estados Unidos. Não tem como reposicionar isso para outros mercados”, destacou Gomes em entrevista na terça-feira (15).

As exportações para clientes estadunidenses representam 45% da produção de jatos comerciais e 70% de jatos executivos da companhia. Segundo o CEO, a tarifa de 50% poderá inviabilizar a venda de aviões para os Estados Unidos. “Cinquenta por cento de alíquota é quase um embargo. É não é só para a Embraer, é para qualquer empresa. Cinquenta por cento dificultam ou inviabilizam as exportações para qualquer país. É um valor muito elevado. E, para avião, é mais impactante ainda devido ao alto valor agregado do produto”, destacou Gomes.

Possibilidade de negociação

O tarifaço sobre o Brasil atingirá também os produtores americanos, e isso poderá ajudar em uma eventual negociação, disse o diretor executivo da Embraer. Segundo ele, nos próximos cinco anos, até 2030, a Embraer tem potencial de comprar US$ 21 bilhões em equipamentos norte-americanos para equipar os aviões produzidos pela empresa brasileira. “Por isso que nós achamos que uma solução negociada é possível”, disse Gomes.

“A gente foi lá [nos Estados Unidos] para mostrar isso para eles. Eles entendem isso, mas eles querem ver uma negociação bilateral avançando, como eles estão buscando em vários outros países”, acrescentou.

Gomes mostrou-se confiante em um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, tal como o recente acordo anunciado pelos norte-americanos e Reino Unido, com o retorno da tarifa zero para o setor aeronáutico.

“Houve concessões de ambas as partes e, no caso do do setor aeroespacial, a alíquota era de 10%. A gente está otimista com a situação, e esse exemplo aí do acordo entre o Reino Unido e os Estados Unidos fica como uma boa base para o Brasil também”, acrescentou.

fonte BRUNO BOCCHINI – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL

Arranjos Produtivos: municípios iniciam primeira colheita de maracujá

Arranjos Produtivos: municípios iniciam primeira colheita de maracujá

O agricultor familiar Jordão Caetano de Souza está feliz com a colheita / Foto: Lizandro Nunes

Agricultores familiares do Espírito Santo estão comemorando as primeiras colheitas de maracujá a partir de mudas doadas pelo projeto Arranjos Produtivos, desenvolvido pela Assembleia Legislativa (Ales). Produtores de Itapemirim, Piúma, Anchieta e Vila Pavão começaram a colher os frutos nas últimas semanas. As entregas das mudas aconteceram no final do ano passado. Desde então, os técnicos do projeto vinham prestando assistência técnica durante o processo de plantio e cultivo da fruta.

Um exemplo de plantio bem-sucedido acontece na propriedade do agricultor familiar Jordão Caetano de Souza, na zona rural de Itapemirim. O produtor recebeu 700 mudas de maracujá e já começou a colheita. A estimativa é que, em um ciclo de até três anos, ele alcance uma meta de 30 mil quilos da fruta. 

Tradicionalmente, Jordão trabalha com o plantio com café, mandioca e cana. Incentivado pelo projeto Arranjos Produtivos, o agricultor decidiu diversificar a produção e não se arrependeu. “Aproveitei a oportunidade e está tudo dando certo. Sempre fui otimista e optei pelo maracujá por causa do clima seco que temos por aqui. O resultado está muito satisfatório. Agradeço à Assembleia Legislativa e a todos os responsáveis pelo projeto pela oportunidade”, disse o agricultor familiar. 

O engenheiro agrônomo Péricles Santos, membro do projeto Arranjos Produtivos, foi o responsável pela consultoria técnica na propriedade. O especialista destacou que as visitas à propriedade foram recorrentes.

“A gente fez acompanhamento durante todo o ciclo, com no mínimo uma visita por mês. Antes do plantio, foi feito o estudo do solo, para saber se seria necessário o uso de fertilizantes, orientamos sobre como deveria ser o espaçamento do plantio e o cultivo. Aqui, o crescimento foi natural, sem o uso de agrotóxicos. Nós trabalhamos sempre em busca de um objetivo principal, que é uma boa colheita”, explicou o engenheiro agrônomo. 

Em Itapemirim foram entregues mais de 4 mil mudas de maracujá e o município conta com cerca de 50 agricultores familiares cadastrados no projeto. Produtores do município também receberam mudas de acerola, uva e aroeira. A previsão é que nos próximos meses comece a colheita de Maracujá em Alegre, Muniz Freire e Guaçuí. 

Apoio à agricultura familiar 

O projeto Arranjos Produtivos é desenvolvido pela Secretaria da Casa dos Municípios da Ales em parceria com o governo do Estado e apoio das prefeituras. Atualmente, são 27 municípios cadastrados no ciclo deste ano. Em 2024, 20 participaram. 

Já foram entregues gratuitamente, por exemplo, mudas de uva, cacau, café, pimenta, aroeira, pupunha, acerola e maracujá. Além das mudas, os agricultores familiares também recebem orientações técnicas diretamente nas plantações. Em alguns municípios os produtores também receberam equipamentos agrícolas, como kits para produção de mel, kits para hidroponia e estufas para cultivo de morango. edição de Angèle Murad  – ales